Adán diz adeus ao Sporting, quatro anos e 156 jogos depois. Apesar do sentimento de despedida e das "saudades do dia a dia" que o próprio confessa que já sente, o guarda-redes, de 37 anos, vai ficar acima de tudo com as memórias dos cinco títulos que conquistou de leão ao peito. O último, o de campeão nacional 2023/24, foi até festejado... num andaime, em pleno Marquês. Tudo para ficar com a melhor imagem de uma "praça cheia de gente".
"Foi um dia inacreditável. O jogo do Benfica era às 20h30 e estávamos um pouco na dúvida porque as pessoas só deviam ir para a rua quase à meia-noite, sendo que no dia seguinte tinham de ir trabalhar. Não esperávamos um ambiente daqueles. Quando chegámos ao Marquês e subi aos andaimes só tinha uma preocupação: ficar com aquela imagem da praça cheia de gente", confessou, em entrevista à Sporting TV, admitindo que o plantel sentiu que o 1º lugar já não fugia depois da vitória na receção ao Benfica (2-1). "Aí sentimos que, apesar de eles ainda poderem aproximar-se, a equipa estava a jogar muito bem e com uma confiança tremenda. O jogo em casa do E. Amadora também parecia que podia complicar-se, mas acabámos por ganhar. Acho que era claro que este ano ia cair para nós", sublinhou.
Ao terminar contrato com o Sporting, o espanhol garante que vai continuar a jogar - como Record havia adiantado - mas voltará "muitas vezes" a Lisboa. "Sou de um país vizinho", recorda. "Agora começa outra temporada na minha carreira, mas vou continuar a seguir o Sporting com muita atenção", atirou, certo de que o clube vai continuar a ganhar. "Não tenho dúvida. Na minha despedida [em Alvalade] pedi aos adeptos que não deixassem cair o clube, que continuassem com a união que se sente hoje com o plantel e a equipa técnica. Quero deixar um agradecimento aos adeptos, ao presidente, ao diretor desportivo e ao mister, que me trouxeram para cá, confiaram em mim e mostraram respeito pelo meu trabalho. Também ao staff e as pessoas que convivem connosco na Academia, cozinheiros e pessoas da limpeza. Agradecer ainda aos meus colegas porque, apesar de ter partilhado o balneário com jogadores historicamente muito importantes em grandes clubes, este é especial", vincou.
"Dentro do balneário há uma família, um staff, com fisioterapeutas, médicos e roupeiros que nos fazem sentir diariamente que estamos em casa. Falo muitas vezes disto com a minha mulher, passamos mais tempo com todas estas pessoas do que com a nossa família e torna-se uma relação especial. Isso vai ser o mais complicado, deixar de ver os amigos que fiz e as pessoas especiais que fazem parte do clube", reforçou.
E ao olhar para trás, Adán assume que tudo o que viveu no Sporting superou as suas melhores expectativas. "Sabia que vinha para um grande clube. A história do Sporting é enorme e a quantidade de troféus que há no Museu demonstra isso mesmo. Poucos clubes na Europa e em Portugal conseguem mobilizar tantos adeptos como o Sporting. Conhecia o clube que vinha representar, mas não tinha noção de que íamos conseguir tanto como conseguimos nestes quatro anos. Saiu muito melhor do que esperava", rematou.
Por Ricardo Granada