Peyroteo: a fúria de um avançado demolidor
Ano e meio foi suficiente para chegar à Seleção e pulverizar todos os recordes do futebol
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Peyroteo não demorou a expressar-se ao mais alto nível. Debateu-se com muitas dificuldades, incluindo físicas, apesar de ser um atleta extraordinário, embora as mais relevantes fossem de teor técnico. Era alto e corpulento, com articulação motora deficiente, mas com instinto goleador perfeito, de remate fácil e capacidade para adivinhar o lugar e o momento certos para aplicar o toque fatal. Dir-se-ia que as virtudes chegavam e sobravam para ultrapassar as debilidades, embora a experiência e o contacto diário com os seus treinadores o impelissem a concretizar o imenso projeto futebolístico que sempre foi. Num tempo em que os avançados levavam a melhor sobre os defesas com facilidade, os seus números tornaram-se obscenos. Na mesma altura, num futebol em tudo idêntico, os benquistas Julinho e Arsénio, bem como o portista Correia Dias, também deram satisfações à estatística, de modo que ainda hoje estão nas listas dos melhores marcadores de sempre. Mas ficaram a léguas de Peyroteo.