_

O cantinho do Morais

FEZ 35 anos, no passado sábado, que o Sporting venceu a Taça das Taças, num histórico jogo em Antuérpia, na Bélgica, frente ao MTK de Budapeste, na Hungria. Trinta e cinco anos e poucos dias depois, aquela que foi a segunda competição mais importante nas taças da UEFA para clubes chega quarta-feira ao fim da sua existência, com a disputa da final, em Birmingham, entre a Lazio, de Itália, e o Maiorca, de Espanha. Entre todas as possíveis reminiscências de uma prova que teve o seu lugar durante tantos anos, a mais importante para as portugueses é certamente essa vitória do Sporting, em 15 de Maio de 1964.

Para o futebol português, foi a terceira taça europeia, depois das duas Taças dos Campeões que o Benfica havia conquistado em 61 e 62, e para o Sporting a conquista internacional mais importante da sua história, até hoje a única taça europeia do clube. Depois desta final, Portugal só voltou a saborear uma conquista semelhante 23 anos depois, quando o FC Porto venceu a Taça dos Campeões Europeus.

PUB

Ganhar três Taças dos Campeões é um bom pecúlio para um país como Portugal, mas as participações nas outras duas competições da UEFA, Taça das Taças e Taça UEFA, raramente atingiram momentos brilhantes. Em 1984, o FC Porto também chegou à final, mas perdeu com a Juventus nesse jogo decisivo. O Benfica, que atingiu o último jogo por várias vezes na Taça dos Campeões e uma vez na Taça UEFA, nunca o conseguiu na Taça das Taças.

A competição termina, assim, com um registo absolutamente leonino no que respeita ao futebol português. E, acima de todos os outros, com um nome a marcar esse feito: Morais, o autor do golo vitorioso na finalíssima com o MTK. Obtido na marcação de um pontapé de canto directo, o golo ficou conhecido como "o cantinho do Morais" e tem uma história curiosa, própria de momentos como este, dignos de ficar no álbum das recordações. De facto, Morais nem sequer estava convocado para a final, que se disputou no Estádio do Heysel, em Bruxelas. Mas, antes desse jogo, o Sporting defrontou, em Alvalade, o V. Setúbal, e Hilário, um dos melhores da equipa, foi alvo do infortúnio: num choque com José Maria, sofreu dupla fractura da tíbia e do perónio. Acto contínuo, Morais foi chamado para ocupar o lugar de Hilário e viajou para a Bélgica com a equipa.

Morais, que no jogo de Bruxelas foi defesa, passou para extremo na finalíssima de Antuérpia. Antes desse jogo, pediu ao treinador que o deixasse marcar o pontapé de canto logo acontecesse um. Anselmo Fernandez, o treinador, acedeu algo contrariado, mas a verdade é que Morais marcou e... foi golo! Com aquele remate feliz, o jogador leonino entrou para a história e tornou igualmente lendários os outros grandes jogadores dessa equipa, onde despontavam o já referido Hilário, o guarda-redes Carvalho e o avançado Osvaldo Silva, o melhor marcador do Sporting neste percurso para a vitória na Taça das Taças. Anselmo Fernandez, o treinador, era o arquitecto que projectara o Estádio de Alvalade, sem pedir um tostão ao clube.

PUB

Curiosamente, a "sua" Taça das Taças chega ao final da existência numa altura em que o próprio Estádio de Alvalade está condenado e se projecta a sua substituição pelo Alvalade XXI. Coincidências em que a história é pródiga...

JOAQUIM SEMEANO

Deixe o seu comentário
PUB
PUB
PUB
PUB
Ultimas de Sporting Notícias
Notícias Mais Vistas
PUB