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"Cheguei a dizer, em tom de brincadeira, que combinava com ele. Mesmo na despedida, a 5 de Outubro de 1948, meti-lhe dois golos em vinte minutos! E fui embora, senão marcava mais. O Barreiro dava muitos jogadores para a I Divisão, chegávamos a juntar-nos quase 40 no mesmo barco para Lisboa!"
A recordação é de Artur Quaresma, 86 anos, campeão nacional pelo Belenenses em 1946 e refere-se ao amigo e conterrâneo guardião leonino, João Azevedo (mas, embora jogando, não marcou em duas goleadas: 5-1 a 2 de Abril de 1941 e 5-0 a 21 de Fevereiro de 1943). Em Vigo, a 28 de Novembro de 37, num jogo com a Espanha que a FIFA não reconheceu devido à Guerra Civil, estrearam-se na selecção, "tal como Amaro e Espírito Santo", diz.
Com o Sporting houve "sempre encontros com qualidade e desportivismo". Agora, "gostava que o Belenenses ganhasse, pois necessita de pontos". Acima de tudo, "que seja espectáculo agradável", deseja.
Episódio
A 30 de Janeiro de 1938, frente à Espanha, nas Salésias, Quaresma não fez a saudação fascista, Simões e Amaro, outros dois "azuis", fecharam o punho. A situação está em foto na "Stadium" de 2 de Fevereiro com retoques da censura para disfarçar: "Fomos à Pide e eles ficaram. Eu, deixando o braço em baixo, disse que me esquecera de o levantar. Não houve mais problemas porque o Belenenses moveu influências. Nunca fui político, mas embirrava com aquelas coisas do fascismo. O Barreiro era foco de comunistas opositores ao regime e eu era amigo de muitos. Mas fiz aquilo sem premeditação, foi um acto natural."
Ataque para fazer história
Franklin, Elói, Quaresma, José Pedro e Rafael são nomes que fazem parte da galeria dos heróis belenenses, escolhidos pelo próprio Artur Quaresma como "a melhor linha avançada da história do clube e, pela qualidade, uma das melhores do futebol português".
Depois lembra uma brincadeira dos companheiros da defesa naqueles tempos: "Costumavam dizer que, como trocávamos a bola durante tanto tempo lá à frente, eles até podiam fazer jogos mais descansados!"
Em termos de estilo, o futebol luso tem um jogador que Artur Quaresma considera próximo de si: João Vieira Pinto. Mas, desassombrado, diz: "Eu tinha mais qualidade. Era um tecnicista que marcava muitos golos e procurava jogar para o espectáculo. Gostava de romper pela área com a bola dominada e rematar. Na época do título fiz muitos golos dessa maneira entre um total de 14."
Não se queixa de marcações impiedosas, embora num particular com a Oliveirense, já depois do campeonato, fosse pressionado. Como resposta, deu a bola ao marcador e disse-lhe: "Vai lá marcar um golo!" Os adeptos, perto do campo, ouviram e desataram a rir...
Andrade e Rafael marcaram mudança
A temporada de 1945/46 assinala a conquista do único campeonato nacional para o Belenenses, escapando à lógica hegemónica do trio Benfica/Sporting/FC Porto que, ao longo dos tempos, apenas registou outra excepção com o Boavista de Jaime Pacheco em 2000/01.
Treinados por Augusto Silva, uma das figuras lendárias nas primeiras décadas do futebol português, que competiu na saga da Selecção Nacional em plenos Jogos Olímpicos de 1928 (Amesterdão), os azuis enfrentaram o Sporting no antigo Estádio das Salésias a 3 de Março de 1946. No banco do adversário, outro mito do panorama futebolístico luso: Cândido de Oliveira.
Depois de primeira parte equilibrada e sem golos, os sportinguistas beneficiaram de autogolo de Serafim para a vantagem. Sem oscilações anímicas, o Belenenses manteve o ritmo e igualou por Andrade, que se estreara com "hat-trick" frente ao FC Porto (3-2) e viria a ser o melhor marcador da equipa. Rafael estabeleceu o resultado.
O duelo com o Benfica pelo título arrastou-se até à derradeira jornada, mas a vitória com o SL Elvas, no Alentejo, após o golo de Patalino (2-1), em jogo de forte carga dramática no qual Artur Quaresma fez o primeiro tento, garantiu o sucesso.
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