Pedro da Cunha Ferreira: «Havia a perceção de que o Sporting não recebia mal as equipas de arbitragem»
Cunha Ferreira revela em tribunal conversas que envolvem antigos homens-fortes do futebol...
Pedro da Cunha Ferreira confirmou ontem em tribunal que Luís Duque e Carlos Freitas, enquanto responsáveis pelo futebol verde e branco, tinham conhecimento do esquema de "acompanhamento" dos jogadores. Algo que os dois antigos dirigentes leoninos negaram nesse mesmo tribunal. "Assisti a conversas sobre essa questão, na presença de todos esses intervenientes", assumiu o antigo vogal da direção dos leões, em mais uma sessão do julgamento do Caso Cardinal, reforçando:"Existia esse conhecimento desde a primeira hora. Não só da SAD, como do conselho diretivo, Duque e Freitas incluídos. Esse foi um pormenor conversado, ainda em período eleitoral, pelo presidente, pelo Paulo [Pereira Cristóvão] e Luís Duque. Ficou definido que essa seria uma responsabilidade que ficaria a cargo do Paulo."
Camisolas e... Jubas
Outra responsabilidade que ficou a cargo do antigo inspetor da Polícia Judiciária, quando assumiu funções no Sporting, foi a receção aos árbitros em Alvalade. "Havia a perceção de que o Sporting não recebia mal as equipas de arbitragem, mas poderia fazê-lo melhor", revelou Pedro da Cunha Ferreira, prosseguindo: "Passaram a ser recebidos ao mais alto nível, por um vice-presidente do clube [Paulo Pereira Cristóvão] e o clube passou a oferecer-lhes uma camisola, com o nome e a idade estampados, e, no caso de terem filhos, um peluche do Jubas, a mascote do clube."
Era Pereira Cristóvão que providenciava junto da Loja Verde estes presentes, que, garante o antigo diretor-geral da SAD, nunca foram "recusados" ou deixados no balneário. "Houve também uma melhoria da comida que lhes era fornecida antes e depois dos jogos", concluiu Cunha Ferreira.
Noventa euros para o... "Zé"
Filipe António Perna surgiu em tribunal como o homem que liderava uma lista de informadores, que tinham como missão alertar o clube para eventuais comportamentos desviantes dos futebolistas profissionais do Sporting."Eram umas 10 pessoas" distribuídas pelos bares e discotecas de Lisboa. "Recebiam 80 ou 90 euros", confessou Perna.Cada um? Foi aqui que a testemunha começou a contradizer-se. "Não, todos!", disparou, confirmando que recebia o dinheiro dos pagamentos de Pereira Cristóvão, mas deixava a distribuição do mesmo a cargo de alguém, com quem se encontrava à porta do Urban, que não tinha nome.Tinha uma alcunha. Simplesmente... "Zé".
A confusão era tal, que acabou por admitir ter recebido 150 euros, para acompanhar a direção num jogo no Estádio da Luz. Para fazer segurança? "A finalidade não era essa, era acompanhar as pessoas e ver o jogo", concluiu, nitidamente baralhado. *