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UM GRANDE golo de Martelinho, num tiro de fora da área quando já caía o minuto 90, selou várias coisas: obviamente, que o sonho do Boavista de ser campeão é cada vez mais uma grande possibilidade - e, praticamente, já está na Liga dos Campeões; que o Sporting ficou fora de todas as discussões nesse particular; e, finalmente, que o Boavista, afinal, também tem quem decida jogos pelo talento individual.
A cinco jornadas do fim, com sete pontos - pelo menos até domingo à noite - sobre o seu mais directo adversário, o Boavista tem, de facto, grandes hipóteses de conseguir aquilo que nunca conseguiu e que é chegar ao fim em primeiro. Pode-se discutir se foi justa a vitória, quando o golo foi obtido mesmo no fim, quando o Sporting teve mais e melhores oportunidades, sobretudo na primeira parte, em que o jogo foi melhor. Não se pode discutir a excelência do golo de Martelinho, que ao longo do jogo já fora o melhor jogador da equipa e o único que conseguira criar reais problemas ao Sporting e ser claramente melhor que o seu adversário directo (Rui Jorge quase sempre, Prates quando por vezes apareceu na esquerda) e que teve a arte para inventar aquele pontapé fulminante que Schmeichel não conseguiu defender. Foi no fim do jogo, nessa curiosa vingança do golo que decidira o jogo na época passada, marcado por Pedro Barbosa logo no primeiro minuto do encontro. Uma história que esteve quase a repetir-se, porque Pedro, logo no segundo minuto, perdeu uma das grandes oportunidade do Sporting.
Jaime Pacheco confirmou, em dez onze avos, a equipa que ganhara em Guimarães, saindo Erivan e entrando Martelinho, recuando Erivan para a esquerda. Sanchez continuou, assim, no banco, mas a equipa tinha uma feição um pouco mais ofensiva com os dois extremos clássicos e de raiz. Um pouco mais, apenas, porque esta equipa joga sempre da mesma maneira tirando pequeníssimas nuances.
No Sporting, Manuel Fernandes confiava no regresso de Sá Pinto - que aliás jogou bem - encostado à direita, com Pedro Barbosa do outro lado. Sem Beto, entrou Babb para o lado de André Cruz, enquanto Hugo e Paulo Bento eram os sustentáculos do meio-campo. E ambos estiveram bem, metendo-se naquela luta terrível que é conseguir parar aquele rolo compressor do meio-campo do Boavista. Porque isso era fundamental: se aí o Sporting não perdesse, depois podia confiar na qualidade técnica dos homens da frente. E assim Manuel Fernandes garantiu uma primeira parte em que o Sporting foi melhor, até porque era quem garantia jogadas na área (mesmo com um Acosta claramente fora de forma).
A segunda parte foi pior, muito mais lutada que jogada e o Sporting teve, assim, mais dificuldades. Só tinha hipóteses se conseguisse ter espaços mas a movimentação dos seus jogadores foi menor. O Boavista só em contra-ataque também criava perigo e Martelinho teve nos pés uma grande oportunidade, isolado depois de um alívio da sua defesa, mas Schmeichel fez a grande defesa da noite. Já tinham entrado Whelliton (saíra Duda), entrariam Sanchez, Mpenza e Rodrigo no jogo dos treinadores para tentar desempatar um jogo que parecia inexoravelmente sem golos e que dera uma segunda parte francamente mais desinteressante. Até que Martelinho conseguiu aquele grande remate que deu a vitória no jogo e, sabe-se lá, o título ao Boavista.
O árbitro
O jogo foi difícil de dirigir e José Leirós sentiu-o com alguns erros graves. Devia ter expulso Silva a acabar a primeira parte por uma falta feia sobre Hugo e deve ter ficado um “penalty” por marcar (Rui Jorge sobre Martelinho) sobre os 45 m. Menos evidente uma falta de Frechaut sobre João Pinto, na área, minutos antes.
O golo
89' - Martelinho, 1-0: Jogada de Sanchez, no flanco esquerdo. O boliviano livra-se de César Prates e vê bem a desmarcação de Martelinho, que, de fora da área, remata cruzado, com muita força, sem hipótese de defesa para Peter Schmeichel.