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17 março

Bodø/Glimt

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Inspiração para o jogo com o Bodo/Glimt: maior reviravolta europeia do Sporting norteou êxito na Taça das Taças

Leões inverteram três golos frente ao Manchester United nos quartos de final e conquistaram a prova em 1963/64

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O plantel do Sporting em 1963/64
O plantel do Sporting em 1963/64 • Foto: DR Record

O Sporting tornou-se em 1963/64 o único clube português a conquistar a extinta Taça das Taças, guiado pela maior reviravolta europeia do clube, ao inverter três golos frente ao Manchester United, nos quartos de final.

"O Sporting fez um milagre. Perdemos em Inglaterra com dois penáltis que não existiram, mas acreditámos que íamos dar a volta [à eliminatória]. Em Lisboa, o público queria ver Denis Law, Bobby Charlton ou George Best e assistiu à melhor exibição de sempre do Sporting", notou à agência Lusa o antigo defesa direito internacional português Pedro Gomes, de 84 anos, que atuou pelos 'leões' nos relvados (1960-1973) e treinou-os em 1984/85.

Em 18 de março de 1964, o Sporting goleou o Manchester United no antigo Estádio José Alvalade (5-0), em Lisboa, e inverteu a derrota sofrida três semanas antes em Inglaterra (4-1), rumando às 'meias' da Taça das Taças.

Treinados há duas décadas pelo escocês Matt Busby, os 'red devils' eram norteados em campo pelo compatriota Denis Law, Bobby Charlton e o norte-irlandês George Best, todos vencedores da Bola de Ouro naquela década e determinantes no primeiro título de campeão europeu do clube, conquistado face ao Benfica em 1967/68 (4-1, após prolongamento), em Wembley.

João Morais e os brasileiros Osvaldo Silva, autor de três golos - um de penálti e outro de livre direto -, e Geraldo Carvalho, mais conhecido por Géo, construíram a reviravolta dos 'verdes e brancos', numa competição disputada pelos vencedores das taças nacionais dos países filiados na UEFA.

"Tocou-me [defender] o Best, que era o mais habilidoso deles. O treinador falou comigo e disse que eu seria o 'best' [o melhor, em tradução livre] do jogo. Nem sabia falar inglês, mas fiquei esclarecido com a ajuda do [colega de equipa] Alexandre Baptista e motivei-me muito", contou Pedro Gomes.

Os adeptos marcaram presença massiva nas bancadas e até na pista do ciclismo em redor do relvado, inspirando o Sporting a reagir ao desaire de Old Trafford, selado por Bobby Charlton e pelo escocês Denis Law, cujo 'hat-trick' incluiu dois penáltis, por entre o golo 'leonino' de Osvaldo Silva.

"O Law era um goleador imparável, mas demos tudo por tudo em casa, não tivemos grandes problemas nem mudámos de estratégia. No regresso de Inglaterra, o [então diretor para o futebol] Mário Cunha tinha dito no avião que daria 20 contos [a cada jogador em caso de passagem]. Dito e feito", vincou o ex-defesa, totalista nas duas mãos e parte de um "coletivo unido".

Perante a formação orientada pelo escocês Matt Busby, o Sporting utilizou treinadores diferentes, pois o brasileiro Gentil Cardoso foi demitido a meio da eliminatória e Anselmo Fernández, um dos arquitetos responsáveis pelo projeto do antigo estádio do clube, assumiu o comando da equipa, ficando o cargo de técnico de campo atribuído ao argentino Francisco Reboredo.

"O Anselmo era um grande motivador, acreditava sempre e tinha uma ideia do futebol diferente, apesar de não ser treinador. O Gentil dizia sempre o mesmo e já se estava a tornar um pouco aborrecido. A troca foi muito boa, sobretudo psicologicamente, pois não tínhamos muita fé no Gentil", referiu.

O Sporting não conquistou troféus nacionais e foi terceiro classificado no campeonato, a 14 pontos do campeão Benfica, mas eternizaria a época 1963/64 com o único troféu internacional futebolístico, ao capitalizar um golo de canto direto de Morais na finalíssima diante do MTK Budapeste (1-0), em Antuérpia, após uma igualdade com os húngaros em Bruxelas (3-3).

Para trás tinham ficado, além do United, os italianos da Atalanta, os cipriotas do APOEL Nicósia, que sofreram em Lisboa a vitória mais ampla de sempre na história das provas europeias (16-1) - os seis golos nesse encontro de Mascarenhas também são recorde -, e os franceses do Lyon.

"É o único título europeu ou mundial do Sporting no futebol e deu grande riqueza ao clube", terminou Pedro Gomes, justificando com a supremacia dos adversários a ausência de novos êxitos internacionais dos 'leões', que estão atrás dos rivais FC Porto e Benfica, com sete e dois, respetivamente.

Desde a reviravolta sobre os 'red devils', o Sporting nunca mais retificou as seis eliminatórias europeias iniciadas com derrotas por três ou mais golos, cenário que tentará contrariar na terça-feira, ao receber o Bodo/Glimt na segunda mão dos 'oitavos' da Liga dos Campeões, volvido o desaire na Noruega (3-0).

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