Uma "mancha" no currículo de Rui Patrício
Sabe o que têm em comum Nildo, Deyverson, Jackson Martínez, Diego Costa, Schürrle, Oscar e Salah...?
Sabe o que têm em comum Nildo, Deyverson, Jackson Martínez, Diego Costa, Schürrle, Oscar e Salah? Se não sabe, Record lembra-lhe que todos estes avançados já saíram a perder de um duelo cara a cara com Rui Patrício. Contra Arouca, Belenenses, FC Porto e Chelsea, o guarda-redes do Sporting reforçou uma imagem de marca, expressa na capacidade de fechar a baliza perante rivais que lhe surgem isolados.
A “mancha”, nome técnico que define a ação de um guarda-redes perante quem lhe surge sozinho pela frente, é uma das grandes valências constantes no currículo de Rui Patrício. E não é obra do acaso. Pelo contrário, aprende-se bem cedo e apura-se com a experiência. Esta técnica faz parte, aliás, do treino diário de um guarda-redes, sobretudo ao longo da sua formação. A Academia Sporting não é, portanto, exceção, e foi lá que Rui Patrício aperfeiçoou esta “arte de sair aos pés dos adversários”.
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Para compreender melhor em que consiste a “mancha”, Record consultou especialistas em treino de guarda-redes, incluindo quem acompanhou de perto a evolução de Patrício. Fique, então, a saber que há dois tipos de “mancha”: a europeia e a sul-americana. Mais: saiba também que Rui Patrício é adepto destas duas formas distintas de travar avançados.
Segundo as normas da “mancha europeia”, o guardião deve sair da baliza em velocidade e, sem hesitar, passar da posição de pé à posição deitada, através de uma queda lateral, sem perder contacto visual com a bola – e, atenção, é expressamente proibido levar pés ou joelhos à frente do corpo, sob pena de não se conseguir evitar uma falta. Foi, aliás, este movimento que permitiu a Rui Patrício travar o remate de Jackson, frente ao FC Porto. As regras da “mancha sul-americana” são completamente diferentes, ou não se tratasse de uma técnica composta por um movimento estático. Para a entender melhor, lembre-se da estratégia tantas vezes aplicada pelo mexicano Guillermo Ochoa, ao longo do Mundial’2014. Quando um guarda-redes se decide por esta ação, espera a chegada do adversário, colocando-se de joelhos no chão – um deles ou mesmo os dois. Então, com a ajuda dos braços, tenta fechar o máximo de espaço possível, reduzindo o ângulo de remate, dificultando, portanto, a tarefa do adversário.
A escolha da técnica a aplicar varia de lance para lance, embora a maioria dos guarda-redes adote apenas uma delas, consoante a sua escola. Ao que Record apurou, Rui Patrício decide a sua ação no momento, fazendo a mesma depender da zona do campo em que surge o adversário, do pé com que este costuma rematar, ou do próprio instinto do guarda-redes do Sporting. O sucesso, esse, está à vista. Quer provas? Reveja as cinco intervenções de Patrício frente ao Chelsea.