Apesar de não ser muito dado às férias e ao descanso – ou não fosse conhecido por ser viciado no trabalho – Jorge Jesus partiu, ontem, ao início da tarde, para os Estados Unidos. Acompanhado da esposa e de alguns amigos (entre os quais se inclui Pedro Cardoso, um dos rostos do afamado restaurante lisboeta Solar dos Presuntos), o agora treinador do Sporting vai aproveitar os próximos dias para – longe do ambiente efervescente que a sua mudança da Luz para Alvalade provocou – descansar, passear e até observar outros desportos que aprecia face à riqueza tática.
Mas, naturalmente, Jorge Jesus não vai estar desligado do trabalho. Muitos dos dossiers pendentes no clube leonino serão tratados, de forma mais direta, em Portugal (e não só), por Bruno de Carvalho e seus pares. Contudo, mesmo à distância, o técnico estará sempre por dentro de tudo e, claro, intervirá sempre que necessário. Dito por outras palavras, Jesus vai de férias mas continua em funções. Com ele, já se sabia, é quase sempre assim. Desta vez, tendo em conta que está a iniciar uma nova experiência na carreira e que há muitas decisões para tomar com caráter de urgência, não podia mesmo ser de outra forma.
Descontraído
Quem pensava que Jorge Jesus iria chegar ao Aeroporto da Portela com cuidados redobrados ao nível da segurança, tendo em conta algumas notícias que falavam de ameaças recebidas nas últimas horas ... só pode ter ficado surpreendido com a tranquilidade com que o treinador encarou todo o processo antes do embarque.
Sereno, igual a si próprio, Jesus subiu do parque de estacionamento para a zona dos balcões e depois de ter estado sentado alguns instantes – período aproveitado por duas jovens para registar o inesperado encontro com fotografias – fez o "check in", já acompanhado pelos companheiros de viagem, de forma muito célere. Eram 11h10 e o processo estava terminado, com mais de meia hora de avanço em relação à hora limite.
Jesus seguiu diretamente para a zona de embarque. Antes de se despedir do filho Mauro (bem mais incomodado com a presença da imprensa), voltou a ser abordado por alguns curiosos mas, ninguém o incomodou seriamente. Para além de novos pedidos de fotos para a posteridade, o técnico que conquistou 10 títulos em seis temporadas ao serviço do Benfica até escutou palavras de incentivo e teve direito a palmadinhas nas costas por parte de um funcionário do aeroporto.
Alguns minutos volvidos, a esposa Ivone – igualmente tranquila – também passou a zona de controlo alfandegário a caminho da porta 45. Quase duas horas depois, o TP203, completamente lotado, arrancou com destino a Newark/Nova Iorque.
Regresso a 15... noutra classe
• As férias de Jorge Jesus foram planeadas com antecedência. Record apurou mesmo que a viagem tinha sido marcada para a última quarta-feira. Só que, tendo em conta tudo o que se passou, houve necessidade de fazer acertos nas datas.
Por isso, a ida para os Estados Unidos decorreu em classe económica, pois já não foi possível encontrar vagas em executiva. No entanto, o regresso a Lisboa, aprazado para dia 15, será realizado de forma mais reservada e cómoda.
Viagem sem a mulher ao lado
A alteração de última hora na data da viagem fez com que Jorge Jesus e a mulher Ivone não tivessem lugar lado a lado no avião de Lisboa até Newark, cidade que a TAP utiliza para quem se desloca para Nova Iorque. Assim sendo – e a menos que durante o voo algum passageiro mais prestável possa ter contribuído para uma mudança –, a Jorge Jesus coube-lhe o lugar 33 G, enquanto Ivone ficou exatamente atrás de si no 34 G. Mas todos os elementos do grupo viajaram muito perto uns dos outros.
Muita leitura para entreter
Mesmo tendo entrado na zona de embarque sem nada nas mãos, a Jorge Jesus não faltou, com toda a certeza, leitura para ajudar a passar o tempo durante a viagem continental até aos Estados Unidos. A esposa e outros elementos do grupo fizeram questão de recolher muitos jornais e revistas.
Curiosamente, em praticamente todos eles surgiam referências ao treinador na primeira página. Mas isso, dificilmente terá sido uma surpresa para Jorge Jesus ou qualquer outro dos elementos do grupo. Por razões óbvias.