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Vice-presidente do Sporting responsável pela área financeira em entrevista a Record
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Em exclusivo a Record, o vice-presidente do Sporting responsável pela área financeira mostra-se otimista com o desfecho do empréstimo obrigacionista e revela que até ao final do mandato não haverá venda de parte do capital da SAD.
RECORD - O Sporting tem em marcha até 31 de outubro um empréstimo obrigacionista de 30 milhões de euros, que ainda pode ser aumentado até dia 29. Qual é o ponto de situação? O facto de o clube ter sido campeão e ter reforçado a sua posição na SAD está a afetar a procura do mercado?
FRANCISCO SALGADO ZENHA – O Sporting tem em marcha um empréstimo obrigacionista que terminará no final desta semana com um montante previsto de 30M€ e possibilidade de ser aumentado. A expectativa, naturalmente, é de que seja bem sucedido dado o excelente momento desportivo e financeiro que o clube atravessa. Adicionalmente, parece-me que os passos firmes que estão a ser dados no crescimento do clube, refletidos no Plano Estratégico recentemente apresentado, reforçam a confiança dos investidores de que há um projeto sustentável e de longo prazo no Sporting. É fundamental para nós que todos os stakeholders – sócios, adeptos, investidores e parceiros – tenham visibilidade sobre o caminho que o Sporting trilhou e acreditem no sucesso de execução desse Plano Estratégico.
Já é possível antecipar se o valor vai ser aumentado?
FSZ – A decisão relativa ao aumento será comunicada no decorrer da próxima semana. Não posso fazer comentários sobre o progresso da emissão por razões de confidencialidade. Com este novo empréstimo a Sporting SAD ficará – dependendo do valor final da oferta 2024-2028 – com, no mínimo, 80M€ de montante agregado em vigor. Ficando com dois empréstimos a vencer no final de 2027 e 2028 não é expectável que volte brevemente ao mercado, muito menos com montantes desta natureza. Diria por isso que os investidores que pretendam investir no Sporting é provável que não tenham a oportunidade de o voltar a fazer tão cedo.
Porquê agora um novo empréstimo obrigacionista, depois daquele que em março garantiu 50 milhões de euros (a procura chegou a 66 M€) e que se destinava a reembolsar a emissão anterior (de cerca de 40 M€, que vence em novembro)?
FSZ – O Sporting decidiu avançar com novo empréstimo obrigacionista pois considera que dado o enorme sucesso da última emissão, em que houve uma procura significativamente superior à oferta, faz sentido corresponder ao interesse dos investidores aproveitando para injetar liquidez e estender o prazo médio da dívida. As taxas de juro têm caído significativamente, em particular as de mais longo prazo, por isso achámos que o timing era o ideal para conciliar o interesse do Sporting em estender o prazo médio da dívida e os investidores de verem fixada uma taxa de juro acima dos 5% para um prazo de 4 anos. Hoje estamos dispostos a pagar mais por prazos mais longos para termos cada vez mais capacidade de fazer uma gestão eficiente da dívida.
O recurso a este empréstimo está relacionado com o facto de o Sporting não ter feito uma grande venda no verão?
FSZ –Este empréstimo foi orçamentado para 2024/25 ainda antes do início do mercado de verão e não está diretamente relacionado com vendas de jogadores.
Até que ponto é que, não sendo bem sucedido nesta operação, o Sporting corre risco de incumprimento ou pode ficar mais exposto a ter de vender jogadores em janeiro ou no verão ?
FSZ – O Sporting tem alternativas de financiamento, trabalhando hoje inclusivamente com vários bancos internacionais. Não procuramos usar financiamentos para substituir vendas de jogadores. A forma de mitigar a necessidade de vender jogadores é fazer crescer as áreas de negócios e aumentar outras receitas operacionais nomeadamente aquelas relacionadas com a atividade no estádio.
Estima-se que a recente decisão do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) relativa ao chamado Caso Diarra possa ter um impacto comparável à Lei Bosman. Teme que esta decisão possa afetar os interesses do Sporting no caso da rescisão de Rafael Leão?
FSZ – Não temo porque não pode afetar. Vejamos, a decisão que determinou a responsabilidade do Lille já transitou em julgado, restando apenas determinar o quantum da indemnização devida ao Sporting. Esta decisão, naturalmente, não pode ser revertida nem afetada pela decisão do TJUE, tal como não serão revertidas nem afetadas as centenas de casos julgados nas últimas décadas.
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