Álvaro Pacheco abre o livro: a vida de serralheiro, o sonho da 'Champions' e o ídolo Klopp
Técnico do Vitória em entrevista à 'Gazzetta Dello Sport'
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A viver uma temporada de grande nível ao serviço do Vitória, Álvaro Pacheco começa a despertar atenções. O nome do técnico já corre a Europa e a prova é a recente entrevista que este concedeu à 'Gazzetta Dello Sport', um reconhecido jornal italiano.
Numa conversa em que falou um pouco de tudo a nível pessoal, o treinador dos minhotos revelou até que teve um passado como serralheiro, na altura para ajudar o pai.
"O meu pai é um exemplo de resiliência e coragem. Ainda me lembro quando decidi
interromper os meus estudos para trabalhar como serralheiro com ele. Nunca tive vergonha disso, aliás, hoje ensino aos meus filhos o valor da humildade e a consciência de ter de lutar por algo. Nasci em Angola, mas quando tinha dois anos e meio mudei-me para Portugal. Isso teve um impacto enorme na minha família. Nunca fomos ricos, pelo contrário, por isso, quando tinha 17-18 anos, trabalhava. Depois o futebol entrou na minha vida, primeiro como paixão e depois como profissional, e desde então nunca mais parei", começou por explicar.
A ligação ao futebol dura há décadas e a subida até ao Vitória fez-se a pulso. No entanto, Álvaro Pacheco não quer ficar por aqui e tem um sonho claro para o futuro. "Vivo e trabalho a imaginar na minha cabeça o hino da Liga dos Campeões. A música, o sentimento. É o sonho da minha vida e tenho a certeza que o vou conseguir realizar. Não quero ter uma única quarta-feira livre. Como já vos disse, o meu objetivo é ouvir o hino da Liga dos Campeões de olhos fechados", assumiu.
Um sonho que, de resto, se estende ao próprio clube. "Segredos? "Os meus jogadores. A ética de trabalho, a vontade de melhorar e a intensidade que colocam em cada treino são de aplaudir. Temos uma identidade, e depois um sonho: jogar
na Liga dos Campeões. Agora estamos a lutar por um lugar na Conferência, mas estou certo de que os resultados virão. Os nossos adeptos são incomparáveis", apontou.
Antes, porém, Álvaro Pacheco tem um duplo compromisso com o FC Porto a contar para as meias-finais da Taça de Portugal. A um passo do Jamor, o técnico não esconde o desejo de lá chegar. "Ganhar seria especial para todos. A primeira mão é em casa e a segunda no Dragão. Estamos preparados", referiu.
Os métodos de trabalho, as referências e um jogador especialAlém da imagem que se conhece de Álvaro Pacheco no banco de suplentes, há uma outra que passa despercebida ao olho comum, a da relação que cria com os jogadores. ""Para os meus jogadores, sou uma figura paternal, um amigo, um confidente, mas também um treinador rigoroso que não tolera a falta de profissionalismo. Empenho, lealdade e ambição são os meus mantras. Começo o dia muito cedo, antes do pequeno-almoço, para começar a preparar o campo com a minha equipa. Gosto de ver os jogadores a chegar ao campo, para perceber como estão e o que se passa nas suas cabeças. Depois tento ser uma espécie de 'amigo'. Nos treinos, participo em todos os exercícios e jogo. E dessa ligação surgem episódios engraçados", apontou.
A nível pessoal, Álvaro Pacheco confidenciou em quem procura inspiração. "Certamente Jurgen Klopp, mas também Ancelotti e Gasperini. O estilo de jogo que adopto reflete a minha personalidade. Gosto de um futebol ambicioso e ofensivo, feito de pressão e agressividade. Gosto de fazer com que os jogadores se sintam confortáveis para que possam tomar liberdades", afirmou.
Por fim, o técnico falou também de uma relação especial com um jogador. "Diria Jota Silva, um talentoso extremo esquerdo que marcou 13 golos este ano. Quando se
estreou com Portugal, fiquei entusiasmado com ele. Sou um homem instintivo, um homem de coração", concluiu.