Antigo presidente do Conselho Fiscal do V. Guimarães reticente com acordo com a V Sports: «Existe outro caminho»

Ricardo Lobo considera que escolha quanto ao futuro deve ser criteriosa

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• Foto: Luís Vieira/Movephoto
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Ricardo Lobo, antigo presidente do Conselho Fiscal do Vitória, emitiu um comunicado, esta quinta-feira, a dar conta das reticências que tem face ao novo acordo que a SAD pretende estabelecer com a V Sports, que será votado em assembleia geral pelos associados, esta sexta-feira.

Segundo o candidato a vice-presidente na lista encabeçada por Viriato Sampaio nas últimas eleições, o reforço da parceria não acontecerá nos mesmos moldes que estavam previstos em 2023. 

"Em 2023, o montante destinava-se ao Clube sob a forma de doação. Na proposta de 2026, o Clube recebe dois milhões de euros, mas fica obrigado a colocá-los na SAD como prestações acessórias. O passivo da SAD cresceu acentuadamente desde 2023. A pressão sobre a tesouraria, a dimensão das responsabilidades de curto prazo e os encargos com juros reduzem a margem de autonomia do Vitória. A operação de 2023 permitiu liquidar a dívida associada à aquisição das ações anteriormente detidas por Mário Ferreira, resolvendo um compromisso concreto do clube. O acordo de 2023 previa uma linha de crédito de 20 milhões de euros, à taxa de 5,5%. Essa condição tinha um peso relevante no enquadramento financeiro da operação e deve ser considerada ao comparar as propostas.  Em 2023, a preservação da maioria do capital pelo Vitória era assumida como um princípio central. É precisamente essa salvaguarda que importa defender agora, num contexto financeiro muito mais exigente", escreveu.

Por essa razão, Ricardo Lobo acredita que a venda de mais 17% como solução para o futuro é uma mera ilusão. "A operação agora proposta representa, segundo os elementos apresentados, um encaixe de 3,8 milhões de euros para a SAD, sob a forma de prestações acessórias. Mas que problema estrutural pode esse montante resolver quando os resultados negativos recorrentes, os encargos financeiros e as responsabilidades acumuladas assumem a dimensão revelada pelos indicadores? A resposta é clara: não resolve o desequilíbrio económico da SAD, não reestrutura o passivo e não restitui, por si só, a sustentabilidade financeira. Constitui um alívio pontual, não uma solução. Mais preocupante é o risco de, perante a persistência das dificuldades financeiras, surgir em breve a necessidade de novos aumentos de capital. Se o Clube não tiver capacidade para os acompanhar, poderá ficar comprometida a manutenção da maioria na SAD. Esse desfecho não é juridicamente automático, mas é um risco sério que exige uma resposta concreta e credível. A verdadeira decisão dos sócios não se limita, portanto, aos 17% de hoje. Obriga a ponderar as consequências que esta operação poderá ter sobre o controlo efetivo da SAD amanhã", acrescentou.

Na ótica do antigo presidente do Conselho Fiscal, há outro caminho. "O Vitória precisa de uma reestruturação completa da SAD, orientada por dois objetivos indissociáveis: adequar a estrutura de gastos às receitas correntes e renegociar o passivo para reduzir os encargos financeiros e recuperar margem de atuação. Isso exige um plano quantificado, com metas, calendário, responsabilização pela execução e informação transparente aos sócios. Exige também mobilizar competências, parceiros e soluções de financiamento compatíveis com a preservação do controlo do Clube. Não basta afirmar que há alternativas: é necessário estudá-las, estruturá-las e colocá-las perante os associados. A gravidade da situação não justifica que se aceite qualquer solução. Pelo contrário, impõe maior exigência na escolha do caminho a seguir", referiu.

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