_
Foi preciso dar (mais um) a volta ao resultado em Alvalade para manter o Sporting no trilho da final da Taça UEFA. E foi preciso fazê-lo da maneira que muitos achavam mais improvável, isto é, através da acção de Pinilla, o jogador mais apupado pelos adeptos durante toda a época e que, ontem, teve o prazer de os ouviu cantar o seu nome, em homenagem ao belíssimo golo que rompeu a oposição do AZ Alkmaar e pode muito bem valer o bilhete para que a brilhante carreira leonina na Europa – recorde nacional de pontos e vitórias – se cumpra de A a Z, até à final de Alvalade.
A dificuldade do Sporting em acercar-se da baliza dos holandeses foi notória e crescente. Sem individualidades que encham o olho, o AZ possui um colectivo muito organizado e bem trabalhado, onde todos sabem o que têm a fazer e como têm de o fazer, trocando sempre a bola, pois a técnica individual não abunda. Foi assim que conseguiram criar alguns problemas à defesa leonina e foi assim, sobretudo que conseguiram suster os ataques, colocando sem complexos os onze jogadores atrás da linha da bola.
Surpresa
Peseiro surpreendeu, deixando o elogiado Moutinho no banco, recorrendo a Custódio. Pode ter confundido Co Adriaanse, mas também contribuiu para a falta de fluidez do ataque leonino, pois Custódio denunciou pouco ritmo e descoordenação com os parceiros.
Apesar dos erros iniciais, o Sporting foi sempre uma equipa serena, não cedendo à precipitação, "exigida" pelo ruidoso público. É verdade que consentiu o golo – o tal golo que ninguém quer sofrer em casa numa competição europeia – e teve sorte na obtenção da igualdade, no minuto seguinte. Mas ficou claro que os leões têm futebol que chegue para controlar o jogo em todas as alíneas, se não houver desconcentrações de cada um nas suas missões. E, controlando, estão criadas as condições para ganhar, bastando aproveitar os rasgos individuais que, apesar de tudo, foram surgindo. Verdades de La Palisse que explicam a autoconfiança que permitiu dar a volta ao resultado e deve fazer os leões encararem a segunda mão sem receio.
Bolas paradas
Perante uma equipa tão compacta a defender, exigia-se mais eficácia nas bolas paradas. A pressão leonina proporcionou vários livres nas imediações da área e pontapés de canto que não tiveram aproveitamento, apesar de ter sido precisamente nestas situações que a defesa holandesa mais vacilou.
Pouca ala
Outra vulnerabilidade do AZ esteve nas alas, mas o Sporting não conseguiu a aproveitá-la convenientemente, apesar de chegar a ter uma frente de quatro (Sá Pinto a colocar-se ao lado de Liedson e Barbosa a ocupar a extrema esquerda). Faltou sempre velocidade, permitindo a recomposição da "muralha" e só a fragilidade de De Cler abriu brechas para Douala ameaçar Timmer.
Foi num dos avanços de Barbosa que o Sporting foi surpreendido. E, então, que Peseiro terá decidido recorrer ao fulgor de Moutinho. Bem o fez, mas perdeu por momentos a ala esquerda, passando a estratégia alternativa por fazer Liedson ir à linha e abrir espaço para Moutinho furar na diagonal. Com outra capacidade de "fogo" do jovem prodígio, a eliminatória podia ter sido resolvida assim...
A entrada de Viana (pouco inspirado) não deu para reequilibrar o ataque e a falta de força foi fazendo o resto do trabalho pelos holandeses. Era o preço a pagar por tanta circulação de bola sem frutos.
Num último fôlego, Peseiro tentou Pinilla. O figurino não se alterou, mas o chileno fez o tal golaço e, se tivesse feito mais um na outra oportunidade de que dispôs, no primeiro minuto de descontos, teria sido uma noite perfeita. Era pedir demais?
Árbitro
Massimo de Santis (3). Arbitragem regular, com alguns erros, sobretudo nos foras-dejogo. O seguimento dos lances a curta distância permitiu-lhe ter pulso sobre os jogadores. Poupou Rochemback do amarelo, mas foi rigoroso em todos os outros.