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A alegada agressão de João Pinto ao árbitro Angel Sanchez, coloca-o em risco de incorrer, no extremo, a uma suspensão de irradiação do futebol. Mesmo num castigo menos duro, este abarcará sempre as competições nacionais e internacionais, o que colocaria em perigo a sua participação, pelo Sporting, na Liga dos Campeões, I Liga e Taça. A FPF já apresentou a defesa do jogador.
João Pinto arrisca um castigo que pode ir de alguns meses de suspensão até à irradiação do futebol, dependendo da interpretação que o Comité Disciplinar da FIFA tiver amanhã – quando se reunir –, sobre a matéria. Para já, a FPF apresentou a defesa do jogador, alegando como atenuantes o pedido de desculpas e a carreira internacional relevante de João Pinto.
O Comité vai tomar em conta todas as circunstâncias relativas ao sucedido, com particular relevância, neste caso, se foi acção intencional ou negligente. Outra das certezas, desde já, tal como está previsto no artigo 42, secção 5 do Regulamento Disciplinar da FIFA, é que “se a vítima da agressão for um árbitro, a sanção é agravada em 50 por cento.”
Angel Sanchez, o árbitro argentino do encontro, não teve contemplações ao escrever o relatório do jogo, denunciando a agressão de João Pinto (murro no estômago) como reacção à amostragem do cartão vermelho.
Mal terminou a partida, o árbitro chamou os médicos da FIFA, que confirmaram a existência de um hematoma. O diagnóstico consta, também, do relatório, e constituirá prova de acusação. Caso o jogador seja considerado culpado, terá sempre direito a recurso.
Ontem, João Pinto não prestou declarações sobre o assunto, remetendo as mesmas para depois de ser conhecida a decisão. De nada valeram, assim, os apelos de Figo, Eusébio e outros elementos do conjunto nacional, nem as desculpas apresentadas pelo próprio jogador ao árbitro, nas cabinas, no final do encontro.
A atitude intempestiva do jogador poder-lhe-á sair caro, numa altura crucial da carreira, com 30 anos, e com a participação na Liga dos Campeões ao serviço do Sporting. Uma suspensão, a acontecer, abarcaria as competições nacionais e internacionais, o que o impediria de alinhar na I Liga e na Taça, isto segundo o capítulo 2 da secção 1, artigo 47 do supracitado regulamento, onde se especifica, ainda, que “em qualquer caso, será imposta uma multa mínima de 5000 francos suíços.”
Nos casos de Abel Xavier, Paulo Bento e Nuno Gomes (no Euro-2000), o castigo a aplicar só produzia efeitos em jogos internacionais de clubes e selecção. Mas a FIFA não é a UEFA e é esperado um duro castigo. Afinal, é um português que volta a prevaricar – e não consta no historial do futebol qualquer agressão de um jogador a um árbitro num Mundial.
Angel Sanchez ilibou Figo de referências no relatório, deixando passar em claro algumas “bocas” do número sete logo após a expulsão. Chegou mesmo a questionar Figo: “Cada vez que mostro um cartão tenho de levar uma estalada?”
Um português integrado no Comité
João Rodrigues, antigo presidente da FPF, é um dos elementos do Comité de Disciplina da FIFA, pelo que poderá ter alguma influência no atenuar de um eventual castigo a João Pinto, embora, nesta perspectiva, haja um empate, pois o argentino Alfredo Cantillo também faz parte daquele órgão.
O Comité é presidido pelo suíço Marcel Mathier, tendo como vice-presidente Ibrahim Othman, de Singapura. E são 16 membros, incluindo os dois referidos: Rafael Melo (Ven.), Joab Omino (Qué.), Mohieddine Baccar (Tun.), Jim Boyce (Irl. Nor.), Horace Burrell (Jam.), David Collins (P. Gales), Moustapha Kamara (Maur.), Lars Lagrell (Sué.), Anani Matthia (Togo), Jan Peeters (Bél.), Mehmet Spaho (Bós.), Ganesh Thapa (Nepal) Alfredo Banegas (Hon.) e mais um elemento a indicar pela Oceânia.
FIFA decide amanhã
O Comité de Disciplina da FIFA reúne-se amanhã na cidade japonesa de Tóquio para analisar diversas questões relativas ao Campeonato do Mundo, entre as quais o caso registado com João Pinto. Ontem, os árbitros e elementos ligados ao organismo que tutela o futebol mundial encontraram-se para apreciar a gravação em vídeo do encontro entre portugueses e sul-coreanos. Só amanhã haverá novidades sobre o assunto, depois do encontro de um Comité onde tem lugar o português João Rodrigues, peça-chave na defesa dos jogadores castigados pela UEFA depois do Euro-2000.