Pote recorda o início da carreira: «Quiseram assaltar-me mas fiquei com o cromo do Iniesta»

Atacante do Sporting lembra as várias fases até chegar a Alvalade

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• Foto: Sporting CP
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Pote foi o jogador escolhido para celebrar o 10º aniversário da Sporting TV e, numa conversa descontraída, o jogador leonino recordou os momentos mais importantes da sua carreira que levaram à sua chegada a Alvalade. Tudo começou no futebol de rua em Vidago, onde um miúdo franzino não escondia o mau humor quando perdia.

"Passávamos tardes a jogar na rua e depois era também o ringue da escola onde fazíamos os torneios de 3 equipas que ainda se fazem nos clubes. Os mais velhos deixavam-me jogar com eles e eu era sempre um dos primeiros a ser escolhido apesar de só andar no 6.º ano, pois eles sabiam que estavam mais perto de ganhar se o fizessem. Mesmo com os meus irmãos era melhor, mas quando perdia levava a bola e ninguém mais jogava", disse, sorrindo, recordando quando trocou a casa paterna para ir jogar no Sp. Braga: "Ficava na casa de uma senhora que recebia jogadores. Na época tínhamos uma carrinha que nos levava à escola mas os treinos eram só à noite, por volta das 18h30-19h00, e depois dessa hora não tinha mais ninguém. Eu ia do restaurante para casa dessa senhora onde estavam os jogadores mais novos e isso fazia às 21h00-22h00. Certa vez fui ‘meio assaltado' por miúdos da minha idade, num sitio mais escuro, onde me pediram para mostrar os meus cromos... eu mostrei os cromos e quiseram levar o meu Iniesta e depois perguntaram por dinheiro e pelo telemóvel. Quiseram-me assaltar mas fiquei com o cromo do Iniesta, pois fui mais rápido. Nessa altura passei momentos difíceis, chorei, e disse mesmo à minha mãe que queria voltar a casa".

De Espanha a Inglaterra

De Braga prosseguiu a carreira em Espanha, ainda como menor, e reconhece que os piores momentos foram passados quando ingressou no Valencia.

"Possivelmente aguentei pelo que já tinha passado em Braga e se isso não tivesse acontecido provavelmente tinha vindo embora, pois estive um ano sem competir no primeiro ano, só estava a treinar. A FIFA dizia que me podia inscrever mas tive de esperar até aos 18 anos e só faço anos na nova época. Foi chato pois em Valencia só joguei 6 meses. Queriam que eu renovasse, mas o meu empresário dizia-me que era melhor não o fazer e ir para o Wolverhampton... em 2 anos joguei seis meses", recorda o internacional português, que destaca a evolução registada em Inglaterra: "Foi a escolha acertada pois eu era um jogador mais molengão e ali tive o estímulo do ginásio, correr muito mais, sprintar, e correr distâncias a alta velocidade. Depois decidir voltar pois no Wolverhampton seria emprestado a um clube do 2º ou do 3º escalão. Decidi então com o meu empresário que era melhor voltar ao Famalicão onde não tinha a garantia de que ia ficar no plantel principal. Nessa fase tive de dar à perna até o treinador gostar de mim pois a ideia era ficar na equipa B, mas gostaram de mim. Não imaginava de certeza algum dia chegar aqui pois sou um miúdo de Vidago que passou muito para chegar a um clube tão grande como o Sporting. Estou muito orgulhoso da minha carreira".

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