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Depois do adeus em campo, Neto reforçou a despedida, muito emocionada, do clube que foi a sua casa nos últimos 5 anos. Sem revelar o próximo passo, o central, de 36 anos, vincou que a sua ligação ao plantel encerra aqui, porém "existirá um bocadinho de Neto na história do Sporting", sinal de que o ponto final não será definitivo. "A semana foi tensa, o choque é grande quando percebemos que as coisas acabam. É um ciclo que se fecha mas acredito que a história não termina aqui", disse, em entrevista à Sporting TV.
"Vesti a camisola do Sporting como se fosse a minha segunda pele desde o primeiro dia desde que cá cheguei. Sempre imaginei que seria diferente ganhar aqui dos que nos outros dois clubes também acostumados a ganhar, que rivalizam com o Sporting em títulos. O Sporting é um clube diferente, especial. Um clube que gosta de obedecer a certos valores, um clube que gosta de ganhar bem, justo e em campo, que gosta de ganhar sem qualquer tipo de subterfúgios. Vou ter muitas saudades. A semente ficou cá. É como diz a música: ‘Juro ser fiel ao Sporting e o sangue verde e branco corre-me nas veias’", atirou, ladeado pelo troféu de campeão, que inaugurou um novo espaço no Museu do clube. Será, garante, o primeiro... de muitos: "Num futuro próximo estarão muitas mais taças aqui. Temos tudo para continuar a ganhar, com as pessoas certas no sítio certo".
Passando em revista as últimas cinco épocas, com igual número de conquistas, Neto assume que este foi o ano em que viveu "mais intensamente". "Dissemos entre nós que não podíamos falhar. Percebemos que se não ganhássemos, algo podia terminar. Tínhamos prazer em jogar uns com os outros. Foi a chave. Se há algo que me apazigua a alma é que passados 5 anos acredito que o clube está num caminho de crescimento. Forte, robusto, com muitas ideias para evoluir cada vez mais e uma série de recursos humanos muito capazes, quer na liderança, quer na estrutura. Jogadores com muito potencial, um grande treinador. E uns adeptos fantásticos que nestes 5 anos provaram que são o melhor que tem o clube", afirma.
E mesmo jogando pouco (15 jogos), o defesa sabia que tinha papel fulcral no balneário: "Em janeiro foi o momento mais difícil da época que tive a nível emocional, de aceitar a minha posição. Nunca me iria perdoar se chegasse ao final, o Sporting não fosse campeão e eu sentisse que não dei tudo. E sabia que isso ia comigo para o resto da vida", frisou, por entre lágrimas, reforçando: "Muitas vezes temos de acalmar os demónios aqui dentro, dizer 'relaxa, isto agora é entre mim e a minha cabeça'. Exigiu muito de mim. Aceitei a minha posição e percebia que havia valor nela".
E tudo Amorim mudou
Após um ano em cheio, Neto aplaudiu o grupo – "todos deram grande resposta" – e também Amorim pela "exigência" que trouxe para Alvalade. "Antes havia uma série de clichés, de que o Sporting não passava do Natal e que nas horas certas falhava. Ele passou o que os adeptos queriam, o ‘vamos ganhar em qualquer campo’, o ‘vamos ser uma equipa chata’, o 'vamos ser uma verdadeira equipa de leões esfomeados em campo'. Isso personifica-se nestas taças. Muita da mentalidade dele respira-se hoje na Academia", rematou.
Por Ricardo Granada