Contra os negócios do futebol e a favor da livre expressão: Torcida Verde apresenta manifesto em Itália

Claque do Sporting integra movimento criado em 2020, no qual fazem parte 150 grupos organizados

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Em prol de um futebol para os adeptos e contra os interesses económicos, a Torcida Verde, uma das quatro claques do Sporting, apresentou, no último fim-de-semana e no âmbito dos 40 anos da sua fundação, um manifesto em Itália intitulado "Alternative Ultras - Football Belongs to the People", para o qual convidou qualquer adepto a associar-se. 

"Como tema deste MANIFESTO, foi apresentada uma moderna versão do tema intemporal "VAMPIROS" da autoria de Zeca Afonso, interpretado por Fernando Girão e outros interpretes da língua castelhana e italiana, aos quais agradecemos", escreve-se no documento partilhado na página 'Sporting1906' e onde se aponta o dedo, por exemplo, à entrada de capital estrangeiro nos clubes ou mesmo a tentativa, gorada, em 2021, de criar uma Superliga Europeia.

Eis as propostas de um conjunto, vinca-se, de "adeptos inconformados":

- Não aquisição de equipamentos do clube com publicidade.

- Não assinatura de canais de PayTV.

- Não compra de lugares fora da Curva (sectores populares).

- Boicotar jogos com preços elevados.

- Boicotar jogos em horários impensáveis.

- Denunciar as comissões que clubes pagam nas transferências dos futebolistas.

- Denunciar e combater a militarização dos estádios, a criminalização dos Grupos Ultras, a qual visa a consumação do moderno conceito estádio-teatro, onde os espectadores serão meros clientes sem qualquer intervenção para além do consumo de uma panoplia de serviços e artigos.

- Propor a criação de sectores populares - Lugares de pé (sem cadeiras).

- Lutar pela livre utilização de bandeiras, faixas, tambores, megafones.

- Normalizar a utilização de potes de fumo e outros artefactos pirotécnicos.

- Propor a criação de lugares para adeptos socialmente desfavorecidos e para portadores de deficiência física.

- Propor aos adeptos, a denúncia e a repulsa do tráfico de crianças no futebol moderno, directamente ligados a redes de prostituição e a outros fenómenos.

Termina-se com a ideia inicial: "O futebol pertence às pessoas; alergia aos clientes."

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