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FOI uma das grandes figuras do título sportinguista 2001/02. Dois anos depois de lhe terem apontado a porta da rua no Benfica, João Vieira Pinto respondeu com indiscutível protagonismo na vitória leonina na I Liga, conseguida muito à custa do seu talento superior, tornando-se mesmo um dos mais queridos jogadores verde e brancos da actualidade. No momento de festejar a sua segunda vitória na mais importante prova do calendário nacional, o balanço de mais de treze anos ao mais alto nível no futebol é suficientemente esclarecedor: 525 jogos em competições oficiais, com 145 golos marcados. Números impressionantes, para o próprio jogador:
– Não fazia a menor ideia de que o balanço global da minha carreira, até ao momento, apresentasse um saldo tão significativo. Estava consciente de que ao longo destes anos fizera muitos jogos e marcara alguns golos, mas não ao ponto de atingir essa expressão eloquente. É bom sinal: prova que sou um jogador de presença regular nas equipas que represento, merecendo ao longo de mais de uma década a confiança dos mais diversos treinadores.
Sendo verdade que não tem sentido dificuldades para debelar as pequenas lesões, é o próprio João Pinto quem recorda dois momentos marcantes:
– Agora que tenho conhecimento desses números, recordo as duas lesões mais importantes da carreira, que me afastaram dos relvados durante largos meses e que acabam por condicionar essas contas de que falamos: em 1992, quando contraí um pneumotórax na deslocação a Glasgow pela selecção nacional e, em 1995, quando fiz a rotura de ligamentos do joelho esquerdo. De qualquer modo, aos 30 anos, sinto que tenho sido bafejado pela sorte, porque tenho ultrapassado os pequenos problemas físicos, de forma a estar sempre em condições de ajudar a equipa.
Feliz pela vitória no campeonato, João Pinto sente dificuldade em encontrar palavras para descrever o estado de espírito e as sensações vividas a partir do momento em que teve conhecimento da vitória na I Liga:
– Estava muito confiante de que a vitória não nos iria fugir. Mas era apenas uma convicção forte, não uma certeza, razão pela qual explodi de alegria, tal como todos os sportinguistas, quando percebi que nada poderia mudar o rumo do campeonato. Como estou neste momento? Como devem calcular: cansado mas extremamente feliz. É uma sensação fantástica, que já conhecia de 1993/94, mas que nunca mais repeti até à festa de ontem (anteontem).
Recuperada a alegria de jogar e o estatuto de figura maior do futebol português, reconquistando mesmo o terreno perdido para as maiores figuras da sua geração, João Pinto não deixa de manifestar o seu reconhecimento ao actual clube e aos seus adeptos:
– O Sporting faz-me feliz. Fui recebido de braços abertos neste clube, numa manifestação de confiança e esperança nas minhas potencialidades como futebolista que jamais esquecerei. Por isso trata-se de um clube merecedor de toda a minha gratidão e apreço, uma instituição que me tratou bem e me devolveu a alegria de jogar futebol. E nada disso tem a ver directamente com a conquista do campeonato. Por amor à verdade e ao que sinto, estas considerações teriam sempre razão de ser, em função destes dois anos em Alvalade, durante os quais fui alvo das mais diversas manifestações de carinho por parte das pessoas.
Em relação às contas finais da época em curso, que muitos consideram ser a melhor de sempre da sua vida desportiva, João Pinto confirma a ideia exterior:
– Não há muito tempo tinha dito que essas eram contas para fazer no fim da temporada. Mas agora que o título está conquistado não tenho dúvidas: foi a minha melhor época de sempre. Comparando com a de 1993/94, acho que não tive momentos tão marcantes mas fui mais regular. Há oito anos ficou, acima de tudo, a memória de um ou dois jogos extraordinários; desta vez serei recordado como tendo feito um grande campeonato de princípio ao fim.
Duas épocas o mesmo final
Campeão pela primeira vez em 1993/94, João Pinto chega perto dos 31 anos só com dois Campeonatos ganhos. Marcando menos golos, João Pinto é agora determinante a "descobrir" os companheiros. Realce ainda para a variação nos cartões, enquanto as diferenças nos jogos são falseadas (regista só 17 jogos completos, mas foi várias vezes rendido perto do final para receber os aplausos do público).
Parceria com Jardel marcou a temporada
O primeiro golo leonino no Campeonato, obtido por Marius Niculae frente ao FC Porto num golpe de cabeça após cruzamento de João Pinto, deu o tom para o que iria seguir-se, embora a dupla se alterasse.
A chegada de Mário Jardel alterou os pressupostos da equipa, inicialmente preparada para actuar em 4x2x3x1. Com o brasileiro, o ataque passou a funcionar num temível tridente, só foi desfeito com a grave lesão sofrida pelo jovem internacional romeno à 16ª jornada, frente ao V. Setúbal.
A parceria entre João Pinto e Jardel ganhou contornos ainda mais acentuados, materializando-se em inúmeros passes excepcionais e lances de soberba qualidade. Depois de Drulovic, Sérgio Conceição e Zahovic, Jardel ganhava outro amigo para os golos.