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08 agosto

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Bernardo Topa critica Sporting por falta de apoio: «Sinto-me esquecido e desprezado»

Clube de Alvalade garante que "tomou todas as diligências ao seu alcance" junto do adepto que perdeu o olho esquerdo nos festejos do último campeonato

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Bernardo Topa recorda dia em que perdeu o olho esquerdo: «Houve um excesso enorme na carga policial»
Bernardo Topa recorda dia em que perdeu o olho esquerdo: «Houve um excesso enorme na carga policial» • Foto: Pedro Ferreira
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Bernardo Topa, adepto dos leões que perdeu o olho esquerdo na festa do título do Sporting na temporada de 2024/25, deixou duras críticas à postura do clube no desenrolar do processo, uma vez que, segundo o apoiante, o clube não lhe prestou o apoio prometido devido à situação que viveu após ter sido atingido por uma bala de borracha junto à Praça do Saldanha.

Numa publicação nas redes sociais, Topa recordou o "episódio traumático", lamentando que, em termos judiciais, "tanto o inquérito interno como o processo crime ainda se encontrem na fase de audição de testemunhas". Relativamente à ligação com o clube de Alvalade, o adepto apontou o dedo à direção de Frederico Varandas - e reforçou esta mensagem a Record. "Eu ia falar na assembleia geral mas, nessa altura, senti que me quiseram calar. Sinto-me esquecido e desprezado e quero fazer com que os adeptos não sejam esquecidos", afirmou ao nosso jornal, a quem apontou, ainda, um outro caso: "Sei que no caso do António Dionísio [um dos vários adeptos vítima da queda do varandim, em 1996] lhe disseram que não leva mais um tostão e ele só quer tratar-se". 

Estas palavras ao nosso jornal reforçam assim a mensagem deixada nas redes sociais e que abaixo publicamos:

"Um dia de festa e de celebração ficará para sempre marcado em mim como um episódio traumático. No lugar do olho fiquei com um buraco. Lembro-me de levar as mãos à cara, correr desamparado e esvaiar-me em sangue, enquanto os festejos prosseguiam. Fui mutilado numa noite em que apenas tinha saído de casa para celebrar um título do Sporting. No hospital fui recebido pelo presidente do conselho diretivo, Dr. Frederico Varandas, que me transmitiu empatia pela situação em que me encontrava. Foi-me também transmitido pelo nosso diretor de comunicação, Gonçalo Vilela Santos, que o clube estava comigo e passo a citar o comunicado oficial: "A encetar todas as diligências possíveis e necessárias junto das autoridades competentes com vista à investigação da ocorrência e à adoção das medidas que se revelem adequadas"", começou por expressar o sportinguista, antes de criticar os capítulos mais recentes. 

"Ora, passado mais de um ano, a pergunta que foi o que é estar comigo? É oferecer uns artigos da Loja Verde e um convite para a tribuna (este último, que tive de relembrar pois já tinha sido esquecido) e está tudo bem? Não tive qualquer tipo de apoio ou acompanhamento da situação que acreditei ter e após nova tentativa de diálogo, recusaram-se a fazê-lo com uma data de desculpas, entre as quais de que abriria precedentes em relação a outros pedidos de ajuda de sócios e que nunca a administração se comprometeu com nada. Sei que não somos uma instituição de solidariedade social, mas o Sporting tem um departamento jurídico e uma Fundação. A esta última solicitei ajuda e a resposta que recebi foi que o respetivo plano estratégico não abrangia as áreas de apoio solicitados. Que áreas de apoio são essas então? Para que nos pedem para consignar o IRS todos os anos? Por mais feliz que fique por ver o nosso clube cada vez mais forte e inovador e agora com o regresso a muito custo da Curva Sul, custa-me sentir que, no meio de conquistas, há sócios que são esquecidos - porque não sou caso único", frisou.

De resto, lamentando que o assunto tenha de ser debatido na praça pública - "deveriam ser tratados dentro de casa e o Sporting pode e deve cuidar melhor dos seus sócios", vincou - Bernardo Topa aponta pedidos "em vão". Em conclusão, o adepto leonino foi claro na mensagem publicada nas redes sociais. "Deixo apenas um pedido de reflexão: que, em futuros acontecimentos semelhantes, o clube procure acompanhar e apoiar verdadeiramente quem sofre consequências tão graves. Naquele dia fui eu, mas podia ter sido um de vós, um filho, um pai, um neto ou um avô", expressou.

Sporting garante estar solidário

Dadas estas palavras, Record contactou fonte oficial do clube de Alvalade que expressou toda a "solidariedade" pela situação de Bernardo Topa, e assegurou que tomou "todas as diligências ao seu alcance". Leia na íntegra a resposta do emblema leonino.

"O Sporting Clube de Portugal lamenta profundamente as consequências do incidente de que foi vítima o adepto Bernardo Topa e reitera que, desde o primeiro momento, atuou no âmbito das suas competências, adotando todas as diligências que estavam ao seu alcance e manifestando a sua solidariedade e proximidade.

O clube tem plena consciência do impacto que este episódio teve na vida do adepto e da sua família, bem como dos desafios pessoais que continuam a enfrentar.

Importa salientar que os factos ocorreram num contexto que não se encontrava sob a responsabilidade nem o controlo do clube, cabendo às autoridades competentes o respetivo apuramento e a determinação das responsabilidades.

A solidariedade para com o adepto nunca esteve, nem estará, em causa. O Clube mantém a expectativa de que este caso conheça um desfecho justo, com o completo esclarecimento dos factos, para que uma situação com consequências tão graves não caia no esquecimento", vinca a mesma fonte. 

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