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Tiago Fernandes explica regresso à linha de 3 defesas, titularidade de Rui Silva e dupla Suárez/Ioannidis
Técnico interino vai assumir lugar deixado vago por Rui Borges
Em declarações à Sport TV a pouco mais de uma hora do apito inicial do jogo com o Shakhtar Donetsk, Tiago Fernandes justificou de forma bastante alongada as suas opções iniciais para o duelo ante os ucranianos. Da dupla de ataque, à escolha da baliza e ainda o porquê do regresso ao trio de defesas, o interino que sucedeu a Rui Borges explicou tudo.
A aposta na frente, com Suárez e Ioannidis
"Sim, vão jogar os dois, para tentarmos surpreender o Shakhtar e aproveitar as debilidades deles em alguns momentos. Na minha opinião, como temos dois grandes avançados - para mim, os melhores de Portugal -, ter o prazer de os ter aos dois juntos a ajudar a equipa do Sporting é um momento bom. Falei com eles, sentem-se bem a jogar um com o outro. Para a estratégia do jogo de hoje também foi importante a comunicação com eles para explicar o que pretendia, até porque tínhamos pouco tempo para treinar. Foram muito recetivos. Pretendemos tentar surpreender o Shakhtar, sobretudo no momento de transição defensiva deles, já que não é uma equipa que controla tão bem a profundidade. Tendo os dois a procurar esses espaços, com o Doumbia por trás, pode ajudar-nos. Ter o Maxi e o Geny mais projetados para criar situações de um-para-um e cruzamentos também nos pode ajudar a ter os dois na área. Na bola parada são muito importantes, tanto defensiva como ofensivamente. Fiz o melhor para tentar surpreender esta equipa, que tem muita qualidade, sobretudo em termos técnicos. Vamos a jogo com estes dois jogadores na frente."
O resto do onze e a explicação
"Posso dizer: vai jogar o Rui [Silva] na baliza. Já sei que vocês vão perguntar porquê o Rui: hoje vamos jogar com uma linha de três e o Rui na saída de bola é importante para desgastar os avançados do Shakhtar. Pretendo claramente tirar força e energia aos jogadores mais fortes deles, que, quando estão frescos, lúcidos e no um-para-um, estão claramente acima da média em termos de qualidade técnica. Tendo um guarda-redes que nos dá essa qualidade a partir de trás e facilidade em ter mais bola na primeira fase de construção, permite-nos atrair esses jogadores para procurar espaços nas costas. Montamos um losango no meio-campo, com Altimira, Silas, Doumbia e Fotis, para fazer muitas situações de quatro para três. Temos opções na largura para variar o jogo a qualquer momento com o Maxi e o Geny, muito fortes no um-para-um. Tendo esses quatro para três no meio, sabemos que o Suárez também vai ter sempre espaço para atacar a profundidade quando eles estiverem em desequilíbrio. Foi tentar procurar em pouco tempo os pontos fracos deles e colocar jogadores fortes a perceber esses timings. Depois, jogar com elementos que já têm uma cultura e experiência tática, como estes que vão entrar de início."
"Na linha defensiva teremos Quaresma, Eduardo Felicíssimo e, na esquerda, o Inácio. Depois, Maxi de um lado e Geny do outro como alas. No meio-campo jogamos a três: com o Silas mais posicional, duplo pivô com Silas e Altimira, e depois o Doumbia a pegar no 6 deles, que é a referência da equipa na primeira fase de construção. O Doumbia tem ali uma referência posicional importante no campo para conseguir pressionar à vontade. Encaixamos dois para um a defender e, com os dois pontas a saltar nos dois centrais, fica homem para homem na frente, quatro para quatro. Muitas das vezes, quando o lateral baixa na linha, montamos uma linha de quatro atrás com o lateral projetado. É uma equipa que joga muito bem; se os deixarmos jogar vão desgastar-nos bastante. Temos de saber pressionar melhor, ser assertivos e ter igualdade numérica no momento da pressão. Se eles tiverem vantagem de um homem com o guarda-redes, procuram muitas tabelas. É uma equipa claramente preparada para isso; o Arda também jogou no Barcelona e conhece bem esses momentos.»
Quando um treinador entra com pouco tempo de trabalho, prefere não mexer muito e aproveitar o que já vinha a ser feito. Tiago Fernandes faz o contrário. Vai ter de assumir também essa responsabilidade.
"É por isso que sou treinador, é para tomar decisões. Quero o melhor para o Sporting. Não mudei nada para dizer que alguma coisa estava mal, até porque o Sporting vem de duas vitórias e estava num momento bom em termos de resultados. Acho que é o melhor para o jogo de hoje, em função também de não ter alguns jogadores disponíveis a cem por cento. Este jogo vai exigir muito de nós, temos de estar todos a cem por cento. A linha de três tem a ver com necessidades momentâneas. Ter o Ba e o Fresneda um bocadinho limitados também nos limita nas opções. Optámos por este sistema porque os jogadores compreendem. Hoje em dia os jogadores são muito inteligentes taticamente e conseguem interpretar bem as ideias. Tivemos tempo para treinar todos os momentos do jogo, não com tanta repetição nem tantos dias de trabalho, mas deu para passar a mensagem e eles estiveram recetivos, que é o mais importante para mim. Sentem-se bem dentro de campo, por isso acho que vai correr bem."
A estratégia para o jogo de hoje tem o intuito de pressionar mais alto, dar mais liberdade ao Maxi e dar-lhe mais corredor e profundidade para se poder esticar?
"Na bola de saída do Shakhtar procuramos jogar no meio... Eles saem bem a jogar. Procuramos que eles recorram às bolas longas, onde tiramos vantagem disso. A segunda bola com o Altimira, que é muito inteligente, e com o Silas nas segundas bolas. Procuramos pressionar alto para lhes criar dificuldade. Depois, uma das coisas mais importantes para mim é defendermos com linha de cinco só perto da baliza, onde os laterais já não saltam e são os médios que saltam à largura. Com a linha baixa, porque quem vê este Shakhtar vê dois extremos, com o Mendoza muito rápido e criativo. Se o Maxi for batido, tem o Inácio para dar cobertura, ou o Doumbia; se o Geny for batido, também temos por dentro tanto o Quaresma como o Silas. Na Champions sabemos que, se o jogador tiver espaço, decide. Tentamos que na nossa baliza não haja espaço nem tempo para decidirem tão bem e à vontade. No cruzamento é diferente de o lateral ir à largura. Foste um lateral de topo aqui no Sporting e jogaste muitos jogos destes: sabes que quando saías à largura e deixavas o teu colega no um-para-um com o avançado, bastava uma fração de segundo e eles conseguiam criar perigo. Aí temos dois para três, com o lateral por dentro, para tentar proteger a nossa linha defensiva. É uma ideia que os jogadores perceberam. Não é para mudar nada do que estivesse menos bem, é para tentar ganhar o jogo, que é isso que pretendo."