Sindicato de Jogadores contra naturalização de Liedson

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O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) manifestou uma "posição de repúdio" sobre o processo de naturalização do brasileiro Liedson e anunciou que pedirá uma reunião ao presidente da Federação e ao selecionador nacional Carlos Queiroz.


 


Joaquim Evangelista, presidente do SJPF, disse hoje que "o atleta português está em extinção" e acentuou que Gilberto Madail, líder federativo, e Carlos Queiroz, técnico nacional, devem reflectir sobre "o perigo que representa para o futuro" a naturalização do avançado do Sporting.


 


O dirigente sindical falava durante a apresentação do estudo sobre utilização de jogadores estrangeiros na época de 2008/09, realizada no Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa.


 


Evangelista, que se referiu à naturalização de estrangeiros "através de 'fatos e medida'", ressalvou que nada tem "contra o jogador estrangeiro",  mas sublinhou a preocupação pela tendência de desvalorização do futebolista português, que tem como "consequências a descaracterização dos clubes e  a perda da identidade das selecções nacionais".


 


Evangelista, que disse ser necessário também levar o assunto a Luís  Figo e a Carlos Godinho, director desportivo da FPF, declarou que "a pré-época revela que a tendência de aposta maciça de jogadores estrangeiros é para se agravar" e observou que "há cada vez menos atletas portugueses que jogarão futebol", por não terem "possibilidade de progredir na sua carreira".          


 


Além de lembrar o projecto Casa das Transferências, um órgão que garantia "transparência" e que era uma proposta do secretário de Estado da Juventude e do Desporto, o presidente do SJPF defendeu também que é necessário "uma  política de racionalidade e equilíbrio na defesa do jogador português".        


 


"Somos confrontados com o desemprego e, consequentemente, com a emigração  do jogador português para países onde os problemas são ainda maiores. Temos  de inverter esta tendência e dar oportunidade ao jogador português, no sentido  de os promover efectivamente", notou.         


 


O sindicalista alertou para os dados do estudo do SJPF e para a análise  do Observatório Internacional do Jogador, que, sublinhou, dissipam todas  as dúvidas sobre a utilização de profissionais estrangeiros em detrimento  de portugueses e motivam "o grito de alerta para a defesa permanente do  jogador português".         


 


O estudo do SJPF revela que 123 estrangeiros (55 por cento) foram utilizados  na Liga na época passada, enquanto o número de atletas naturais de Portugal  fixou-se em 100 (45 por cento).         


 


Quanto aos valores médios por escalões etários, Evangelista denunciou a fraca aposta em jogadores com menos de 23 anos (67 jogadores, a que corresponde  30 por cento), constatando que quase metade dos futebolistas utilizados  na Liga (102/46 por cento) pertenceram à faixa dos 24 aos 28 anos.

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