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"Não se faz aquela pergunta ao treinador do FC Porto". Não houve cumprimento entre Jorge Jesus e Julen Lopetegui logo após o apito final do clássico mas ainda que a promessa feita antes do jogo não tivesse sido cumprida, pelo menos pela parte do treinador do Sporting tudo pareceu sanado. O amadorense saiu em defesa do adversário espanhol, depois deste último ter sido instado a responder se sentia o "lugar em risco" depois da derrota diante dos leões que atirou o FC Porto para o segundo posto da classificação. José Pereira, presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, considera que é "normal" que haja um "colega de profissão" se queira manifestar-se sobre o que ouviu.
"Como em tudo na vida, há sempre alguma ponta de exagero nas relações entre comunicação social e agentes desportivos. Segundo o regulamento da Liga, aquilo que comporta nessa entrevista rápida, é um comentário ao jogo. Sai fora do contexto aquilo que não é feito especificamente ao jogo. É natural que um colega de profissão, que presumivelmente tenha ouvido [a entrevista rápida], queira manifestar-se como todos nós, como todas as pessoas de bom senso, assim o queiram fazer. Naturalmente que a comunicação social deve ter a consciência de que aquela entrevista se destina ao jogo e não a considerações profissionais sobre a carreira ou o desenvolvimento da atividade no clube. Há sítios próprios para essas situações que não necessariamente o final de um jogo onde um treinador está a ‘quente’ ainda. São de difícil controle – ele [Lopetegui] até se controlou – e isso devia merecer algum cuidado por parte de quem coloca essas questões", conferiu em declarações recolhidas por Record esta segunda-feira. Sem querer especificar se Jorge Jesus agiu corretamente ao apontar noutra direção - que Inácio especificou como sendo a de Rui Vitória -, o dirigente nega que exista qualquer pressão acrescida sobre um treinador estrangeiro por parte dos media e apela ao "bom senso" de todos.
"Nós somos um país acolhedor. Temos recebido sempre bem quem trabalha no nosso país. Há alguma insatisfação que se tem notado em diversos pontos da nossa sociedade, em alguns adeptos inclusive do próprio clube, mas isso não implica necessariamente o devido desrespeito por aqueles que se encontram ligados ao fenómeno. Estou, nomeadamente, a referir-me aos jornalistas desportivos. Conhecem as situações do futebol, sabem que às vezes uma pequenina acha para a fogueira se transforma logo de uma forma incontrolável. Tem de haver respeito pela profissão de cada um. Exige-se respeito dos treinadores para com os elementos da comunicação social da mesma forma que se deve exigir respeito dos elementos da comunicação social para com os treinadores de futebol e restantes agentes desportivos", sintetizou.
Mais esclarecimento na televisãoJosé Pereira mostrou-se ainda crítico relativamente aquilo que se tem assistido nos últimos tempos nos espaços de comentário relacionados com o futebol na televisão portuguesa. Para o presidente na ANTF, a "experiência" dos agentes conhecedores do desporto-rei deveria ser canalizada para elucidar os telespetadores.
"A comunicação social é que parece que foi afetada por essas declarações, se existe ou não tal situação. Aquilo que me apraz registar é que gostaria que nesse fóruns, onde estão treinadores ou ex-treinadores, pudéssemos falar mais de futebol e pudessem, com a sua experiência, ensinar mais aos telespetadores aquilo que normalmente se apercebem ou que, porventura, não capazes de identificar. Esse seria objetivo: ajudar as pessoas que não são do ‘métier’ a conseguirem ter conhecimento e ler melhor o jogo de acordo com as explicações que poderiam ter sido dadas pelos próprios treinadores. Ultimamente, não se tem notado muito isso porque há, digamos, uma discussão acesa em torno da arbitragem. O objetivo não seria esse porque para isso existem outras pessoas para discutir esses pormenores e gostaria muito mais que fosse evidenciada a competência das pessoas através duma explicação clara para com aqueles que entendem o jogo."
Por Flávio Miguel Silva