Boavista-Sporting, 2-1: A grande cambalhota de um jogo de loucos
Em cinco minutos a história sofreu uma reviravolta total. O leão caiu por erros próprios mas vítima de uma arbitragem inacreditável
Um final de loucos, marcado por inesperada reviravolta no marcador, selou o confronto de ontem no Bessa, que terminou envolto nos protestos leoninos pela arbitragem de Bruno Paixão.
O Sporting, que vencia por 1-0 e tinha o jogo controlado à entrada da recta final do encontro, perdeu a iniciativa, desuniu-se momentaneamente no período imediatamente a seguir à expulsão de Rui Jorge e baqueou depois, para surpresa geral, vítima de alguns erros individuais.
Honra seja feita ao Boavista, que acreditou sempre e soube estimular o sentido felino de cair sobre a presa ao primeiro sinal de fraqueza; castigo pesado para os verde e brancos que, ao fim de quase hora e meia em que estiveram a salvo dos ataques adversários (Ricardo não passou de um espectador), começaram por perder a cabeça e acabaram por perder o jogo.
Presente e futuro
No Bessa cruzavam-se presente e futuro: uma equipa a lutar por objectivos concretos para a presente temporada (Sporting) e outra que, mais tranquila, anunciou por antecipação que fazia do embate o ponto de partida para a definição da próxima temporada (Boavista).
A separá-las havia também o factor emocional, a urgência do leão pressionado pela vitória do Benfica em Braga e a matreira atitude de uma pantera boa avaliadora do momento, pronta a jogar também com as emoções dos outros.
O Sporting entrou mais pressionante, com vontade de cultivar a posse de bola e atacar a baliza de William. Fernando Santos apresentou um conjunto fiel ao sistema táctico habitual (quatro defesas, losango no meio-campo e dois avançados), ao contrário de Jaime Pacheco, que condicionou a estratégia ao adversário.
Assim, respondeu com três centrais à dupla atacante sportinguista (Ricardo Silva como líbero) e fez encaixar as peças na zona intermediária: Frechaut sobre João Pinto; Mário Loja de olhos postos em Tinga; Raul Meireles com acção condicionada aos movimentos de Pedro Barbosa; Ricardo Sousa dando trabalho a Paulo Bento.
Enquanto isso, Cafú era o ponta-de-lança de serviço, com Vítor Borges na esquerda e Martelinho na direita, mais recuado para ajudar no trabalho defensivo e disparar a longa distância sobre Rui Jorge.
O golo
O primeiro tempo jogou-se longe das balizas. Se o senso comum indicava maior ascendente leonino, respondiam os factos com outro enquadramento: o tiro à barra de Frechaut (12') teve muito mais impacto do que o remate de Tinga (31'), o primeiro enquadrado com a baliza.
Quando o Sporting chegou à vantagem, numa altura em que o acerto das marcações boavisteiras se fazia (saída de Mário Loja, entrada de Filipe Anunciação), parecia que os leões tinham encontrado o caminho da vitória. Porque restabeleceram as pulsações e porque até ao minuto 60 o adversário não dera sinais de poder inverter a tendência ditada pelo golo de Liedson.
Depressa
Vivida uma fase de indefinição, que durou cerca de 15', chegou o momento que anunciou a cambalhota no marcador: a ridícula expulsão de Rui Jorge, ditada pela incompetência do juiz (duas faltas inexistentes) e pelo seu perfil exibicionista que depressa resvala para o disparate.
Até final tudo aconteceu depressa de mais: com menos um, Fernando Santos reequilibrou a equipa trocando Silva por Rui Bento (82'); sofreu um golo no minuto seguinte; em busca da vitória, substituiu Tinga por Niculae e sofreu o segundo golo logo a seguir (88'); para acentuar a revolta verde e branca, Barbosa seria expulso ao minuto 3 do período de compensação.
Na festa axadrezada, Jaime Pacheco pode preparar o futuro com um sorriso nos lábios.
Ricardo saudado no regresso
Ricardo recebeu um forte aplauso do público afecto ao Boavista, quando, minutos antes do início da partida, subiu ao relvado para realizar os habituais exercícios de aquecimento.
Numa das bancadas do novo Estádio do Bessa existia mesmo uma tarja na qual se lia "Ricardo o melhor do Mundo", ao lado de outra com a seguinte inscrição: "William o maior."
Pinto da Costa presente
Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto, foi um dos vários "vip" presentes ontem no Estádio do Bessa. Refira-se que o jogo de ontem foi presenciado por vários "inimigos" dos leões.
O Benfica também esteve representado por Seara Cardoso, Rui Santos e Paula Pinho, membros dos órgãos sociais dos encarnados.
Árbitro
BRUNO PAIXÃO (1). Visto ao vivo, raramente o espectador está de acordo com as suas decisões; visto na televisão é pior ainda, porque a razão foge dele como o diabo da cruz. Falar de erros pontuais (o espaço não chega para os enumerar) é desnecessário.
A expulsão de Rui Jorge é uma vergonha para o futebol e a prova da confusão entre o que ele julga ser coragem e é, afinal, exibicionismo patético.