Leões em diálogo por Diogo
Diogo confirma ter sido contactado pelo Sporting, mas sublinha que uma eventual transferência para Alvalade depende do Alverca, clube ao qual está vinculado. Ribeiro Teles conversou sexta-feira com Couceiro sobre o assunto. ”Estamos a falar”, diz o médio, que gosta de recuperar a bola e iniciar os lances de ataque: ”Um trinco não deve limitar-se a destruir”
DIOGO confirmou sexta-feira ter sido abordado pelos leões. ”Estamos a falar. Fui contactado pelo Sporting, mas a eventual transferência não depende só de mim, dado que tenho contrato com o Alverca”, disse o médio-centro, a aguardar serenamente o desenvolvimento das negociações. Miguel Ribeiro Teles conversou sexta-feira no Porto sobre o assunto com José Couceiro.
Além de passagem fugaz pelo eixo da defesa – dupla com Andrade nos juvenis –, jogou sempre no meio-campo. ”No centro é onde me sinto mesmo bem. Vivo muito o jogo e entrego-me a cem por cento. Gosto de recuperar a bola e iniciar o ataque. Um trinco não deve limitar-se a destruir”, diz o apreciador do jogo elegante de Redondo.
Diogo tem dois irmãos mais velhos, Ricardo e Daniel. Celebra domingo o primeiro aniversário de casamento com Diana, aproveitando o tempo livre para descansar e... estudar, pois frequenta o terceiro ano de Gestão no ISEG. ”Quero terminar o curso porque gosto de concluir o que começo. É mais uma ferramenta para o futuro”, frisa Diogo, que gosta de ver filmes de acção antes dos jogos para entrar no campo com mais ”ganas”. Se não alterar os planos, vai passar uma semana de férias nas praias da Comporta, seguindo-se sete dias na Tunísia.
Mas voltemos atrás. Tudo começou aos 8 anos, no Dramático de Cascais (emblema da terra onde mora), com o técnico António Pedro. Ficou até aos 12 anos. Ainda foi treinar-se ao Sporting mas, como era muito novo, os pais impediram-no de permanecer em Alvalade, embora ainda tenha jogado o Torneio da CEE, na Bélgica. Aos 13 anos foi para o Estoril. No segundo ano como iniciado ingressou no Sporting, com Ramires, ficando até 95/96.
O primeiro treinador em Alvalade foi Rui Palhares. Sem títulos nas camadas jovens, ainda chegou à selecção. A primeira convocatória, como sub-15, registou-se nas Jornadas Olímpicas da Juventude, em Bruxelas, sob o comando de Vingada e Caçador. Estreou-se ante a Bélgica (3-0) e venceu a competição, ganhando à Espanha (de Raúl, De la Peña, Morientes...) na final.
Após o quarto lugar no Campeonato da Europa de sub-16 (Chipre), o azar atingiu Diogo no Europeu de sub-18, realizado em Espanha. Na véspera da estreia lesionou-se num pé e voltou a casa, perdendo o título. No Mundial de sub-20 (Qatar), cumpriu cinco jogos e Portugal foi terceiro. Ultimamente, esteve em três dos quatro jogos (falhou a Alemanha) da selecção B. Em 94/95 foi emprestado ao Alverca de Vitorino Bastos, seu técnico como júnior, subindo à II Liga. Cedido à Académica, no fim de 95/96 acabou contrato com os leões e retornou a Alverca.
Diogo pelos olhos de quem o conhece melhor
BETO
Antigos companheiros nas camadas jovens do Sporting e também nas selecções, Beto e Diogo selaram amizade inquebrável. ”Conheço-o bem, é um excelente amigo e um profissional admirável. Convivemos em inúmeras oportunidades tanto no Sporting, como envergando a camisola da selecção nacional e, caso volte a Alvalade, uma casa que conhece tão bem, será motivo de grande satisfação. Jogador de elevada qualidade e carácter bem vincado, o Diogo é um elemento de extrema utilidade em qualquer equipa com objectivos ambiciosos. Posiciona-se muito bem em campo, sabe perfeitamente o que pretende e, generoso, coloca os interesses da equipa acima de tudo”, diz Beto.
RAMIRES
Ramires tem seguido bem de perto a evolução da carreira do médio, pois jogaram juntos como jovens leões, na selecção e, agora, no Alverca. Elogios não faltam: ”Tem condições para ser dos melhores médios centrais em Portugal, desde que surja oportunidade numa equipa de outra dimensão. É um futebolista forte, evoluído tecnicamente, dispõe de um remate poderoso e, ao contrário do que muitos pensam, não é lento. Com personalidade forte, representa verdadeira voz de comando dentro de campo, pois uma das suas principais características é incentivar os companheiros durante todo o jogo. Em resumo, tinha valor suficiente para nunca sair de Alvalade.”
JORGE SILVA
Campeão nacional com a camisola do Boavista, Jorge Silva não esconde a satisfação pela hipótese de ver o companheiro de selecções voltar ao Sporting. ”Falar de Diogo é algo de especial, pois está em causa um grande amigo. Se isso se concretizar, estou certo de que é um sonho para ele realizar, pois sei que a saída de Alvalade foi muito dolorosa. Será, acima de tudo, fruto do seu trabalho, porque estamos a analisar um jogador poderoso fisicamente e que executa rápido. Além disso, é agressivo, tem pontapé violento e óptima leitura de jogo, factos que lhe permitem evidenciar-se ao influenciar os movimentos da equipa. Tenho a certeza de que dispõe de tudo para triunfar.”
JESUALDO FERREIRA
”O Diogo passou por uma escola de futebol muito importante, ou seja, o Sporting e alia o carácter competitivo à boa formação. Passou por todas as categorias no plano internacional, incluindo a selecção B. Penso que o interregno entre o Sporting e clubes de escalões inferiores exerceu influência negativa na evolução normal da carreira, retirando-lhe parte do que poderia ter sido se actuasse sempre a um nível mais elevado. Contudo, na última época aproximou-se muito dos patamares normais para um jogador da sua qualidade e parece-me estar na ”pole position” para rendimentos bem mais elevados”, comenta Jesualdo Ferreira, treinador do Alverca.
Quem é quem
Nome: Diogo Maria Sousa Franco Matos
Data de nascimento: 15 de Novembro de 1975
Naturalidade: Lisboa
Altura: 1,80
Peso: 78
Posição: Médio-defensivo
1ª equipa: Dramático de Cascais
Golos em 00/01: 2 (frente ao P. Ferreira e Campomaiorense – ambos na sequência de livres directos de fora da área.