Em causa estão posições públicas do antigo técnico, que alegadamente "contrariam a política estratégica de comunicação" da SAD, sobre vários episódios que marcaram a época, desde os inquéritos disciplinares a Rojo e Slimani, passando pela derrota em Guimarães ou a contratação de Ewerton
1 - Rojo e Slimani: «Nada a ver comigo»
A reação de Marco Silva aos processos disciplinares instaurados a Rojo e Slimani, em agosto, motivou desagrado. "Não teve nada a ver comigo" é uma das afirmações atribuídas ao antigo técnico que é referida na nota de culpa. "São decisões do clube. Dois dias antes de acontecer estava aqui a elogiar os jogadores, portanto não vou fugir e dizer que são decisões minhas."
2 - Facebook: «Ninguém deve falar»
Na sequência da mensagem de Bruno de Carvalho no Facebook sobre a derrota (0-3) em Guimarães, Marco recebeu instruções da direção de comunicação para, ao falar do tema, demonstrar compreensão. Ao invés, após o jogo com o Schalke, disse: "É balneário, quatro paredes, não falo, nem ninguém deve falar." Um discurso "desalinhado" e de "desafio", entende a SAD.
3 - Reforços:«Presidente sabe desde agosto»
"O presidente sabe o que pretendemos desde agosto", declarou Marco Silva, a 20 de novembro. A nota de culpa lembra que, dias antes, BdC dissera: "Temos o plantel que queremos. A SAD não está à procura de reforços." Os leões referem na nota de culpa que o treinador não utilizou "muitos dos reforços disponibilizados, não se coibindo de pedir novos jogadores publicamente".
4 - Fato oficial: prejuízo para o patrocinador
Frente ao Vizela, a 17 de dezembro, Marco Silva optou por utilizar fato de treino em vez do fato oficial, denominado "traje de saída completo." O Sporting dedica pouco espaço a este tema na nota de culpa (quatro pontos em 84, e uma alínea) mas refere "o prejuízo de visibilidade para o patrocinador" e a "violação contratual" em que incorreu. Marco terá revelado "desobediência".
5 - Críticas ou elogios: «Prefiro cara a cara»
Uma intervenção de Bruno de Carvalho a 19 de dezembro leva Marco Silva a falar de "novela alimentada pelo que o presidente disse". Depois do jogo com o Nacional, o ex-técnico volta ao tema: "Prefiro criticar ou elogiar cara a cara." A nota de culpa anota ainda uma frase de Marco após o encontro da Taça da Liga em Guimarães: "O apoio do presidente? Isso não é o mais importante."
6 - Ewerton e Maurício: não foi solidário
A tensão prolonga-se para o mercado. Sobre Ewerton, a SAD acusa Marco de ter "dado aval e quando se deparou com a sua condição física demarcou-se publicamente". Sobre Maurício, é referido o lamento sobre a saída de um jogador "que vinha sendo titular". Em ambos os casos, o Sporting entende que, em vez de ser solidário, o técnico assumiu atitude de "rutura e confronto".
7 - Blackout: indiferença com a estratégia
Bruno de Carvalho decretou blackout e justificou a medida pela necessidade de proteger o grupo. "Não vi nem boa nem má influência no nosso comportamento diário", relativizou Marco, após o fim do silêncio (e depois de o presidente ter dito que o técnico nunca havia sido despedido). A SAD lamenta a indiferença perante "uma decisão estratégica e importante".