É SINTOMÁTICO que a estreita relação de Mário Jardel com o golo no campeonato luso tenha começado ao lado de Domingos, depois de o Benfica recusar investir na sua contratação. O primeiro jogo nem correu bem à equipa (empate 2-2 com o V. Setúbal nas Antas, após dupla desvantagem), mas os avançados partilharam a construção da recuperação e Domingos até falhou um “penalty”. Isto sucedeu na 1ª jornada de 96/97. Na época anterior, com 25 golos, Domingos fora o melhor marcador dos dragões, mas a chegada de Jardel precipitaria a saída do ponta-de-lança português, cujo regresso após passagem pelo Tenerife só serviu para assinalar a sua despedida (último jogo a 29 de Abril de 2001, somando 12 épocas, 262 encontros e 105 golos), então já sem o brasileiro.
Jardel depressa conquistou os adeptos, não só pela sensacional quantidade de golos, mas também através da beleza que caracterizava muitos desses lances. O avassalador currículo estendeu-se às competições europeias, com golos aos mais cotados opositores. Em quatro épocas no Porto ganhou três troféus de marcador europeu: o melhor em 96/97, segundo em 98/99, terceiro em 99/00.
Vasco da Gama, Grémio de Porto Alegre, FC Porto. Seguiu-se a Turquia, pelo Galatasaray, ainda e sempre com muitos golos. Mas faltava estabilidade emocional à família, os salários atrasavam-se e Jardel ponderou o retorno. De bandeira eleitoral no Benfica ao regresso como sportinguista, após curta passagem por Alvalade para se tratar com o “velho” amigo Rodolfo Moura, foi um curto passo. Como leão, Jardel permanece o marcador a que Portugal se habituou, monarca dos golos (espantosa relação de 12 jogos/18 tentos na I Liga), príncipe dos “penalties”. Só falta a consagração pela selecção.
SEMPRE A MARCAR
Já muitas vezes se falou sobre o vastíssimo currículo de Jardel como goleador. Também neste caso, o percurso em Portugal é suficientemente eloquente para se perceber a qualidade do internacional brasileiro que, nas quatro temporadas pelo FC Porto, coleccionou outros tantos títulos de melhor marcador, contribuindo de forma decisiva para os sucessos portistas. Eis a relação de tentos apontados por Mário Jardel, incluindo já os que marcou pelo Sporting:
“PENALTIES” NO CAMPEONATO
Em quatro épocas com a camisola portista, Mário Jardel teve quinze oportunidades para fazer golo da marca de grande penalidade na principal competição portuguesa: converteu 11 e falhou quatro. Mas só na última época o jogador se transformou no marcador “oficial” de “penalties”, pois antes repartiu a tarefa com Domingos, Edmilson, Sérgio Conceição, Paulinho Santos, Drulovic e Zahovic. No Sporting, até agora o brasileiro está cem por cento vitorioso neste aspecto na I Liga, porque tentou sete vezes e marcou sempre.
96/97 (FC Porto)
Falha um nas Antas frente ao Desp. Chaves (2-0)
Falha um nas Antas frente ao Farense (2-0)
97/98 (FC Porto)
Marca nas Antas ao Farense (5-2)
Permite a defesa do guarda-redes nas Antas ante o Marítimo (2-1)
Marca nas Antas ao Salgueiros (7-2)
98/99 (FC Porto)
Marca dois ao Alverca nas Antas (3-1)
Falha na Maia ante o Salgueiros (3-1)
99/00 (FC Porto)
Converte um em Braga (1-0)
Converte um nas Antas ante U. Leiria (4-2)
Converte um em Vidal Pinheiro ao Salgueiros (4-0)
Converte um em Setúbal (4-1)
Converte um nas Antas ante o Gil Vicente (2-0)
Converte um nas Antas ante o V. Setúbal (4-1)
Converte um em Faro frente ao Farense (3-3)
01/02 (Sporting)
Converte um em Leiria (1-1)
Converte um em Alvalade ante o Gil Vicente (3-1)
Converte um em Faro (3-1)
Converte um em Vidal Pinheiro com o Salgueiros (5-1)
Converte um em Alvalade com o Boavista (2-0)
Converte um em na Madeira ante o Marítimo (2-0)
Converte um em Luz frente ao Benfica (2-2)
Total: 22 “penalties” tentados, 18 marcados, 4 falhados