FILIPE Soares Franco assume esta semana o cargo de administrador não executivo da Sporting, Sociedade Anónima Desportiva. Confirma-se, assim, a notícia que "Record" avançou a 27 de Outubro, dia em que Carlos Horta e Costa apresentou o seu pedido de demissão da SAD.
“O processo administrativo de cooptação da SGPS para a SAD ainda não deu entrada na Comissão de Mercado de Valores Mobiliários, mas fui informado que tal sucederá nos próximos dias”, frisou Soares Franco, sublinhando a obrigatoriedade das sociedades cotadas em Bolsa informarem a CMVM das demissões e consequente substituições dos seus administradores.
Sobre o cargo que vai exercer na sociedade que gere o futebol profissional dos leões - convidado por Luís Duque e com o apoio do presidente Dias da Cunha -, Filipe Soares Franco lembrou a sua condição de administrador não executivo, o que não o obriga a “ir” todos os dias a Alvalade. “A SAD tem um presidente, Luís Duque, que passa mais de dez horas por dia no clube, e um director financeiro - o dr. Rui Meireles - que é quem tem relações institucionais com a CMVM. Não tenho um pelouro pré-determinado, mas posso avançar que deverei superintender a parte administrativa e financeira da Sociedade.”
O sucessor de Horta e Costa adiantou que ainda não participou em qualquer reunião da SAD. “Desde que aceitei o cargo ainda não recebi nenhuma convocatória. Pelo que sei deve ser agendada uma na próxima semana”, referiu, garantindo de seguida que está por dentro do que se passa na SAD. “Mesmo antes de assumir este pelouro falei muitas vezes com o dr. Horta e Costa sobre a situação da sociedade.”
Além da Sociedade Anónima Desportiva, Filipe Soares Franco também faz parte dos conselhos de administração da Empresa José Alvalade (EJA) e da SGPS, “holding” que controla o grupo Sporting. “Em nenhuma dessas empresas há expediente que me faça deslocar todos os dias a Alvalade. Os assuntos correntes são pelouros dos respectivos administradores executivos - Diogo Gaspar Ferreira, na SGPS; Adão e Silva, na EJA; e Luís Duque, na SAD.”
No fundo do «court»
Nos momentos de maior convulsão leonina, Filipe Soares Franco, 47 anos, emerge como a síntese possível entre as facções adversárias. Foi vice-presidente responsável pelo futebol depois da saída brusca de Santana Lopes no Verão de 1996.
Demitiu-se dois meses depois em ruptura com Octávio Machado, deixando que o tempo digerisse a crise sem declarações musculadas. Cumpriu um período de silêncio enquanto membro do Conselho Leonino. E regressou em Outubro do ano passado exigindo a reeleição de José Roquette, apesar de questionar a gestão do futebol sportinguista. Desde essa intervenção contundente e arriscada que pulverizou a tradição unanimista do Conselho Leonino, fixou-se no centro da arena leonina, onde é considerado um sério candidato à presidência do clube.
Esteve perto de o ser em Julho durante a última crise directiva que marcou o abandono de José Roquette e a sucessão administrativa de Dias da Cunha. O presidente da sociedade desportiva, Luís Duque, amigo de longa data, defendeu a solução com empenho. Mas Roquette escolheu a via interna.
Com a paciência de jogador de fundo de "court", Soares Franco manteve a fleuma de quem conhece bem a zona de rebentação. E agora substituiu Horta e Costa na administração financeira da SAD, além de acumular mais dois cargos na cúpula do Sporting a pedido expresso de roquettistas e duquistas.
QUEM É QUEM:
Nome: Filipe Soares Franco
Idade: 47 anos (1953, Lisboa)
Licenciatura: Gestão de Empresas
Família: Casado, três filhos (benfiquistas) e uma filha (sportinguista); Neto de Guilherme Pinto Basto, primeiro presidente da FPF e da Federação Portuguesa de Ténis.
Residência: Cascais
Desportos: Futebol e ténis
Profissão: Administrador da Pinto Basto SGPS; presidente do Conselho de Administração da OPCA e da Saibrás
Ocupações: Membro do Conselho Leonino; presidente da AG da Associação de Futebol de Lisboa; presidente da Assembleia Municipal do Estoril (independente na lista do PP); presidente da AG dos Bombeiros do Estoril; presidente da AG do Clube de Ténis do Estoril; e presidente do Conselho de Administração da Fundação de Cascais.