– Acusada de ter levado o dinheiro todo – um milhão e muitos mil contos – de Mário Jardel, de não ter permitido que os filhos se encontrassem com o pai, de estar num apartamento em S. Paulo que não lhe pertence...
– Pois não, não é meu. Estou num apartamento mas pago o aluguer. No resto do que diz que me acusam, só posso dizer que é tudo mentira. Jamais envolvi os meus filhos nesta situação e o Jardel pode ver os filhos à hora e quando quiser, pode telefonar para eles quando desejar. O sofrimento que o meu filho tem tido é enorme e fui eu quem, muitas vezes, quando ele estava em Fortaleza, liguei para ele lhe falar. Isso é uma mentira das muitas que têm vindo a lume. Mas que posso fazer para as impedir ?
– Quer dizer que tem sido uma vítima da Comunicação Social?
– Tenho. As pessoas não procuram saber a verdade, escrevem o que querem, simplesmente para vender jornais e revistas, sem se importarem em saber que estou a passar por uma fase difícil, tal como o Jardel, sem terem sentimentos que, no mínimo, as levem a procurar falar com as pessoas e saber alguma coisa. Ambos temos sido vítimas de um jornalismo maldoso, com coisas muito graves. Quem pega num jornal e não conhece a situação, acredita no que lê. O importante é aumentar as tiragens nem que seja à custa de inventar coisas. É evidente que terão de provar quando é que fui ao banco tirar esse dinheiro e provar que temos esse dinheiro. Nem metade disso temos. Mas não tirei um real. Sou uma pessoa muito honesta, sou Evangélica, tenho temor a Deus e jamais faria uma coisa errada. Nem quero um centavo a mais do que aquilo a que tenho direito. O Jardel conhece-me e sabe que eu não seria capaz de tomar uma atitude dessas. O apartamento onde vivo é alugado. Verdade que temos um nesta cidade, mas está alugado e não o poderia ocupar. Choca-me este ambiente, choca-me a hipocrisia das pessoas. Deveriam ser sérias e sentir que tenho sentimentos, que estou a sofrer com tudo isto e mais ainda por saber que, em Portugal, se está a dar uma imagem de mim claramente mentirosa, falsa. Fazem comércio com o drama dos outros.
– Ainda gosta de Jardel?
– Olha, se disser que o amo, estou a mentir; se disser que não o amo, também estou a mentir. Neste momento tenho muita mágoa dentro de mim. Sinceramente, não sei qual é o meu sentimento por ele. No entanto, acredito que o amor não acaba do dia para a noite e quando a mágoa passar é que irei ver se ainda o amo ou não. Hoje não posso dizer que sim nem que não. Antes disto acontecer, o sentimento era de amor, mas hoje há uma mágoa muito grande por tudo o que se passou e que só eu e ele sabemos. Esse direito é nosso.
– Jogo, dinheiro e mulheres, o triângulo que originou a discórdia?
– O que aconteceu é muito nosso, meu e do Jardel. A nossa vida particular foi exposta de mais. Não tenho de falar sobre isso. Mas estou magoada, isso estou, com a Imprensa portuguesa, por um lado e, também, com o Jardel, porque sabendo tudo, ainda não levantou um dedo contra quem me tem caluniado, quem tem inventado as coisas mais horríveis sobre a minha conduta. Quem pode dizer que escondi os filhos? Quem pode dizer que gastei dinheiro, que tirei valores? Onde está a moral destas pessoas? Não aceito isto. Nunca aceitarei. E por tudo isto o meu filho já anda num psicólogo, tal o estado emocional em que chegou. É claro que toda esta gente vai responder por estes actos. Tenho um advogado, em Lisboa, a recolher todos estes elementos e na altura própria os autores dos ditos e escritos terão de provar tudo.
– O princípio desta "estória" teve a ver com a venda do passe do George, ao Benfica?
– Nada, em absoluto. Não teve nada a ver com dinheiro. O dinheiro para mim – não vou dizer que não gosto, adoro-o, mas não é tudo na felicidade de uma pessoa – não colide com o meu pensamento de felicidade. Quando o Jardel conversou com o Benfica ligou-me, conversámos e tudo bem. Não teve nada a ver. O Jardel resolve a vida profissional do George como quiser e tudo bem. Ia jogar a minha família fora por causa do Benfica? Por causa de dinheiro? Por amor de Deus. Quando casei com o Jardel abri mão da minha profissão e estava no auge da carreira. Sem pensar em dinheiro. Hoje, também não haveria profissão alguma que me fizesse largar a família.
– Então, onde estão as causas?
– Só posso dizer que estão entre mim e o Jardel e não tem nada a ver com o Benfica, com dinheiro, com jogo. As vezes que o Jardel foi ao casino, foi comigo. As pessoas não sabem e estão a tentar descobrir com invenções. Sei que o Jardel é uma figura pública e tudo o que se passa com ele interessa, é notícia. Mas então comecem pelo sítio certo, peçam entrevistas para saber a verdade. Depois, respeitem o que se disser, aceitem a barreira entre o público e o absolutamente privado. E por aí se fiquem, sem continuar na especulação que mexe com a nossa honra, com a nossa postura.
– A vida nocturna de Jardel poderá ser a tal razão que não diz...
– Não sei, isso é da vida particular dele. Terá de lhe perguntar a ele. Não irei falar nada do que aconteceu e as pessoas que sabem, sabem, e as que não sabem, não ficarão a saber pela minha boca. Tenho de preservar a minha vida, a minha família, os meus filhos e o Jardel tem uma carreira muito bonita em Portugal e as pessoas têm é de esperar que ele mantenha a mesma forma, independentemente de ser casado, solteiro ou divorciado.
– Estranho, no mínimo, Jardel nunca ter dito uma palavra em sua defesa...
– Julgo que o Jardel é homem suficiente para tomar uma atitude dessas. Se alguém lhe perguntar se eu lhe roubei dinheiro ou se lhe escondi os filhos, não tenho dúvidas que dirá a verdade. Sei que é um homem de carácter e fá-lo-á, seguramente. Mas não nego que face a tudo o que se tem dito e escrito, às primeiras páginas que me visaram, já deveria ter tomado essa iniciativa. Em sete anos de vida em comum sempre teve carácter e defendeu a verdade. Foram sete anos de uma dedicação a ele, aos filhos, à sua carreira. Lutei sempre para que tudo desse certo e não foram poucas as vezes que segurei a barra, principalmente quando o seu estado de ânimo não era o melhor. Fui para o Porto, para a Turquia, para Lisboa, sempre com um sorriso largo porque sabia que era essa a sua felicidade. Agora estou a passar por uma situação para a qual em nada contribuí, que ainda não compreendo, embora tenha a certeza que amanhã o Senhor me fará entender o porquê de tudo isto. Há muita gente a rezar por mim no Centro Cristão Vida Abundante e nos Atletas de Cristo. O que me interessa, agora, é que estou a andar como se nada tivesse acontecido. É uma força imensa que estou a receber. Em sete anos de casada ninguém tem nada para falar de mim. Nada.
– Em todos esses anos a construção de um património que também é, agora, pomo de discórdia...
– Não há discórdia nenhuma. Estamos casados em comunhão de adquiridos e numa situação de separação tudo é fácil de resolver. Já disse que não quero nem mais um real do que aquilo a que tenho direito. Por isso, discórdia porquê?
– Reconciliação não será possível?
– No íntimo das pessoas não podemos mandar. O que pensa Jardel só ele sabe. Não fui eu quem quis o divórcio, não fui eu que dei origem a nada disto. Já fiz de mais, já pedi de mais. Deus sabe o que é melhor para mim e para ele. Portanto, entrego-me nas mãos Dele. Não vou dizer que é impossível como não direi que será provável.
«Levei os filhos a Fortaleza porque queriam ver o pai»
Durante o tempo que Jardel permaneceu em Fortaleza, os filhos estavam em S. Paulo. Longe. Mas na antevéspera da partida dele para Lisboa, Karen voou para o Nordeste. Isto porque "as crianças pediam muito para ir ver o pai que estava em Fortaleza e não veio a S. Paulo".
"Levei-os lá e estiveram um pouco com ele. Julgo que foi bom para o Jardel e muito bom para as crianças. É que agora só poderão ver o pai quando estiverem de férias no colégio – fui matriculá-las ontem – ou em Dezembro, quando o Jardel vier. Esta separação até nisso é diferente, mais dolorosa, porque os filhos não poderão ver o pai quando o desejarem. Mas vamos superar tudo isso."
E a carreira de Jardel? Uma interrogação que persiste, teimosamente, face aos acontecimentos. Karen, no entanto, não tem dúvidas que "ele vai fazer a separação das coisas. Dois dias depois da morte de seu pai, jogou como se nada tivesse acontecido. Tem uma cabeça muito boa para separar os problemas. Por isso, vai continuar a ser o artilheiro que era, vai marcar golos como até aqui. O importante é que o deixem trabalhar, parem de 'encher o saco' com tudo isto. Vocês é que podem ajudá-lo respeitando a sua intimidade, a sua vida privada. Uma separação não é a primeira no mundo nem há-de ser a última". Sobre os bens também se ouve que muita coisa está em nome de Karen, só que "as pessoas não são nada inteligentes e quando dizem que os apartamentos estão em meu nome, fazem-no de má-fé. Tanto faz estar no meu nome ou no nome dele. São nossos em ambos os casos".
«Sporting não merecia esta decisão de Jardel»
A entrevista estava pronta quando a notícia caiu à nossa frente: "Jardel vai sair do Sporting." Depois de Karen elogiar os dirigentes leoninos e todo o apoio dado a Mário Jardel. Que reacção?
"Não sei o que dizer. Nunca acreditei que isso pudesse acontecer, fundamentalmente depois de tudo o que o Sporting fez pelo Jardel na época passada e no início desta, compreendendo o seu problema e autorizando a sua vinda para o Brasil. O Sporting não merecia. Não sei o que está passando na cabeça dele, hoje. Ele é quem decide da sua vida, não posso mais opinar, não posso mais dar conselhos. Não tenho mais nada com isso, embora, naturalmente, não possa esconder a mágoa que sinto por ver o Jardel nesta situação. Porém, neste momento, só posso decidir da minha vida e da dos meus filhos. Ele, certamente, mais tarde, tirará conclusões sobre o seu acto."