Quando entrou em campo, o Sporting conhecia todos os dados que precisava para saber o essencial: a vitória concedia-lhe o primeiro lugar do campeonato, com 2 pontos de vantagem sobre o FC Porto e 4 a mais do que o Benfica. Os leões foram dececionantes, porque não cumpriram o que lhes era exigido e não concretizaram as ameaças que, em certas alturas do jogo, foram criando. Por isso, o desconforto em relação ao que o Sporting fez ontem no Bessa não tem como base o resultado mas a exibição; mais do que a ineficácia, o mais grave dos crimes leoninos foi a falta de entusiasmo e a intensidade apenas relativa com que se entregaram à tarefa de conquistar a liderança isolada da Liga à 6.ª jornada, num contexto que podia ser importante para o resto da época.
Confira o direto do encontro.
Mas em tudo quanto se passou convém não perder de vista a influência do que fez o Boavista. Petit deu uma extraordinária demonstração de sentido estratégico, inteligência tática, conhecimento do adversário e das limitações da sua própria equipa. Em hora e meia adaptou o sistema às exigências, numa viagem que começou em 4x4x2, evoluiu para o 4x3x3 e acabou em 4x5x1.
Pouca intensidade
O Sporting nunca teve pressa de chegar ao golo. Sentiu que tinha tempo para vencer e conquistar os três pontos, razão pela qual interpretou a tarefa que tinha pela frente sem ansiedade. A equipa de Jorge Jesus reclamou desde logo a posse da bola, entregou-se ao jogo com intenção atacante e procurou estabelecer uma corrente de circulação que lhe permitisse encontrar espaços livres nas estradas de acesso à baliza de Mika. Só nunca o fez da melhor maneira.
Depois de Zé Manuel ter desperdiçado a grande ocasião do encontro, o processo ofensivo dos leões revelou-se ineficaz, porque nunca o Boavista se sentiu em risco de sofrer qualquer contratempo. Mérito da estratégia de Petit, que povoou a intermediária com quatro unidades e deixou dois avançados incómodos para a defesa verde e branca, mas também demérito sportinguista pela pouca inspiração individual e também pela escassa intensidade coletiva que revelou na entrega à ação.
Tornou-se claro, a partir de certa altura, que, apesar de a iniciativa ser verde e branca, o maior conforto era axadrezado. Os boavisteiros foram travando todas as tentativas de assédio à sua baliza e conseguiram-no, quase sempre, em zonas longínquas. Só nos últimos cinco minutos da primeira parte o Sporting lançou o pânico – Montero teve remate intercetado (41’) e Slimani obrigou Mika a defesa difícil (44’).
Sem massacre
Os primeiros minutos da segunda metade revelaram um Sporting diferente, mais empolgado com o jogo, rebocado pela alegria de Gelson Martins, que pareceu contagiar toda a equipa. O domínio acentuou-se, porque a eficácia do trabalho defensivo de Anderson Correia (sobre João Pereira) e Tengarrinha (sobre Jefferson) foi diminuindo, situação que permitiu a formação de Alvalade abrir mais brechas na muralha adversária.
Mas o que parecia ser ataque à baliza axadrezada a dimensionar-se como uma bola de neve tornou-se um assalto concebido com fisgas inofensivas (é incrível que o ataque leonino só tenha conseguido dois tiros na direção da baliza) para a solidez da muralha que se ergueu pela frente dos avançados da equipa de Jorge Jesus. E nem o aproximar do final do jogo foi suficiente para criar entre os jogadores do Sporting o espírito que conduzisse a um massacre final.
Minuto 60
Teo Gutiérrez tinha entrado dois minutos antes quando desperdiçou a melhor oportunidade do Sporting no jogo. Gelson Martins colocou-lhe a bola para o pé esquerdo; o colombiano rematou em desequilíbrio, com Mika fora do lance. O tiro do avançado sportinguista saiu muito por cima.