Boavista-V. Guimarães, 1-1: Desfecho salomónico

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Quando se defrontam rivais tão assanhados como Boavista e Vitória de Guimarães, um empate pode ser um mal menor no meio do turbilhão de emoções. Na estreia de Vítor Pontes no comando técnico dos vimaranenses, era importante evitar uma derrota que prejudicasse a moralização de que o grupo de trabalho tanto carece. Com menos um jogador na recta final da partida, por expulsão de Zé Manuel, Carlos Brito foi corajoso e continuou a procurar o triunfo. Não teve prémio, mas mantém-se invicto em casa. Um desfecho salomónico que reparte o mal pelas aldeias.

A expectativa para ver de que forma Vítor Pontes deixaria a sua impressão digital na equipa minhota não foi desfeita pelo onze inicial. Todavia, notou-se uma colocação diferente das pedras em campo, sendo abandonado o meio-campo em losango de Jaime Pacheco em benefício de um 4x3x3 assumido, com Dário e Paulo Sérgio a servirem de guarda de honra a Saganowski. Flávio Meireles fechava sobre João Pinto, Svärd era o médio de transição e Benachour mantinha liberdade para pautar o ritmo.

Virilidade

O problema é que os vitorianos entraram demasiado contidos na partida. Ficavam à espera dos axadrezados e enveredaram por uma surpreendente virilidade que não tinha feito regra na última fase do magistério de Jaime Pacheco, mas a vontade de mostrar serviço ao técnico e adeptos num jogo marcante contribuiu para o somatório de faltas.

Convidado a tomar a iniciativa, o Boavista não se fez rogado e mostrou a razão pela qual era o campeão dos jogos em casa até ao início desta jornada (cedeu a posição ao Sp. Braga...). A boa movimentação dos axadrezados permitia remates atrás de remates. Adivinhava-se o golo, que chegou por intermédio de uma subida no terreno do defesa-central Cadú.

Mesmo sentindo-se na obrigação de reagir, o Vitória de Guimarães não conseguiu realizar o seu primeiro remates antes dos 43’, por Paulo Sérgio, pelo que ganhavam crucial importância as indicações que Vítor Pontes pudesse dar ao intervalo. Mesmo para um leigo que estivesse na bancada, era fácil de prever que os vitorianos iriam subir a sua primeira linha de pressão, procurando através de uma reforçada coesão aumentar os espaços entre a organização adversária.

O Boavista é que, se antecipou esta situação, não lidou bem com ela. Ainda por cima, ao erro defensivo de Areias correspondeu de imediato um grande golo de Saganowski.

Leitura

Complicado para o Vitória foi o facto de, após ter sido perdoado um penálti sobre Benachour, Zé Manuel aparecer de forma acrobática a cabecear, terminando a bola por embater na trave. Foi o aviso para os minhotos de que a pantera ainda podia ser mortífera, estando pronta para a luta. Mesmo quando o extremo-direito do Boavista viu o segundo cartão amarelo, Vítor Pontes não sentiu segurança suficiente para partir de forma declarada em busca do triunfo.

Nessa altura, Carlos Brito fez uma excelente leitura. Se o Vitória não assumia o jogo, o Boavista em inferioridade numérica não teve medo de o fazer. João Pinto foi sacrificado, entrou Rui Duarte para fechar o corredor direito e Manuel José subiu para manter o trio ofensivo apontado à baliza de Nilson. Tiago e Lucas lutavam com bravura a meio-campo e o jogo acabou com Manuel José a obrigar Nilson a uma boa estirada.

Árbitro

NUNO ALMEIDA (1). Não sancionou uma grande penalidade cometida por Cadú sobre Benachour. Não reprimiu a rispidez em devido tempo e o jogo arrastou-se até às 52 faltas. Desorientou-se e começou a distribuir cartões na recta final do encontro.

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