A última vez que Beto entrou no Estádio do Bessa como titular num encontro do campeonato aconteceu há cerca de quatro anos: foi a 22 de Novembro de 1998 e o Sporting empatou (2-2).
Sendo um jogador nuclear na estratégia dos leões desde 1996/97, de cuja equipa raramente esteve afastado, o defesa foi afectado por problemas físicos nos dias que antecederam duas deslocações e, após ausências consecutivas, só conseguiu actuar na época passada, embora na condição de suplente utilizado.
No regresso que esta noite se assinala, o capitão procura inverter outra tendência negativa, pois jamais saiu vencedor do estádio boavisteiro: dois empates e duas derrotas pelo Sporting, um desaire como emprestado ao Campomaiorense.
A situação de Beto assemelha-se ao que tem sido, em termos históricos, o desempenho dos leões num dos mais complicados cenários da SuperLiga, conforme o ilustra a fase sem ganhar que a equipa acumulou de 59/60 até 90/91. Então, sob o comando de Marinho Peres, os sportinguistas fizeram história, triunfando por 3-0.
Depois deste evento marcante, só em 99/00, com golo madrugador de Pedro Barbosa, o Sporting voltou aos êxitos no Bessa. “Foi a vitória da humildade e do rigor táctico”, confessou o técnico Augusto Inácio no final.
Coincidência de lesões
Uma entorse no joelho direito, contraída no particular frente à Bélgica, afastou Beto do Bessa em 2000; no ano seguinte, a responsabilidade pela ausência pertenceu a uma entorse na tibiotársica direita.
Nestes casos, o central foi rendido por Quiroga e Phil Babb, respectivamente, tendo os substitutos realizado exibições positivas. Em 2001/02, só saiu do banco perto do fim, depois de ter sido afectado por problema numa coxa. Uma vez mais foi Facundo Quiroga quem jogou, então como lateral-direito.
Nenhum jogador pretende ficar afastado seja de que encontro for, mas partidas com as características da que se realiza esta noite são especialmente estimulantes. Emoção e competitividade definem os desafios entre Boavista e Sporting, daqui resultando encontros com grande intensidade.
Na época passada, tal como agora, os técnicos diversificavam discursos: Pacheco apostava na consistência, Bölöni recusava a ideia de excessiva agressividade. Em campo, o Boavista foi confrontado com armas parecidas, num jogo de inúmeros choques e equivalência nas faltas cometidas. “Quando é preciso também lutamos”, explicou João Pinto no final. Hoje, na ausência de Pedro Barbosa, Beto vai liderar esse combate leal.
Suplente utilizado 'expulsa' Paulo Turra
Lesões musculares nas coxas colocaram os capitães leoninos em dúvida até à hora do encontro da temporada passada, acabando a dupla por entrar próximo do final. Barbosa foi o primeiro, rendendo Hugo Viana, aos 78’.
A dois minutos do final, Beto substituiu Paulo Bento e, apesar do escasso tempo em campo, acabou por estar envolvido na redução dos boavisteiros a dez elementos: apenas um minuto depois de estar em campo, Beto foi alvo de entrada violenta do central Paulo Turra e o juiz José Pratas mostrou o segundo cartão amarelo ao brasileiro e o consequente vermelho, expulsando-o. “Vou ser despenalizado, pois Beto fez cinema”, disse. Mas não teve despenalização.
Primeira vez azarada
Estreante na então I Divisão pelo Campomaiorense, por cedência leonina, o central teve um primeiro jogo azarado no Bessa. A 17 de Março de 1996 perdeu (0-4) e viu dois cartões amarelos (47 e 65’), recebendo ordem de expulsão do árbitro bracarense João Vilas Boas. Litos, Artur, Hélder e Nuno Gomes apontaram os golos axadrezados.
Títulos com suporte
Não perder no Bessa ajudou a suportar o Sporting rumo a dois títulos. Em 96/97, Martelinho e Simic responderam ao golo de Dominguez (2-1); na época seguinte, só o então boavisteiro Ayew marcou (1-0); em 98/99, empate (2-2), através de Timofte, Jorge Couto, Simão e Iordanov; Pedro Barbosa e Martelinho repartiram os triunfos seguintes e, em 2001/02, registou-se igualdade a zero.