Relvado é para manter
O Sporting decidiu manter o relvado, o sexto do novo Estádio José Alvalade, baseando-se no parecer dos técnicos que fazem a manutenção do mesmo. Esta deliberação resulta da convicção de que o tratamento está a surtir os efeitos desejados, além de que um novo piso custaria aos cofres leoninos perto de 100 mil euros e necessitaria de duas a três semanas para estar em condições de ser utilizado.
Assim que terminou o encontro com o Penafiel, domingo passado, Paulo Bento não se conteve. "Dificilmente conseguimos acertar com o relvado! Já vamos no quarto em quatro anos que levo de treinador." Ontem à tarde, a Comissão Executiva do Sporting reuniu-se com especialistas portugueses, ingleses e holandeses e representantes da Faculdade de Ciências de Lisboa, instituição que tem trabalhado com o clube de Alvalade e que já diagnosticou o problema - uma praga de algas. Ficou reforçada a ideia de não é necessária solução radical, pois, apesar da aparência sugerir o contrário, o relvado está a reagir positivamente ao tratamento.
Areia faz parte da solução
Ao que apurámos, a camada de areia que era visível do lado norte do relvado no encontro da Taça de Portugal faz parte do processo de resolução do problema e destina-se a absorver a humidade das algas. Em Alvalade, há a convicção de que quando a formação de Paulo Bento realizar o próximo jogo em casa, frente ao Marítimo, a 1 de novembro, já o piso estará em melhores condições. Aliás, a avaliação feita pelas equipas de manutenção indica que o relvado está melhor do que se encontrava nos encontros com Hertha e Belenenses.
Após o concerto que os AC/DC deram em Alvalade, em junho último, os responsáveis leoninos hesitaram em remover o anterior relvado, que reagira bem ao impacto do espetáculo da banda australiana. Ainda assim, optaram por substituí-lo. Os problemas começaram em final de agosto, mas crê-se que são resolúveis.
Quando o calor estraga
O Estádio José Alvalade, desenhado pelo arquiteto Tomás Taveira, foi inaugurado a 6 de agosto de 2003, dia em que o Sporting defrontou o Manchester United. Desde então, o recinto leonino já conheceu seis relvados, o que dá uma média de um por ano.
A raiz do problema remonta praticamente à inauguração do estádio. Etem a ver com questões de ordem natural, mas também arquitetónica. Por exemplo, o topo norte está demasiadamente exposto ao sol. Entre as extremidades norte e sul há uma diferença de 10 graus. Além disso, as altas temperaturas que se verificaram no verão e em outubro não ajudaram; bem pelo contrário, prejudicaram o tapete, pois impedem que a relva cresça.
Outra deficiência detetada é a menor ventilação do estádio, quando comparado como os recintos dos rivais. A cobertura, mais fechada, tem efeitos na acústica, mas permite menor entrada de luz.
As más condições dos relvados, que estiveram na origem de um diferendo entre Sporting e RED, empresa que colocou o primeiro, já provocaram três substituições. Por outro lado, os concertos dos Rolling Stones, em junho de 2007, e dos AC/DC, em junho deste ano, levaram à remoção de outros dois.