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17 março

Bodø/Glimt

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Bruno Sorreluz e os "tempos de ditadura" no Sporting: «Desde que sou candidato, já apareceu a polícia aqui quatro vezes»

Empresário é candidato à presidência do Sporting nas eleições de sábado

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Bruno Sorreluz durante a visita Núcleo Sportinguista na Figueira da Foz
Bruno Sorreluz durante a visita Núcleo Sportinguista na Figueira da Foz • Foto: Ricardo Almeida

O empresário Bruno Sorreluz é candidato à presidência do Sporting para dar "voz aos sócios", numa altura em que há "ausência de democracia" no clube e uma "falta de projeto desportivo" sob a liderança de Frederico Varandas.

Em entrevista à agência Lusa, Sorreluz deixou palavras de elogio ao técnico Rui Borges, mostrou-se muito preocupado com a gestão financeira do clube, lamentou a falta de visão para o futebol e para as modalidades e confessou que a sua candidatura tem o objetivo de "abrir os olhos a muita gente".

"A principal razão da minha candidatura são os sócios. O Sporting está num momento de vitórias, é verdade, mas há um grande distanciamento dos sócios e poucos canais para discutir o Sporting. Falta de projeto desportivo e falta de democracia. Isso fez-me avançar", começou por contar à Lusa o empresário de 45 anos.

Sorreluz, que tem como base na vida "família, amigos, trabalho e o Sporting", é antigo ginasta e antigo basquetebolista do emblema de Alvalade.

"São 40 anos disto. Ia assinar pelo futebol na formação quando acabei por ir para o basquetebol por influência do meu irmão. Era base. Tinha jeito e até apareci uma vez no jornal do Sporting como uma grande promessa. Quando o basquetebol foi extinto, continuei a ter uma ligação muito forte ao clube", disse o sócio 10.626.

Há oito anos proprietário do 'Cantinho do Sá', restaurante localizado mesmo junto ao pavilhão João Rocha e a poucos metros do Estádio José Alvalade, Sorreluz, mais conhecido por Bruno Sá, contou que o estabelecimento, que quase parece um 'mini-museu' do Sporting, com inúmeros cachecóis, camisolas de antigos jogadores e recortes de jornais a lembrar conquistas, tornou-se num "confessionário".

"Tornou-se numa casa emblemática. Vêm cá atletas, diretores, sócios de todo o tipo, antigos e recentes, e membros das claques. E isso fez-me querer representar muita gente, pessoas que percebem que, mesmo com as recentes vitórias, há coisas que não estão bem. E é preciso alertar aqueles que não percebem isso", salientou, acrescentando: "Curiosamente, o Frederico Varandas é das poucas pessoas que nunca meteu cá os pés".

Já depois de pedir uma garrafa de água para atenuar alguma rouquidão, já que minutos antes tinha estado na cave do 'Cantinho do Sá' em reunião com a sua equipa de candidatura, Bruno Sorreluz apontou que o Sporting passou a ser "dos clientes e não dos sócios".

"O Sporting está virado para a parte empresarial e não para os sócios. Não penso o Sporting dessa maneira. Restará muito pouco aos sócios. Quem vive o clube de 15 em 15 dias acha que está tudo bem. Quem vive como eu, diariamente, sabe que não", referiu.

Para o candidato, Varandas "só quer ser presidente daqueles que pagam" e contou os problemas que encontrou quando formalizou o objetivo de chegar a presidente do Sporting.

"Vivemos o que parecem ser tempos de ditadura. Subitamente, fui impedido de escrever em algumas publicações e, desde que sou candidato, já apareceu a polícia aqui quatro vezes. Varandas leva a minha candidatura como uma afronta e não como democracia", frisou.

Virando-se para o futebol, Sorreluz enalteceu o "caráter e humildade" de Rui Borges, atual treinador da equipa principal, que tem "disfarçado" a falta de projeto de Varandas após a saída de Ruben Amorim, e alertou para decisões financeiras "pouco claras".

"Há um empréstimo de 250 milhões de euros pouco claro. O Sporting está a ganhar, mas as dívidas estão a acumular-se, por exemplo aos fornecedores, e o passivo também está a aumentar. Entretanto, há aumentos sucessivos para o presidente sem ouvir os sócios", questionou.

Nesse sentido, o líder da Lista A não entende como a Academia de Alcochete continua com pouco investimento, assim como as modalidades, em que se discute valores de "200, 300 euros" e no futebol fala-se "facilmente" em milhões.

"Há um grande problema de relvados na academia. No futebol feminino, ninguém percebe quem lidera. Há falta de investimento nas modalidades e os atletas sentem falta de um presidente presente, de apoio do presidente. Quando a bola entra, as pessoas não estão atentas, mas eu estou e estou cá para isso", concluiu.

As eleições para os órgãos sociais do Sporting, para um mandato até 2030, estão agendadas para sábado, no Pavilhão João Rocha, em Lisboa. As urnas abrem às 09:00, enquanto as filas para votar encerram às 20:00.

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