O resumo do debate
O Museu Sporting, no Estádio José Alvalade, recebeu o debate entre os dois candidatos à presidência do Sporting. Bruno Sorreluz (lista A) e Frederico Varandas (lista B) estiveram frente a frente durante mais de duas horas – a previsão inicial era de hora e meia –, só que os diversos temas colocados em cima da mesa pelo moderador da Sporting TV, Sérgio Sousa, mas sobretudo a demora pelas sucessivas interrupções e duelos, levou o frente a frente quase pela madrugada dentro.
O confronto começou com o atual presidente, de 44 anos, a lamentar o dia deste encontro, justificando-o com a agenda do seu concorrente; contrapôs, depois, o empresário, de 45 anos e conhecido no universo verde e branco como Bruno Sá, que rapidamente partiu para um largo ataque à atual gestão, reforçando a ideia de que o clube está a ser dirigido para “os clientes e não para os sócios e adeptos”, apostando, a abrir, no tema ‘Finanças’. “Temos 500 milhões de euros em passivo e 119 de dívida a fornecedores. Quem vai pagar isto? Espero que não seja o Frederico”, atirou Sorreluz, que disse esperar “não ter que ser a troika” para intervir num eventual momento de crise; acusando o seu adversário de o interromper constantemente e de não estar num debate, mas sim “numa entrevista à esquerda e à direita”, Varandas lembra que, quando chegou, tinha uma SAD “em incumprimento” e à beira de ficar fora do “fair play financeiro da UEFA”. Critica a “profunda ignorância” de Bruno – “não tem uma ideia”, sustenta – e sublinha um Sporting como “referência mundial a nível financeiro”. Só em venda e compra de jogadores, com sucesso desportivo, temos 310 milhões de lucro”. Nunca disse, garante o antigo diretor clínico, que o Chelsea entraria na sociedade leonina, mas admite ter “um parceiro para uma sinergia que possa fazer crescer o Sporting”, independente de qualquer grupo – claque ou de outros adeptos – que possam estar em órbita.
Arma de arremesso?
Nem pensar... Lei que as Finanças podiam ter dominado o debate? Bom, foi mesmo o futebol que aqueceu os ânimos, que levou a palavreado mais duro e que terminou com Sorreluz a acusar Varandas de ter feito “um mercado de inverno vergonhoso”, depois de ter depositado toda a confiança... em Ruben Amorim. O presidente em funções desde 2018 fez questão de dar troco, vincando que o treinador que saiu para o United deverá “ficar para sempre na história”, mas que a história mostra outra coisa, que foi Rui Borges quem pode usufruir do maior investimento de sempre da SAD no futebol numa só temporada.
Demorou, por fim, responder se iria renovar com o mirandelense, algo que, como Record tinha adiantado, ficou protelado – para não existir conflito de interesse – até depois do sufrágio. “Já tomei a decisão [sobre a renovação de contrato], mas não a vou usar como arma de campanha”, sustentou Varandas, que falou mais 33 minutos que Bruno.
