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Despacho de acusação do Ministério Público divulga as ameaças e os planos para o ataque em grupos de WhatsApp
O despacho de acusação do Ministério Público (MP), no âmbito das agressões na Academia de Alcochete ao plantel e equipa técnica do Sporting, a 15 de maio, revela as mensagens trocadas entre os invasores.
De acordo com o MP, "os 41 primeiros arguidos quiseram criar um ambiente de pânico e sofrimento físico e psicológico nos ofendidos, sujeitando-os a tratamento não compatível com a natureza humana".
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Através de vários grupos criados no Whatsapp, foram várias as mensagens que incitavam à violência contra a equipa. "Eu quero bater neles e no Jesus também, parecia que tava na praia deitado f******... Inadmissível... Um trienador do Sporting deitado num jogo f****** epa", escreveu o arguido Filipe Alegria, reforçando: "O Bruno de Carvalho é que é maluco, mas é o c****** que vos f***". Quando é sugerido no grupo uma ida a Alvalade ou à Academia, o mesmo arguido responde: "Vamos... Acuña também as mama... Levam todos, até o Paulinho".
Na noite anterior à invasão da Academia, e num outro grupo de Whatsapp intitulado 'Academia Amanhã', o intuito do ato foi sublinhado: "Os jogadores têm de pensar que o Iraque chegou a eles".
O objectivo era reunir elementos que quisessem participar no ataque e tratar da logística. O Ministério Público assegura que a decisão foi tomada já com o conhecimento de Bruno de Carvalho, revela o despacho de acusação elaborado pela procuradora Cândida Vilar, a que a 'Sábado', teve acesso.
O grupo decide que o melhor é ir 30 minutos antes da hora do treino, que já sabem ser às 17h00, e que se desloquem "em caravana". "Paramos os carros e vamos lá para dentro", escreve-se. Controlar os seguranças da academia é outra das preocupações.
Pelas 05h54 de 15 Maio, dia do ataque, João Gomes envia uma mensagem para os companheiros. "Dentro, vamos com tudo", escreveu. O dia avança com trocas de boleias, pedidos de material, indicações para posições e pontos de fuga e dicas para que se vistam de preto. Há quem meta o dia de folga no trabalho para participar no ataque e pede-se também que não se "fale por linhas de tlf normais [sic]" e que as conversas sejam apagadas. O tom violento está patente em vários comentários. João Gonçalves diz que leva uma caçadeira para "arrancar a cabeça do fdp do Acuña [sic]", como refere o despacho de acusação citado pela 'Sábado'.
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