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A Associação VitóriaSempre recebeu com "perplexidade" a notícia da apresentação de António Miguel Cardoso como diretor do Olympiacos e, esta quarta-feira, emitiu uma carta aberta dirigida ao antigo presidente do V. Guimarães.
A nota levanta várias perguntas que este grupo de adeptos gostaria de ver esclarecidas, em particular os contornos da mudança para o emblema grego. Na ótica desta associação, os sócios do Vitória têm o direito de perceber "quando começaram os contactos com o Olympiacos", se "existiam negociações enquanto ainda exercia funções no Vitória" e "se as decisões tomatadas durante o seu mandato foram exclusivamente orientadas pelos interesses do clube".
Por outro lado, a Associação VitóriaSempre pretende entender o grau de conhecimento do presidente eleito, Rui Rodrigues, bem como perceber se as decisões referentes à pré-temporada que foram tomadas pela anterior direção estão ou não relacionadas com esta mudança, na medida em que o Vitória tem agendados particulares frente a Rio Ave e Nottingham Forest, dois emblemas detidos por Evangelos Marinakis, juntamente com o Olympiacos.
Eis a carta na íntegra:
"Há momentos na vida de um clube que exigem mais do que silêncio. Exigem reflexão, transparência e respeito por quem faz do Vitória Sport Clube uma instituição centenária: os seus sócios e adeptos. A recente apresentação do ex-presidente demissionário do Vitória como diretor-geral do Olympiacos, pouco tempo depois de deixar o cargo, levantou naturalmente dúvidas e um sentimento de perplexidade entre muitos vitorianos. Há uma questão que não pode ser ignorada: a da ética e da responsabilidade para com o clube que liderou. Os sócios têm o direito de perguntar quando começaram os contactos com o Olympiacos. Têm o direito de saber se existiam negociações enquanto ainda exercia funções no Vitória. Têm o direito de compreender se todas as decisões tomadas durante o seu mandato foram exclusivamente orientadas pelos interesses do clube. Mais, os sócios têm de saber se o atual Presidente do Vitória SC, Rui Rodrigues, teve em algum momento conhecimento desses contatos e negociações e quando.
A estas dúvidas junta-se outro facto que merece ser esclarecido. A pré-época da equipa principal foi preparada ainda durante o mandato de António Miguel Cardoso e, curiosamente, incluiu dois jogos de preparação frente ao Rio Ave e ao Nottingham Forest, clubes que integram o mesmo grupo empresarial do Olympiacos. É natural que suscite interrogações entre os sócios, que esperam total transparência sobre os critérios que estiveram na base da definição desse calendário. É precisamente nestes momentos que ganha especial significado um velho princípio: à mulher de César não basta ser séria, tem de parecê-lo. No futebol, como em qualquer instituição que vive da confiança dos seus associados, não basta agir corretamente; é igualmente essencial que todas as decisões e circunstâncias sejam percepcionadas como transparentes e livres de qualquer dúvida ou potencial conflito de interesses.
Estas perguntas não constituem uma acusação. Constituem um exercício legítimo de escrutínio e de defesa da transparência que deve existir em qualquer instituição desportiva. Quem assume a presidência do Vitória, aceita um compromisso que vai muito além da gestão do dia a dia. Assume a responsabilidade de colocar os interesses do clube acima de qualquer projeto pessoal ou profissional. O Vitória merece dirigentes totalmente comprometidos com o seu futuro, e os seus associados merecem explicações sempre que uma sucessão de acontecimentos possa gerar dúvidas ou afetar a confiança na liderança. Esta situação deve servir também para reforçar a necessidade de mecanismos de governação cada vez mais exigentes, capazes de proteger o clube e de garantir que a confiança dos sócios nunca seja colocada em causa.
O Vitória Sport Clube é muito maior do que qualquer dirigente, treinador ou jogador. Permanece graças à paixão, ao sacrifício e à dedicação de milhares de vitorianos que acompanham o clube em todos os momentos, nos bons e nos maus. Joel Ferreira, É por respeito a essa história, ao símbolo e aos seus adeptos que se impõe uma cultura de transparência e de responsabilidade. Porque a confiança conquista-se. E, acima de tudo, preserva-se."