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07 abril

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Jesualdo Ferreira: trabalhador obsessivo

Depois de Benfica e FC Porto faz o pleno nos três grandes, ao servir o Sporting, de onde sai agora...

Jesualdo Ferreira: Um trabalhador obsessivo
Jesualdo Ferreira: Um trabalhador obsessivo

Jesualdo Ferreira é aquilo a que os amigos chamam de “bicho do futebol”. Cumpre o estereótipo do transmontano – teimoso, persistente, trabalhador incansável – mas acima de tudo mostrou-se um homem pragmático, capaz de se adaptar às diferentes realidades e condições de trabalho. Foi esse pragmatismo que o leva a sair agora de Alvalade.

Jesualdo teve de esperar pelos 60 anos para conquistar o primeiro título numa longa carreira de treinador principal, iniciada em 1981, em Rio Maior, na 2.ª Divisão, e isso ajuda a perceber a sua personalidade, que, parecendo uma rocha para quem o vê por fora, acaba por ser tão cheia de dúvidas como qualquer comum mortal.

Subiu a escada do futebol português degrau a degrau até ao topo. Desde clubes de segundo plano (Rio Maior e Torreense) aos primeiros passos no escalão principal que deixaram poucas saudades (Académica, em 1984/85), passando por uma primeira experiência além-fronteiras (FAR Rabat, de Marrocos, em 1995, abrindo as portas daquele mercado a muitos outros treinadores portugueses), sem esquecer a Seleção Nacional de Sub-21, num largo período de quatro anos.

Segundo fôlego

É depois de deixar a FPF, em 2000, que a sua carreira conhece uma verdadeira segunda etapa, definitivamente de maior projeção. No Alverca teve um primeiro brilharete, levando a equipa ribatejana ao 12.º lugar na Liga portuguesa. Daí, o primeiro salto para um dos grandes do futebol português, o Benfica, agora como treinador principal (depois de ter sido adjunto de Toni 10 anos antes, em 1992). Mas as coisas não correram bem e em novembro de 2002 foi demitido por Manuel Vilarinho. Não demorou muito a estar em alta, cumprindo três anos sempre em crescendo ao comando do Sp. Braga, e lançando as bases para o que é hoje um clube de topo no futebol português.

Tricampeão

A passagem para o FC Porto foi tão inesperada como bem-sucedida. E contra uma chuva de críticas e demasiados preconceitos, Jesualdo Ferreira tornou-se no primeiro treinador português a conduzir o FC Porto ao tricampeonato e o segundo, depois de António Oliveira, a conquistar a tripla: campeonato, Taça de Portugal e Supertaça.

Depois do triunfo no Dragão, Jesualdo Ferreira esteve à beira de regressar à Federação Portuguesa de Futebol, no verão de 2010, agora como selecionador nacional, mas acabou por virar-se, de novo, para o estrangeiro. Esteve alguns meses no Málaga, em Espanha, e quase duas temporadas no Panathinaikos, da Grécia, de onde saiu em novembro passado.

O “prof. Jesualdo”, como é conhecido no mundo do futebol português, torna-se, assim, num dos poucos treinadores a trabalhar nos três grandes: Benfica, FCPorto e Sporting. Foi conotado com o Benfica, mas já assumiu publicamente a grande simpatia pelo FCPorto, pela forma como ali foi tratado. O próprio Jesualdo Ferreira resumiu, um dia, os seus 30 anos de carreira: “Sou um trabalhador obsessivo.”

Um treinador sempre dedicado às camadas de formação

Em toda a sua carreira de treinador, Jesualdo Ferreira teve atenções especiais ao futebol de formação. Já na distante experiência com o Torreense, em 1982, deu mostras dessa preocupação, também como forma de ultrapassar as limitações orçamentais. Mas foi nos anos em que esteve na FPF, ao comando dos Sub-21, que se entregou mais à tarefa de buscar novos talentos. Ali, ajudou a lançar as carreiras internacionais de jogadores como Simão Sabrosa, Luís Boa Morte ou Hélder Postiga. É um perfecionista na recolha de informação sobre jogadores e na preparação e planeamento de cada jogo, cada época, cada período específico de competição.

Ao Sporting chegou pelas mãos de Godinho Lopes para ser diretor desportivo mas assumiu as funções de treinador depois dos maus resultados alcançados pelo Vercauteren. Deu oportunidade a vários jovens e  foi para Bruno de Carvalho "uma agradável surpresa".

E na hora do adeus, voltou a mostrar outra das facetas que definem a sua personalidade - a frontalidade. Podia ter-se acomodado, mas nunca o faria e por isso deixa o Sportin.

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