Montero soltou a raça

O dianteiro colombiano encerrou a sua pena de dez meses sem golos e, no 25 de Abril, revolucionou uma partida onde o leão sofreu para romper o bloqueio. A leitura de Marco Silva teve prémio e há Sport

Montero soltou a raça
Montero soltou a raça • Foto: carlos gonçalves
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A pena parecia interminável, mas Montero lançou finalmente o seu grito de revolta e pode encarar com outro alívio o resto da temporada. Após praticamente dez meses sem marcar, o colombiano reclamou o protagonismo perdido e, para além de um papel tático determinante numa partida para a qual foi lançado com o marcador encravado no nulo, conseguiu o tal golo que lhe fugia sem explicação plausível. A sua aparição transformou um encontro embrulhado, muitas vezes carente de discernimento, numa avenida onde o Sporting acelerou de forma implacável rumo a uma saborosa goleada: a 2.ª consecutiva fora de casa após o festival de Barcelos.

Consulte o direto do encontro.

Com saídas aos terrenos de FC Porto, Schalke 04 e V. Guimarães no horizonte, havendo receção ao Marítimo a seguir à Champions, foi um Sporting com estofo o que teve de suportar todas as dificuldades sem adulterar os seus princípios até ser capaz de arrancar o triunfo a um adversário abnegado. É certo que Slimani utilizou a sua envergadura para se impor duplamente aos centrais, mas isso só sucedeu quando Montero começou a rasgar a teia penafidelense para soltar a raça leonina. Marco Silva percebeu a tempo que tinha de libertar a equipa da armadilha montada por Rui Quinta (dois jogos sem golos sofridos na 1.ª Liga) e demonstrou uma leitura magistral. Após tantos elogios sem efeitos práticos na concretização de vitórias, até o técnico leonino, também ele a crescer com a equipa, deve dormir mais tranquilo, depois de ter introduzido na equação o dado crucial que o oponente foi incapaz de processar a tempo de evitar o descalabro.

A inteligência de Montero deu mesmo outra face ao encontro. O sul-americano explorou os espaços entre as linhas durienses e serviu de fio condutor para unir as pontas soltas entre os diversos sectores sportinguistas, criando uma corrente que rapidamente deu choque. Isto já com Adrien, que teve de esquecer a gestão de esforço, a tomar as rédeas do miolo e a reforçar o impulso ofensivo que se exigia. Quinta pode não o admitir, mas cometeu o erro de convidar Marco Silva a prescindir dos redundantes William Carvalho e André Martins a partir do momento em que o seu conjunto foi perdendo gás com o decorrer dos minutos, sendo completamente incapaz de criar perigo. A estratégia careceu de um segundo fôlego menos superficial do que a troca direta de Guedes por Rabiola no eixo ofensivo, sem nada ter sido feito para que a bola alguma vez lá chegasse...

Amplitude

A realidade é que o Penafiel deixou-se envolver pelo conforto que lhe foi sendo garantido pelas sucessivas imprecisões leoninas no último terço do terreno, onde a aglomeração de adversários frustrava movimentações, é certo, mas também deixava em evidência uma inépcia que complicava os planos de Marco Silva. O Sporting oscilou na tal intensidade que se pretendia ao nível da vista frente a FC Porto e Chelsea e, apesar de alguns momentos de notável pressão a asfixiar a saída de bola do adversário, permitiu que Nani ouSlimani teimassem em deixar a incerteza arrastar-se até ao risco de um nervosismo desnecessário. O susto provocado por Guedes ante Rui Patrício, após deslize de Sarr, foi um esforço isolado.

Afinal, o leão teve convicção e não sentiu as pernas tremer face a um registo de apenas duas vitórias na temporada oficial que anulava qualquer margem de erro para novo desperdício. O renascimento de Montero, que até teve a ousadia de servir Nani no derradeiro golo da noite, é excelente notícia para Marco Silva e assegura uma amplitude tática de comprovada viabilidade. No Dragão, para a Taça de Portugal, o duelo é de vida ou morte, mas com este leão cada vez mais capaz de ferir.

O homem do jogo: Montero

Há quase dez meses sem marcar, Montero voltou a fazer o gosto ao pé mas, principalmente, comprovou que tem qualidade e recursos para ser útil à equipa. Ajudou a libertar Slimani e ainda serviu Nani para o seu tento. Reforço a irromper em boa altura.

Árbitro: Rui Costa (nota 2)

Dois lapsos com relevo

Numa partida tão disputada, a falta que não assinalou sobre Slimani na grande área, aos 40’, podia ter peso decisivo no resultado. Montero estava em fora-de-jogo quando Capel cruzou para o 0-3.

NOTA TÉCNICA

Rui Quinta (2)

Arrastou o encontro para o cenário que lhe interessava, bloqueando os leões, mas com uma perigosa tendência para o recuo no terreno. O Penafiel foi inofensivo após o intervalo e colocou-se a jeito para o massacre na reta final.

Marco Silva (4)

Apostou na circulação de bola face à muralha duriense mas, não estando as insistências a dar resultado, mudou o figurino e acertou em cheio. Montero desestabilizou a organização adversária e o triunfo foi ganhando volume.

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