Jovem Fábio é viciado... na sua própria casa
Fábio Rochemback é um rapaz calmo, muito ligado à família e à Natureza e com uma maturidade fora de comum para os 21 anos. Tem ascendência alemã, tanto do lado do pai como da mãe, mesclada com sangue português e raízes índias.
Foge do lugar comum do jogador brasileiro pobre e humilde. É oriundo de uma família tipicamente do interior gaúcho de classe média/alta que nunca passou por dificuldades financeiras. Antes pelo contrário. Quando não está a jogar futebol, envolvido em treinos ou estágios, Rochemback vai imediatamente para Soledade, pequena cidade serrana do Estado de Rio Grande do Sul. Nunca passou um dia de férias longe da localidade onde nasceu. É compreensível.
Em casa, no "sítio" ou na fazenda há muito onde matar o tempo: caçar, pescar, jogar ténis, jogar futebol, jogar "snooker", jogar matraquilhos, comer churrasco, fazer ralis nas estradas da montanha. Além disso, o craque detesta praia.
O núcleo familiar de Fábio é o pai Juarez a mãe Tânia e o irmão Cristian, cinco anos mais velho. O grupo de amigos - cinco ou seis - também é restrito. Na família, e mesmo na cidade, é conhecido por Biro: usava o cabelo comprido em miúdo tal como Biro-Biro, um avançado do Corinthians e o cognome ficou. Não é casado mas tem uma namorada, desde há dois anos, lá da terra: chama-se Luana e é morena. Se for viver para Portugal, a família viaja com ele. Os Rochemback sentem que o jovem Biro precisa de apoio num ambiente diferente, num país que não conhece, num sotaque que custa a perceber.
Irmão piloto
Cristian, irmão de Fábio Rochemback, também está ligado ao desporto. Trabalha no exército mas ocupa o tempo a correr em provas de rali - com bons resultados - e a consertar o carro após as referidas competições. Mais velho que Fábio, Cristian também poderia ter feito carreira mas um acidente levou-o a abandonar precocemente a prática do futebol. Jogava como médio defensivo, destacando-se pelo jogo de cabeça.
«Leões têm mais condições»
Juarez e Tânia estão juntos há 27 anos. A mãe de Rochemback, metade alemã, metade brasileira de origem lusa, é tímida e tranquila. O pai irradia boa disposição. Foi guardião, chegando a titular do América do Rio de Janeiro. O irmão mais novo, tio de Fábio, chegou à selecção sub-20 brasileira. Jefferson, também "goleiro", é da fornada de André Cruz.
O dinamismo de Juarez levou-o a presidir ao clube local, o Grupo Esportivo Pampeiro, e a formar escola de jovens jogadores entretanto extinta. Hoje limita-se a "gerir as coisas": a casa, o sítio, a fazenda e a carreira do filho mais novo. Juarez é também o representante de quatro jogadores das camadas jovens do clube que ama, o Internacional. Com 1,90 metros, ainda gosta de jogar futebol. No Barça fez parte dos veteranos do clube, ao lado de consagrados, por convite. "O Sporting tem 'time' de veteranos?", pergunta.
Juarez vestiu a camisola leonina e adorou. Disse ter aconselhado o filho "a jogar no Sporting, um clube muito grande". Já sabia da Academia e do Alvalade XXI - "Sporting tem mais condições que o Barça". E garante, secundado por Tânia, que "desde sempre quis conhecer Portugal e Lisboa".