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A passada é certa, o ritmo imposto não revela oscilações, mãos e braços estendem-se até à cintura num exercício de simbiose perfeita. Para os inúmeros automóveis que circulam na estrada entre Villalonga e La Toja, aquele indivíduo equipado com camisola e calção verde, levando cronómetro numa das mãos, pode ser apenas mais um atleta. Contudo, basta um olhar mais próximo para que um português atento ao fenómeno desportivo que por ali circule seja capaz de identificá-lo: é Laszlo Bölöni, técnico do Sporting.
Com o rosto carregado de vermelho e as veias do pescoço dilatadas em função do esforço, o romeno leva por vezes o braço à testa para limpar o suor. Além destes sinais exteriores de cansaço, Bölöni aparenta indiferença face à curiosidade atenta de máquinas fotográficas e câmaras de televisão. No íntimo, porém, há uma centelha de vaidade a alimentar-lhe o ego: apesar da passagem dos anos (já soma 49), permanece em excelente condição atlética e aproveita a ocasião para o demonstrar.
Por momentos, há quem recorde não apenas o excelente futebolista que coleccionou internacionalizações pela Roménia e ajudou a subjugar o poderoso Barcelona na final da Taça dos Campeões Europeus ganha pelo Steaua Bucareste em Sevilha, ainda que através de grandes penalidades, no já longínquo ano de 1986, mas também o atleta confiante no estoicismo para ultrapassar os obstáculos mais inesperados.
Mantendo a imagem construída desde que chegou a Alvalade, ou seja, a de perfeccionista, meticuloso, exigente até aos limites do tolerável, Bölöni aproveita o regresso do treino para testar a sua condição física. Avisa os responsáveis e escolhe a corrida em vez do autocarro do clube para cumprir os 11 quilómetros a separar os dois destinos. Pouco antes da unidade hoteleira leonina, cruza a ponte sobre a ria Arousa sem ver os vultos curvados nas águas que se dedicam à tradicional procura de bivalves.
Só à entrada do hotel pára o duelo com o tempo e consulta o cronómetro para conhecer o veredicto: 48 minutos. As mãos descem da cintura para as pernas, o romeno baixa-se ligeiramente, respira ofegante, tenta recuperar do cansaço. As rugas de esforço no semblante transformam-se num sorriso fatigado. Dá sinais de satisfação, apesar da turbulência que a situação de Mário Jardel trouxe ao plantel. Despede-se com saudação jovial. Por estes dias, os caminhos de Laszlo Bölöni fazem-se assim. Tempos difíceis se avizinham.
Reviver Maio quando correu na 25 de Abril
Chegado no Verão passado a Portugal, o romeno Laszlo Bölöni depressa revelou grande interesse pela vertente física do treino, ao mesmo tempo que procurava manter a sua própria forma. Neste sentido, ninguém estranhou que aceitasse participar na Meia-Maratona de Lisboa e, a 20 de Maio, lá estava o técnico entre os inúmeros participantes, cruzando a ponte 25 de Abril a correr pelo "Clube do Stress" numa das provas deste género com o percurso mais belo.
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