Jorge Jesus prometera encontrar soluções para a ausência de Carrillo, o elemento mais criativo e incisivo do ataque do Sporting. Ontem, frente ao V. Guimarães, foi a João Mário que confiou a missão de extremo-direito. O internacional português não tem a capacidade de explosão e verticalidade do peruano, mas isso não o impediu de fugir bem pelo flanco, logo aos 12’, e cruzar para a cabeça de Slimani. Estava feito o 1-0, algo que já se anunciava praticamente desde o pontapé de saída, tal a força com que os leões entraram em campo. Cedo se percebeu que estaríamos perante o melhor Sporting da temporada, uma ideia confirmada durante o resto da partida.
William Carvalho, pela primeira vez titular na Liga nesta temporada, foi absolutamente decisivo para o domínio absoluto que levou à destruição de um V. Guimarães que nem soube o que lhe aconteceu. Uma verdadeira parede no meio-campo, que obrigou o adversário a ficar confinado a poucos metros de terreno, incapaz de se aproximar da área de Rui Patrício durante largos períodos.
Com William a chegar para as encomendas trazidas por Montoya, Tozé e Ricardo Valente, os três homens do apoio ao ponta-de-lança Tomané, o resto da equipa do Sporting pôde jogar uns metros à frente. E Adrien, juntando-se muitas vezes a Slimani e Teo, foi essencial a bloquear a primeira fase de construção dos minhotos. O sufoco era tanto que Montoya, mesmo sem pressão, terá entrado em pânico quando teve uma bola nos pés no meio-campo defensivo: quis dá-la para trás, mas ofereceu o 2-0 a Teo Gutiérrez. Ficaram aí desfeitas as dúvidas sobre quem iria levar os três pontos para casa.
Agressividade a mais
Sérgio Conceição, a fazer o segundo jogo no banco dos minhotos depois das boas indicações deixadas no dérbi com o Sp. Braga (derrota por 1-0), foi o primeiro a perceber que estava derrotado. Cabeça enfiada nos ombros, quase sem reação, tirou o perdido Montoya de campo pouco depois. Viu oSporting desperdiçar mais algumas oportunidades e, ainda antes do apito para o intervalo, foi para os balneários, a abanar a cabeça.
O treinador deve ter dito das boas aos jogadores e o Vitória até podia ter reduzido no primeiro lance da segunda parte, num slalom de Tozé que obrigou Rui Patrício a defender para canto. A equipa mostrou-se mais agressiva na luta pela bola, mas isso acabou por ser novo problema: com uma entrada totalmente inconsciente sobre Gelson Martins, Bouba Saré obrigou o árbitro Hélder Malheiro – tinha acabado de substituir o lesionado Rui Costa – a mostrar-lhe o vermelho direto. Se os três pontos já estavam praticamente atribuídos nessa altura, ficou aberta uma autoestrada para a goleada.
Foi isso que aconteceu. Mesmo sem forçar muito, o Sporting foi aproveitando os espaços para ir criando perigo e entusiasmar um público que não se esqueceu de Carrillo. Slimani, em noite de acerto total, rematou mais duas vezes e marcou mais dois golos, sempre na zona onde se sente mais confortável. Pelo meio, Adrien, num livre feliz, também fez o gosto ao pé. Josué, já perto do final, aproveitou o relaxamento leonino nos derradeiros minutos para picar o ponto.
Com os melhores resultado e exibição da época, o Sporting mantém-se na liderança e afasta por completo um fantasma de quebra que começava a pairar, sobretudo desde o afastamento de Carrillo. Na próxima jornada, há dérbi com o Benfica na Luz. O ‘reforço’ William chega na altura certa, pensará Jorge Jesus.
ÁRBITRO
Rui Costa (Porto). Exibição segura e calma do juiz portuense, que se lesionou e foi substituído aos 50’. Hélder Malheiro, que entrou para o seu lugar, mostrou coragem no vermelho a Bouba Saré. Fez bem. (4)
O HOMEM DO JOGO
William Carvalho. Um guarda-costas, recuperou inúmeras vezes a bola e permitiu que o Sporting pressionasse mais à frente e atacasse com mais jogadores. Imprescindível.