Trinta e sete anos volvidos, Osvaldo Silva ainda se recorda como se tivesse sido na véspera. A 18 de Março de 1964, em Alvalade, o Sporting tinha pela frente uma tarefa hérculea: recuperar de uma desvantagem de três golos diante o poderoso Manchester United de Denis Law, Bobby Charlton e George Best.
Uma noite mágica da equipa leonina, que nesse ano acabaria por conquistar a Taça dos Vencedores das Taças, produziu o “milagre”. Osvaldo Silva, cuja alcunha era o “Fu Manchu”, famoso personagem da literatura policial, marcou três golos. “Os dois primeiros, na primeira parte, foram na baliza dos balneários. O terceiro, na baliza do topo norte”, recorda. “No primeiro golo, ninguém queria marcar o “penalty” até que veio a ordem do banco para eu apontar o castigo. Fintei o guarda-redes e a bola foi para o lado contrário. No 2-0, o Morais cruzou e eu antecipei-me ao guarda-redes. No 5-0, marquei um livre que fez a bola entrar em arco. Um bom golo.”
A união da equipa e a vontade de nunca se darem por vencidos estiveram, segundo Osvaldo, na base da espectacular vitória. E revela um episódio curioso antes da equipa entrar em campo. No túnel de acesso ao relvado, o avançado brasileiro virou-se para os companheiros e disse: “Quem tem medo que faça chichi...”. Coincidência ou não, os leões entraram destemidos na partida e aos 12 minutos já tinham marcado dois golos.
Osvaldo acredita que o Sporting pode hoje dar a volta à eliminatória. “Marcar cedo dá uma grande moral. Depois há que tirar proveito de Jardel. Tudo é possível na vida.”
Estádio cheio e festa rija
Nessa noite apoteótica para os leões, o Estádio de Alvalade encheu para presenciar um momento mágico. “Quando começou o jogo, o estádio não estava cheio. Sei é que aos cinco minutos, o Artur Agostinho, no relato do jogo, disse ‘um vendaval em Alvalade’ e a partir daí o recinto encheu por completo. No final, foi uma festa em Lisboa. Os festejos decorreram pela noite dentro. Um jogo que fica para a história do futebol português.”
Dedo de Anselmo Fernandez
Para a brihante reviravolta leonina muito contribuiu Anselmo Fernandez, o treinador. Osvaldo Silva recorda o “mestre”: “Era um treinador evoluído para a época. Falava connosco cinco, dez minutos e sentíamos logo uma enorme confiança em nós próprios. Na véspera do jogo levou-nos ao cinema, ao antigo Monumental, mas eu não fui, fiquei no hotel deitado, e ele não criou nenhum problema.” Abençoado descanso, pensarão os leões...
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