P. Ferreira-Sp. Braga, 4-2: Que vendaval de futebol a Paços de força quatro!
Começar contra o vento foi arrasador para os minhotos, subjugados em todos os capítulos, inclusive na segunda parte em que as condições os favoreceriam. A grande classe do conjunto pacense provou quem é sensação com jogo de autêntico campeão
SENSACIONAL! Num jogo sob clima britânico agravado pelo temporal das últimas semanas que parece ter-se transferido das húmidas ilhas para o nosso país, o Paços de Ferreira dobrou o Sp. Braga com força, classe e futebol de primeira água em condições impróprias que só grandes campeões superariam. Nesta prova de força entre quem, pelo segundo lugar à entrada da 10ª jornada, era apontado "a sensação" da prova, e a equipa "candidata a sensação" que mais futebol perfumado tem deixado nos relvados portugueses, os pacenses saíram claramente vencedores. Para sensação, sensação e meia.
E assim, depois de o Benfica sair como único incólume da Mata Real ontem devastada por rigorosa invernia, o Paços de Ferreira continua de cabeça alta a fazer um campeonato excelente, como lhe vaticinámos logo desde o início.
Aconteceu futebol à inglesa pelas inclementes condições atmosféricas que nem os lugares de Imprensa pouparam, mas com uma categoria dos pacenses só rivalizada pela coragem do público em arrostar com a borrasca. Nem os bracarenses foram rivais à altura dos endiabrados pupilos de José Mota, em que o campeão de futebol de praia Rafael pareceu sentir-se como peixe na água. E, para cúmulo, uma equipa tão bem calibrada como a bracarense, com experiência e arrojo, acabou por mostrar como se começa a perder antes de jogar, escolhendo campo contra o vento, dando a bola ao adversário no pontapé de saída e convidando, assim, a um vendaval de futebol que foi como desafiar o oceano com uma casca de noz em vez de caravela de alto mar em que vinha navegando a confiança arsenalista.
SUICÍDIO E MÉRITO
Arrogância, desassombro, suicídio puro. O Sp. Braga que venceu na pré-época os pacenses na apresentação aos sócios locais (3-0) quando faltavam os "bibelots" Rafael e Everaldo na "Capital do Móvel", foi varrido do campo. Que imprudência, por muito que Cajuda aluda a perspicácia em "avaliar" as piores condições de uma baliza ou outra, dando ordens a Barroso para começar com o campo inclinado de tal forma que um pontapé de baliza de Quim não chegava à linha divisória do terreno! E optar por Luís Filipe quando a luta do meio-campo reclamava mais Tiago e até ferrolhos... Louve-se a atitude arsenalista de não se abrigar do temporal, saindo para o jogo.
Mas, acima de tudo, proclame-se esta maravilha pacense que joga em todo o terreno. À parte o vento, não acreditamos que o Sp. Braga pudesse rivalizar com o futebol burilado e corrido, objectivo e rectilíneo, dos pacenses (também o terceiro ataque da prova). Cajuda errou os cálculos, ousou medir forças e abusou de intenções atacantes, depois abdicou de A. Jorge.
Não se julgue que o Paços joga em contra-ataque; fá-lo em pressão constante, ganha as segundas bolas e marca superioridade na frente. O Sp. Braga não teve médios a subir assim para se "plantar" no campo contrário, outra enorme diferença que justifica a derrota.
Na segunda parte, com o "campo a subir", o Paços fez mais remates do que os minhotos em todo o jogo. Que méritos!
Quim evitou quatro golos, a barra devolveu um remate de Everaldo, que viu um "chapéu" de 30 metros, contra o vento, passar a centímetros de um poste. Não exagerava José Mota ao considerar no fim que podiam ter sido 8-2. O temporal fez amainar a força do Paços!