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O SPORTING de Braga impôs sábado a segunda derrota ao FC Porto no campeonato, vencendo justamente por 2-1, já que marcou os dois golos na primeira parte e controlou sempre muito bem a desinspirada equipa de Fernando Santos, que, aliás, só marcou numa grande penalidade inexistente.
O FC Porto, que nunca se dá bem antes dos jogos europeus, confirmou também nos jogos as dificuldades fora de casa e, sobretudo, teve uma noite de completa desinspiração dos seus jogadores mais influente – Deco está num momento menos bom, Pena muito marcado, Drulovic esteve pouco inspirado e a defesa cometeu demasiados pequenos erros.
Sem Miki Fehér, impedido de jogar por estar emprestado pelo FC Porto, Manuel Cajuda não se atemorizou e colocou em campo um 4-3-3 com Idalécio no lugar do lesionado Odaír e um meio-campo com Barroso atrás de Tiago (que marcava Deco) e um Castanheira surpreendente pela sua mobilidade e pelo seu futebol.
Na frente, Luís Filipe na direita, Riva na esquerda e Edmilson pelo meio, um trio de grande movimento que foi muito bem completado pelos seus médios.
Fernando Santos confiou em Capucho como extremo-direito e Chainho a meio-campo, ficando Alenitchev no banco e de resto com a equipa habitual. O líder da I Liga nem começou mal e as duas primeiras oportunidades foram mesmo suas (Drulovic chutou fraco, Chainho chutou melhor, mas Quim fez uma das suas três extraordinárias defesas da noite, dessa vez com o pé), mas o Braga, com uma interessante dinâmica de jogo, ia metendo muita gente à frente e criando dificuldades a uma defesa e a um meio-campo sempre desligados.
Num relvado muito escorregadio, o FC Porto sofreu o primeiro golo quando Riva apareceu ao segundo poste a depositar de cabeça na rede, depois de um canto marcado por Castanheira e de um desvio de Idalécio (18 m) e o FC Porto optou por deixar as coisas correr.
Seis minutos mais tarde, porém, um grande remate de Barroso a 25 metros da baliza, em que Ovchinnikov foi lento a lançar-se (não deve ter visto a bola partir) deu o 2-0 ao Braga, talvez recompensa demasiada para o que o jogo dera até ali.
Esperava-se uma reacção portista, porque era claro que era preciso pôr mais pressão sobre a defesa do Braga, que aliás não se mostrava demasiado impermeável. Mas Fernando Santos optou por esperar pelo intervalo e o Braga dominou então. Com um Barroso a acertar bem nos remates, marcando os livres sempre com muita força e colocação, com Castanheira a distribuir e Riva a colocar Secretário em dificuldades, o FC Porto sofria sem reagir.
Pizzi sem ritmo
Ao intervalo não era possível esperar mais e Fernando Santos tirou o médio Chainho e colocou o ponta-de-lança Pizzi. Mas na primeira jogada, Riva isolou-se e teve o segundo golo nos pés, valendo Jorge Costa sobre a linha.
Com um meio-campo apenas com Paredes e Deco, o FC Porto arriscava, mas de um modo pouco racional. Deco não podia adiantar-se demasiado e o futebol portista passou a ser quase directo, com lançamentos pelo ar em que Idalécio mandou com à vontade.
Em toda a segunda parte, o FC Porto construiu muito pouco e as oportunidades que teve foram mais de aproveitamento de deslizes ou de pontapés de ressaca. Drulovic teve nos pés o golo após uma desatenção de Artur Jorge mas, em vez de rematar, preferiu passar a Pizzi e a jogada perdeu-se na linha de fundo (60 m).
Cajuda aceitou jogar assim, ou seja, com a sua equipa agora com tracção atrás e em contra-ataque. Por isso colocou N'Guema no lugar de Edmilson (67 m) e, na primeira vez que tocou na bola, o gabonês esteve quase a sentenciar o jogo, chutando mal à entrada da área.
Pouco depois aconteceu o lance do “penalty” que deu o golo ao FC Porto, num encosto venial de Andrade a Pena que António Costa, que nem estava em boa posição, transformou em castigo máximo. Esquerdinha converteu-o e esperava-se um assalto final portista...
Só que a equipa nunca se conseguiu ligar, Pizzi – já se vira há oito dias, com o Atlético, que estava em estado inapresentável – mostrava-se diligente mas sem saber onde estava e Capucho perdera o fulgor inicial. Três passes seguidos entre jogadores portistas foi coisa que quase não houve.
Mesmo assim, com o Braga a controlar o jogo quase confortavelmente, o FC Porto teve ainda duas hipóteses de empatar – primeiro num tiro de Paredes, à entrada da área, em que a bola ainda desviou em Artur Jorge e Quim fez uma defesa de três pontos (81m) e, já nos descontos, num centro de Jorge Costa que Pena cabeceou e Quim voltou a conseguir desviar com a ponta dos dedos.
Muitos erros
António Costa cometeu muitos erros e um deles grande, ao assinalar a grande penalidade sobre Pena. Mas cometeu mais e Jorge Costa queixou-se, justamente, de ter sido agarrado por Idalécio, na área do Braga, na primeira parte, também sem punição.
Depois, o critério nas faltas esteve longe de ser uniforme, marcando alguns pequenos empurrões e deixando passar outros toques bem mais graves – e os defesas do Braga abusaram muito de pequenos truques, de que Pena foi uma das grandes vítimas, já que nunca conseguiu receber a bola sem sofrer falta.
Ainda na primeira parte, o árbitro setubalense foi também benévolo para Jorge Costa, que derrubou Riva quando este criava um lance de perigo – não era daqueles obrigatórios, mas podia ter sido cartão amarelo e seria o segundo para o capitão do FC Porto...