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Mesmo com a equipa apurada para as meias-finais da Liga Europa, Carlos Vicens mantém-se fiel ao discurso de pensar apenas no jogo seguinte. O técnico do Sp. Braga elogia o Famalicão e reconhece que o duelo de amanhã, na Pedreira (20H30), obrigará a fazer uma “gestão” do plantel.
Receção ao Famalicão: que jogo espera?
“É um jogo difícil, como foi lá, num dos jogos mais complicados. Sabemos do trabalho que estamos a fazer, tem uma maneira de jogar muito clara e definida colocada em prática e que gosto de ver. Tem jogadores que nos pode complicar a tarefa e sabemos que querem ganhar aqui. Vamos preparar o jogo, recuperar e fazer um jogo do nosso nível, sendo competitivos, agressivos, com carácter e saber ultrapassar as dificuldades com trabalho para vencer.”
A três passos de poder levantar um troféu, como se gere a cabeça dos jogadores?
“É muito fácil. Eles escutaram-me durante 10 meses e a mensagem não muda. O mais importante é dia de hoje, nem me lembro dos jogos da Liga Europa. O meu foco está no Famalicão, ajudar os rapazes a estarem o melhor possível porque há muitos jogos, mas não há desculpas.”
Como reagiu ao terceiro golo do Betis, entretanto anulado?
“Estava bem colocado e em direto tive a sensação que era fora de jogo. Aproveitei para falar com os jogadores, ajustar coisas.”
Será preciso Red Bull para a equipa recuperar?
“Vamos ver o que recomenda o nutricionista… O mais importante é a cabeça, a mentalidade e, com isso, as pernas ficam melhor. Temos de dar tudo neste mês porque temos muita coisa pela frente.”
Mas não é humano os jogadores pensarem na final?
“Sim, é humano, mas já falei ontem com eles que o meu trabalho é dizer-lhes a verdade e, se não estiverem bem preparados, para este jogo vão cair de forma estrondosa. O Famalicão é uma equipa que tem uma organização muito clara e vamos ter dificuldades. Claro que não falei com todos eles individualmente, mas o que fui percebendo no autocarro desde o estádio até ao aeroporto é que a equipa está consciente da importância deste jogo com o Famalicão. Obviamente, queremos recuperar bem, mas com a mentalidade necessária.”
Famalicão com semana limpa, ao contrário do Sp. Braga…
“Temos de fazer uma gestão. O Famalicão tem semanas limpas, pode repetir automatismos, tem tempo para preparar jogos. Estamos habituados a ter um calendário congestionado, agora é o momento de priorizar o descanso, treinar pouco, mas com qualidade. Temos de estar focados.”
Arrey-Mbi:
“Não parece que seja nada para cirurgia, mas vamos ver. Assustou, porque foi no joelho, mas não parece tão alarmante. Vamos ver como reage.”
Reviravolta com o Betis:
“Muito feliz pelos jogadores porque lhes disse que eram capazes de eliminar o Betis. Tinham de crer e durante todas as intervenções que tive com eles, antes, durante e depois dos jogos, teve a ver com isto: se fossem este Sp. Braga, eliminavam o Betis. Sinto felicidade por eles porque foram capazes. Este é um grupo de boas pessoas e, quando assim é, isso faz-nos duplamente felizes.”
Como é que o treinador reage à euforia dos jogadores, a pedir-lhe que os leve à final da Liga Europa?
“Como se viu nas nossas redes sociais, com as imagens do nosso balneário, houve felicidade depois do jogo, mas quando ganhamos há sempre felicidade. Somos uma família, os jogadores têm gostado de conviver uns com os outros. Depois, pouco a pouco, e também falei isso com eles, o que define as equipas grandes é quando és capaz de repetir atuações de nível alto habitualmente e também juntar a isso estabilidade emocional. Antes de um jogo destes [Betis], num estádio muito grande, com muita gente era importante manter essa estabilidade emocional. Tivemos um pequeno êxito, mas a médio e longo prazo podemos ter um êxito global se conseguires repetir essas atuações de nível alto. Eu sei disso porque vivi-o noutros papéis. O que te torna num jogador de alto nível e de equipa grande é quando manténs o nível de maneira habitual. Se és melhor hoje do que foste ontem e o repetes ao longo de meses e anos, esse rendimento mostra o jogador que és. Passarás de ser um jogador muito bom para um jogador de equipa grande. Passa mais pela mentalidade do que pela questão física.”
Por José Mário