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Rafael Leão recorda ataque à Academia: «Sabiam tudo sobre nós, onde vivíamos, onde viviam as nossas famílias»

• Foto: Paulo Calado

Rafael Leão irá apresentar esta quarta-feira uma autobiografia intitulada "Smile" e um dos capítulos da obra acaba por ser dedicado ao ataque a Alcochete, acontecimento que sucedeu em maio de 2018 e teve como alvo os jogadores do plantel leonino, entre os quais se incluía o internacional português. No caso concreto, Leão chegou a rescindir unilateralmente e, passado alguns anos, recorda a situação que lhe deixou marcas.

"Tinha havido um primeiro protesto, muito violento, da Juventude Leonina, no aeroporto, depois do jogo com o Marítimo. Manifestaram o desapontamento deles mas ninguém estava preparado para o que aconteceria dois dias depois. Cerca de 50 pessoas, encapuzadas, entraram no nosso centro de treinos. Agrediram o treinador, Jorge Jesus, o seu adjunto e os primeiros jogadores que encontraram, com cintos e barras de ferro. O Bas Dost ficou muito mal, partiu a cabeça. Nós, jogadores, pensávamos que éramos intocáveis e ficámos em estado de choque. Nem tivemos tempo para reagir. O próprio clube não levou as ameaças a sério, porque não tomou medidas de segurança", começa por contar o extremo de 24 anos, antes de abordar de forma mais concreta a situação ocorrida na Academia de Alcochete.

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"Entre os que entraram no balneário reconheci alguns antigos colegas de escola. Quando estás muito tempo com alguém, um capuz ou uma ‘balaclava’ não os tornam irreconhecíveis. Não podia acreditar no que estava a acontecer porque tínhamos perdido um jogo. Todos os jogadores foram chamados para depor em tribunal, mas aqueles adeptos sabiam tudo sobre nós, onde vivíamos, onde viviam as nossas famílias… O meu pai mandou-me para o Porto, para casa de uns amigos. Eu e os meus amigos recebemos várias ameaças nas redes sociais", revelou.

Além disso, Rafael Leão abordou ainda o facto de ter rescindido de forma unilateral com o clube de Alvalade, antes de ingressar no Lille, que permitiu mais tarde o salto para o Milan. "Mesmo hoje em dia, se comentarem alguma foto do Sporting ou de um jogador do Sporting sou inundado com insultos, chamam-me de traidor. Vivi um inferno nessas semanas, até que rescindi o contrato de forma unilateral, tal como vários os outros jogadores que foram atacados. Tinha 18 anos e fui obrigado a deixar o meu país", concluiu o internacional português.

Por Record
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