Sporting-Boavista, 2-0: Um xeque-mate sem mácula...
“O Sporting de ontem não facilitou. Nem vacilou. Muito menos perdeu a calma e a concentração com a vantagem. O Boavista, ao invés, pareceu estar a ensaiar uma estratégia (com três centrais) para a qual não está devidamente preparado. O respeito que impõe o tridente leonino...”
DA IMPORTÂNCIA da vitória leonina sobre o Boavista, no decorrer do campeonato, se encarregará o futuro de escrever. Dos três pontos ontem amealhados, desses, não restam dúvidas de que assentam como uma luva à equipa que melhor se exibiu e mais fez pelo triunfo. O Sporting não deu hipóteses e foi praticamente sempre superior ao seu adversário, que, de resto, nem uma oportunidade de golo conseguiu fabricar nos noventa minutos.
Jaime Pacheco apostou pela primeira vez (já há alguma vez o tinha feito em épocas anteriores?) em três centrais e não colheu frutos. Fê-lo, certamente, para procurar travar o ímpeto e a valia do tridente constituído por Jardel, João Pinto e Niculae. A perder por uma bola, a meio da primeira parte, não teve pejo em reforçar o “miolo” com a entrada de Pedro Santos, em detrimento do lateral esquerdo Erivan. Equilibrou ligeiramente as operações no meio-campo, Silva e Martelinho tiveram um pouco mais de apoio, mas então já o Sporting estava moralizado pela vantagem e muito seguro nas suas acções colectivas, nomeadamente na solidez do sector recuado, onde se pode integrar, neste contexto, Paulo Bento, o médio de características mais defensivas.
Bölöni, por sua vez, lançou Hugo Viana a titular e o miúdo correspondeu. Com Rui Jorge e João Pinto ajudou a desequilibrar as operações pelo flanco esquerdo, por onde os leões mais carrilaram jogo durante os iniciais 45m. À direita, menos solicitada, César Prates nem se preocupava muito com Martelinho. Aliás, a saída de Erivan e a mexida inerente protagonizada por Jaime Pacheco teve precisamente o alcance de aproveitar a toada menos fluente do onze da casa pelo corredor direito. E foi Martelinho, na circunstância, a vigiar as manobras ofensivas de César Prates.
O golo de João Pinto, de bela execução técnica, foi plenamente merecido. O Sporting mandava no jogo e ganhava a batalha do meio-campo, onde o Boavista poucas bolas recuperava. Acresce que é neste sector que os actuais campeões nacionais fazem bastas vezes a diferença...
Mas ontem nem Petit logrou dar asas à sua imaginação. E Sanchez só após a entrada de Pedro Santos ficou com maior liberdade. Seja como for, tanto Silva como Martelinho foram sempre fáceis presas de Beto, André Cruz e Babb.
O Sporting, não obstante Niculae ter estado algo apagado, preencheu muito melhor todas as zonas do terreno. O trio atacante prendeu os três centrais do Bessa (Loja, Pedro Emanuel e Turra) e até Frechaut andou amiúde atrás de João Pinto.
Por outras palavras, o Sporting não deixou jogar o Boavista. O início da segunda parte ainda deu a ideia de que os visitantes estavam a crescer, mas o 2-0, por Jardel, na conversão de uma grande penalidade, foi o xeque-mate num xadrez que raramente transmitiu a sensação de poder discutir o resultado.
Jaime Pacheco (que acabou por ser expulso, devido a protestos) tentou tudo e foi apostando em elementos de ataque, como Serginho e Márcio Santos. Inclusive, fez sair Pedro Emanuel. Mas sem resultados práticos.
Em suma, o Sporting de ontem não facilitou. Nem vacilou. Muito menos perdeu a cabeça com a vantagem. Ao invés, o Boavista pareceu estar a ensaiar uma estratégia para a qual não está devidamente preparado.
A arbitragem de ISIDORO RODRIGUES tem claramente sinal negativo. Esteve mal ao anular o “golo” a Niculae (14m), pois o romeno não estava fora-de-jogo na altura do centro-remate de Beto. Deixou passar em claro um “penalty” cometido por Pedro Emanuel sobre Jardel (56m) e exagerou ao expulsar Beto e Silva. Chegava o cartão amarelo...