Nem com oferta da China
Sporting cede pontos pela terceira vez esta temporada. Já são seis perdidos em quatro jornadas, mostrando que o processo evolutivo de que Marco Silva fala tarda em impor-se. A liderança fica cada vez
Pela terceira vez esta época, o Sporting cedeu pontos. Já são seis perdidos em apenas quatro jogos da Liga e, desta vez, ao contrário do que aconteceu no último jogo em casa com o Arouca, não surgiu um salvador nos descontos, que retirasse a equipa do purgatório em que se encontra, muito por culpa dos pecados na finalização. Marco Silva não se cansa de afirmar que a equipa está em processo evolutivo, mas os resultados tardam em comprovar as palavras do técnico e a margem para o desperdício torna-se mais reduzida.
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É certo que houve sempre mais Sporting no jogo, como atestam os números da posse de bola (69 por cento contra 31 do Belenenses), mas mais não significa propriamente um melhor rendimento e a penalização pelo desacerto ainda poderá ser maior, caso o FC Porto ganhe hoje em Guimarães. Um dia depois da lição de eficácia do Benfica em Setúbal, o leão não encontrou solução para os seus problemas e demonstrou que um lar nem sempre é doce. Já o Belenenses esteve perto de fazer história em Alvalade, mas no final lá levou um ponto e marcou um golo, o que não conseguia há nove anos.
Um prémio para a estratégia de garra e capacidade de sofrimento que Lito Vidigal conseguiu incutir. O técnico promoveu a estreia de Nélson no lado direito, embora num posição mais adiantada, mantendo Palmeira como lateral-direito. Dessa forma, procurou dar velocidade ao flanco e, ao mesmo tempo, garantir maior cobertura defensiva, perante a ameaça de Nani. O extremo começou por liderar a ofensiva leonina, encantando as bancadas com o seu repertório técnico, mas faltou sempre um escudeiro a este cavaleiro.
As investidas de Nani iam disfarçando as dificuldades de construção do Sporting, muito por culpa das ações de Sturgeon e Deyverson, que bloquearam a saída de bola através de William Carvalho. O Belenenses atacou quase sempre com poucos, mas defendeu com muitos, impedindo que o jogo entre linhas de Adrien e André Martins tivesse expressão ou causasse danos a Matt Jones. O plano de Lito para o sucesso contava também com o erro do adversário ou com algum adormecimento do leão. O que aconteceu. Depois de um primeiro aviso de Sturgeon, os azuis chegaram ao golo, no seu segundo remate à baliza de Rui Patrício. O Sporting revelou, então, paciência para não se perturbar, face à desvantagem, e chegou ao empate, aproveitando um erro de Bruno China, que isolou Carrillo. O peruano agradeceu a oferta e bateu Matt Jones. Pouco depois, Nani arrancou de moto da ala para a área, assistiu Slimani, mas o argelino desperdiçou a oportunidade de ferir de morte o Belenenses.
As estratégias mantiveram-se no segundo tempo, embora com o leão a conseguir dinamizar melhor os corredores. Carrillo protagonizou, então, um lance brilhante, tabelando com dois companheiros antes de servir Esgaio, que não revelou arte para superar Matt Jones. A pressão prosseguiu, só que que o domínio raramente se traduziu em situações claras de finalização. O Belenenses foi aguentando e assustou aos 57’, quando Deyverson surgiu isolado perante Rui Patrício. Valeu, então, a intervenção do guarda-redes, que soube esperar e impedir o remate vitorioso do brasileiro.
Depois vieram as substituições. De uma assentada, Marco Silva retirou Carrillo e André Martins e apostou nas transições rápidas de Mané e na capacidade desequilibradora de Capel. Também sem resultados. O tempo foi passando, tal como o discernimento e, já numa fase de descontrolo emocional, Jefferson acabou expulso. Foi o menor dos problemas, pois, ainda assim, Slimani dispôs de duas oportunidades soberanas para marcar, ambas anuladas por Matt Jones. O Sporting desperdiça mais dois pontos e a liderança fica mais longe.
Melhor em campo: Nani (nota 4)
Já conseguiu disfarçar a ansiedade e mostrar grande parte do enorme talento. As suas arrancadas chegaram a causar mossa no flanco esquerdo e a deslumbrar os adeptos, só não pode pensar que tem de ser ele a fazer tudo.
Árbitro: Cosme Machado (nota 4)
Eram escusados os empurrões
Analisou de forma correta os lances mais complicados. O único reparo a fazer a Cosme Machado diz respeito à expulsão de Jefferson. Fica-lhe mal a demonstração de força.
NOTA TÉCNICA
Marco Silva (2)
Apostou no mesmo onze que empatou na Luz e o saldo foi igual. As exibições tardam em convencer e as soluções que saem do banco estão longe de provocar evolução na equipa. Seis pontos perdidos causam mossa.
Lito Vidigal (3)
A estratégia acabou por dar frutos. Começou por conseguir anular a primeira fase de construção do leão, bloqueando as saídas de bola de William, e evitou quase sempre que Slimani impusesse a sua presença física.