Parecer do Sporting sobre a questão dos títulos vai ser votado pela AG da FPF

Ponto não estava na ordem de trabalhos mas foi admitido por proposta de dois elementos do Conselho Diretivo dos leões

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• Foto: Sporting CP
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O parecer do Sporting relativo à questão dos títulos foi admitido à votação na assembleia geral da FPF, que terá lugar no próximo dia 29 de junho.

O documento não fazia parte da ordem de trabalhos mas foi incluído a pedido de Francisco Salgado Zenha e Miguel Nogueira Leite, delegados da AG da FPF e elementos do Conselho Diretivo do Sporting. O parecer dos leões é subscrito por Diogo Ramada Curto e Bernardo Pinto da Cruz.

Os leões consideram que o Campeonato de Portugal (CP), organizado entre 1921 e 1938 em formato de eliminatórias, era a prova mais importante do calendário, logo precursora da Liga e não da Taça de Portugal, pelo que o seu vencedor seria o campeão nacional  de pleno direito. Um estatuto que, em contrapartida, deveria ser retirado aos clubes que ganharam  a Liga Experimental (LE), entre 1934 e 1938.

Neste cenário, o Sporting juntaria quatro títulos ao palmarés (1922/23, 1933/34, 1935/36 e 1937/38). O Benfica manteria os 37 (perdendo três na LE e somando três do CP), enquanto que o FC Porto totalizaria 32 em vez de 29 (menos um na LE e mais três no CP) e o Belenenses quatro em vez de um (arrecadou três CP). Na lista de campeões, além do Boavista, passariam a estar ainda o Olhanense, o Marítimo e o Carcavelinhos.

 

Nenhum dos dois pareceres que já faziam parte da ordem de trabalhos da AG da FPF satisfazia as pretensões do Sporting. A decisão será dos delegados das associações distritais, de classe é demais sócios (Liga incluída). A FPF nunca manifestou publicamente uma posição própria sobre o assunto. "É um tema no qual não votarei (...). Mas o Sporting e todos os outros clubes merecem que a Assembleia Geral, suportada pelos pareceres académicos, tome uma decisão", dizia Fernando Gomes em entrevista a Record, a 25 de fevereiro.

O clube colocou o tema na agenda em 2016, ao tempo da direção de Bruno de Carvalho. A 17 de dezembro de 2020, Frederico Varandas entregou na FPF um "parecer histórico e independente", elaborado por Diogo Ramada Curto e Bernardo Pinto Cruz, investigadores do Instituto Português de Relações Internacionais, a partir de uma pesquisa de Paulo Almeida, funcionário do Sporting. Em maio, o clube festejou não o 19.º mas o 23.º título da sua história, como foi visível por exemplo no autocarro que transportou a equipa. É essa a informação que o Sporting usa em todas as referências ao tema.

Pareceres concorrentes

Os dois pareceres concorrentes do Sporting propõem visões distintas.

O parecer 1 (de Amândio Barros, Manuel Janeira, Ricardo Pereira e Sílvia Alves) defende que os vencedores do Campeonato de Portugal (CP) entre 1921-22 e 1933-34 devem ser considerados campeões nacionais e acrescenta que só a partir de 1934-35 é que se pode considerar o CP como antecessor da Taça de Portugal, pois data dessa temporada o arranque do designado ‘Campeonato das Ligas’ (passando a haver duas provas consideradas de âmbito nacional). Neste cenário, seriam atribuídos mais três títulos ao FC Porto e ao Belenenses, dois ao Sporting e ao Benfica e um a Olhanense, Marítimo e Carcavelinhos. O palmarés da Taça de Portugal seria retocado com mais dois troféus para o Sporting  e uma cada a Benfica e FC Porto.

Já o parecer 2 (Francisco Pinheiro) mantém que o Campeonato de Portugal é o antecessor da Taça de Portugal enquanto o ‘Campeonato das Ligas’ precedeu campeonato nacional. Assim, o quadro de campeões ficaria inalterado. A lista de vencedores da Taça de Portugal passaria a contemplar mais quatro para Sporting e FC Porto, mais três para Benfica e Belenenses e uma para Olhanense, Marítimo e Carcavelinhos.

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