Jogadores "picados", a importância dos primeiros 10 minutos e a crença do Sporting: tudo o que disse Rúben Amorim
Treinador do Sporting fez a antevisão ao jogo com o Arsenal, marcado para amanhã, em Londres
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Rúben Amorim e Paulinho fizeram a antevisão ao Arsenal-Sporting, marcado para amanhã (20h) e referente à 2.ª mão dos oitavos de final da Liga Europa. O treinador do Sporting disse estar à espera de "um jogo muito difícil" mas sublinhou que os leões "acreditam" na qualificação para os quartos de final, algo que seria "importante para o clube e para o projeto".
Amorim disse que vem "picando" os seus pupilos para este jogo mas que não quer que os mesmos vejam a partida como um tudo ou nada. Sobre os elogios que tem recebido do estrangeiro, vincou novamente que está satisfeito em Alvalade, onde tem "um bom contrato."
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Rúben Amorim
Sobre o Arsenal
"Estou a espera de um jogo muito dificil, de uma equipa que vai entrar com outra velocidade que não entrou em Alvalade e que nos conhece melhor. E isso vai ser importante na abordagem do jogo, quer do lado do Sporting, quer do Arsenal, que já nos percebe um bocadinho melhor. Vamos tentar fazer o nosso jogo. Podemos fazer melhor do que fizemos em Alvalade. Mas eu acho que o Arsenal vai ser mais forte: tem o apoio do seu público, é um jogo a decidir e não tem na cabeça que tem mais um jogo para decidir esse jogo. Portanto, vejo um jogo com um grau de dificuldade elevado, mas temos a nossa ambição. Vamos fazer o nosso jogo, queremos ter bola também, essa é a nossa identidade. Mas também temos de seguir aquilo que o jogo ditar. É uma equipa muito forte e tem provado isso. Poucas equipas venceram o Arsenal esta época, principalmente em casa. Sabemos que jogam até aos 98 minutos, 128 minutos, e nós estamos preparados para isso porque acreditamos muito. Um factor que é muito diferente do nosso campeonato é que a grande responsabilidade está do lado do Arsenal e nós também podemos jogar com isso. Vamos ver. Amanhã, os primeiros minutos serão importantes e é bom começar o jogo um bocadinho com bola, se for possível."
Paulinho ou Chermiti?
"Não vou revelar porque as características dos nossos dois avançados são diferentes, mas ele já sabe se vai jogar ou não. Em relação a picar os jogadores, para estes jogos eu não preciso de picar os jogadores. Eu pico mais os jogadores quando voltámos ao campeonato e principalmente fi-lo com a equipa no jogo com o Boavista. Comecei logo a picá-los assim que saímos do jogo com o Arsenal. Nestes jogos todos eles estão concentrados, todos querem jogar. Mas também não os quero a pensar que isto é um jogo extra da nossa época. Estamos aqui por direito. Somos uma equipa que veio da Liga dos Campeões, não passámos, quanto a mim com alguma infelicidade. Estamos aqui para lutar pelos nossos objetivos. E o nosso objetivo passa por passar. Agora temos de ver que do outro lado uma equipa que joga provavelmente no melhor campeonato do Mundo, que está em primeiro e muito motivada. Mas como eu disse, isto é um jogo e num jogo tudo é possível."
Será mais difícil agora?
"Não sei se é mais difícil ou não, o que interessa é que o Arsenal tem praticamente as mesmas rotinas. Jogando o Zinchenko ou o Tierney vêm para dentro. O que muda é a qualidade deles jogarem dentro ou fora. Essas características individuais mudam consoante os jogadores. Mas a rotina da equipa, a forma como montam a equipa em campo e a dinâmica, isso é sempre muito parecido. Eu não digo que nos conhece bem porque facilitaram no primeiro jogo, digo-o porque já nos conhecem. As nossas rotinas, as formas como fechamos os espaços. De certeza que olharam para o vídeo e a nossa forma de pressionar de certeza que é impossível, e houve muitas vezes que pressionámos até o guarda-redes do Arsenal, e de certeza que com um plano aberto eles conseguem ver onde está o espaço. Portanto, digo por aí. Com a qualidade do treinador que o Arsenal tem, com os jogadores inteligentes que tem, eles viram espaços em certos sítios que nós temos que tapar desta vez. Nós fizemos o mesmo trabalho. Olhámos para o jogo do Arsenal e retirámos [informações] e já conhecemos melhor as características da equipa. É por aí que eu digo. Não sei se vai ser mais fácil ou difícil, mas o que nós temos que saber é que o Arsenal olhou para o jogo e que tirou informações que nós temos de ser capazes de anular, digamos assim."
Elogios de fora
"Não é passar ao lado, obviamente que é bom mas eu vivo muito ciente, talvez pela minha carreira como jogador, porque sei que tudo muda de um momento para o outro. Depois porque sou muito feliz, trabalho num grupo e com pessoas que eu gosto e porque tenho um bom contrato. Estando tão feliz, tudo me passa ao lado. Gosto dos meus jogadores, sinceramente. Quero que tenham sucesso e que não sofram em campo. Tudo na minha vida aconteceu um pouco rápido e às vezes não como eu queria. Quero ganhar pelos meus jogadores, pelo meu clube e não pelos outros. Estou muito feliz onde estou."
O peso da responsabilidade nos jogadores
"O Paulinho nunca precisa de fazer história. Ele sabe, os meus jogadores sabem. O que eles têm de fazer é de dar o máximo. Tudo o que acontecer amanhã será responsabilidade minha, tudo o que acontecer de bom será da responsabilidade dos jogadores. O que o Paulinho tem de fazer e os seus colegas é divertirem-se, honrarem o clube, obviamente, e mostrar a nossa personalidade. Nós jogamos bem futebol, o Arsenal é uma super equipa, mas num jogo tudo é possível. E se nós acreditarmos, e nós acreditamos muito, podemos vencer o jogo e a eliminatória. Não vejo mais que isso e seguiremos em frente. Uma das razões do Coates não estar cá é que nós pensamos que isto é um ponto da nossa época. O Coates vai ao Japão jogar com a seleção e, em vez de fazer mais uma viagem, estamos a pensar que temos de vencer ao Santa Clara e depois o Gil Vicente. Portanto, isto é um ponto do nosso projeto. Não é o fim de nada, nem o jogo da nossa vida. Todos os jogos são o jogo da nossa vida. Não fazer disto mais do que é. O Sporting, por direito próprio, está nesta fase. Empatou em casa, vai jogar com o Arsenal. Quanto a minha podíamos ter feito um resultado melhor, mas também o Arsenal teve oportunidades para fazer golo. Está tudo em aberto. O que eu quero é que eles se divirtam, mostrem personalidade e o resto está tudo bem."
Adrenalina
"Nós queremos vencer todos os jogos. Não só por ser o Arsenal, que é líder da Premier League, mas o que isso poderia trazer. Se nós somos capazes de eliminar uma equipa como o Arsenal, poderíamos seguir em frente na prova. Se podemos seguir em frente na prova, é importante para o nosso clube e para o nosso projeto. Eu também não quero desvalorizar o jogo, sei que é um grande jogo e uma grande noite europeia, contra um grande clube que está em primeiro na Premier League. Mas também não quero que os meus jogadores pensem que isto é o fim de qualquer coisa. Não é. É apenas o começo e o continuar do nosso projeto."
Arsenal com bons registos em casa
"São dados que valem o que valem. Amanhã alguma coisa vai ter de mudar, que mude mais para o lado do Arsenal do que para o nosso. Mas os dados não contam muito. Amanhã vamos iniciar o jogo e, como eu disse, mais importante do que todos esses dados vão ser os primeiros 5/10 minutos de jogo. Como é que abordamos, se temos bola, se conseguimos conter o Arsenal, se o Arsenal consegue começar o jogo e empolgar o seu público e a tornar tudo mais difícil. O que nós temos que fazer é a nossa parte e nós temos uma ideia do que queremos fazer. Mas depois depende também das outras equipas porque os adversários são fortes, principalmente esta equipa, que toda a gente olha como uma grande equipa da época. Não só da Europa como no seu campeonato, que quanto a mim é o melhor campeonato de longe. Nós vamos fazer o nosso papel. Mas que acreditamos que podemos passar, isso acreditamos."
Paulinho
Ambição
"Relativamente à questão do capitão, acho que estamos muito bem servidos por todos os que temos. São boas vozes, são vozes de líderes. Acho que dentro do grupo toda a gente tem voz e pode ajudar. Relativamente ao Sporting, temos de entrar com ambição e acreditar que é possível vencer aqui para passar."
Mais difícil defrontar o Arsenal na sua casa?
"Sabemos que jogar fora ou em casa é diferente, apesar de termos o nosso setor completamente cheio com os nossos adeptos. É um plantel com muita qualidade. Cabe-nos a nós contrariar essa qualidade e fazer o nosso melhor."
Ausência de Coates
"Acho que o jogador que jogar na posição dele vai corresponder. O Seba é o nosso capitão faz-nos sempre falta, mas não tenho dúvidas de que a pessoa que estiver no lugar dele vai corresponder. Estou pronto para fazer um grande jogo."